Posts Tagged ‘tratamento de imagem’

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Bokeh de Câmera no Photoshop

27/08/2010

No artigo abaixo falarei sobre o filtro Lens Blur do Photoshop, utilizado para simular o desfoque típico de câmera e também mostrarei uma técnica para criar máscara utilizando canais.

O termo Bokeh vem do japonês e significa ‘desfocado’. É o termo utilizado na linguagem fotográfica para aquele desfoque característico causada pela profundidade rasa de foco produzida por grandes aberturas.

O bokeh tem várias características que o diferencia de um desfoque normal, como aquele produzido pelo filtro Gaussian Blur do Photoshop. Entre as principais diferenças estão dois componentes, primeiro o fato de que enquanto o desfoque do Gaussian Blur é redondo, o desfoque causado pela objetiva tem a forma do diafragma da objetiva (forma de pentagno, hexagono, octágono e por aí vai). Em segundo, está o fato de que o desfoque da objetiva faz com que a altas luzes da cena estourem e pareçam ainda mais claras, o que não acontece com o desfoque causado pelo Gaussian Blur.

Para simular este efeito a Adobe incluiu nas últimas versões do Photoshop um filtro chamada Lens Blur (Desfoque de Lente), que permite um controle muito maior na quantidade de desfoque, na qualidade do desfoque, e também na profundidade de campo.

Lens_Blur_01

O Lens Blur permite, entre outras coisas, que a profundida de campo seja simulada utilizando-se máscara/canais. O filtro utiliza os tons de cinza de uma máscara/canal como referência, considerando os pixels pretos como ponto focal e os tons de cinza em direção ao branco como estando progressivamente mais distantes do plano focal.

Lens_Blur_02

Na imagem acima podemos visualizar um exemplo da aplicação do filtro Lens Blur no Photoshop. A primeira imagem mostra o original sem a aplicação do filtro, a segunda imagem mostra o canal utilizado para o efeito, e a terceira imagem mostra o desfoque aplicado com o uso deste canal de referência.

O fotógrafo Diogo Guerreiro, administrador do ótimo portal Fotografia DG, me emprestou a foto abaixo para que eu demonstrasse a aplicação de desfoque de lente no Photoshop.

Lens_Blur_03

A foto possui um leve desfoque no plano de fundo, mas queremos aplicar um desfoque ainda maior para destacar bem a modelo do plano de fundo da imagem, visto que o plano de fundo não contém nenhum detalhe interessante para a foto.

Ao olhar para a imagem percebemos que embora recortar o modelo não seja um trabalho árduo, os cabelos cacheados dela dariam um trabalho incrível para serem recortados utilizando-se as técnicas normais de recorte. Aqui é que entra a técnica de canais que mencionei no início do artigo.

Para começar, vá à paleta CHANNELS do Photoshop, onde você pode visualizar os canais RED, GREEN e BLUE da imagem (vermelho, verde e azul, respectivamente). Clique nos canais para visualizá-los como tons de cinza. O que você está procurando aqui é o canal no qual o cabelo da noiva tenha maior contraste com o plano de fundo. Neste caso, trata-se do canal BLUE.

Lens_Blur_04

Precisamos de um contraste ainda maior para um bom recorte. Porém, se mexermos diretamente no canal BLUE iremos alterar as cores da imagem. Por isto, selecione o canal BLUE e arraste-o até o botão CREATE NEW CHANNEL na parte inferior da paleta CHANNELS. Isto criará uma cópia do canal BLUE chamada de BLUE COPY.

Selecione o canal BLUE COPY para visualizá-lo em tons de cinza, e com a ferramenta LEVELS (CTRL+L) aumente o contraste do canal até que o cabelo fique bem contrastado em relação ao fundo, como na imagem abaixo.

Lens_Blur_05

Se utilizarmos este canal como referência para o desfoque de lente teremos uma série de problemas. Primeiro, o vestido branco dirá ao Photoshop que o vestido está bem distante do plano de foco, e as manchas pretas na parte superior farão com que parte do plano de fundo apareça nítido. Precisamos corrigir manualmente o canal para obtermos o resultado necessário.

Com o canal ainda selecionado, utilizaremos o pincel para pintar de preto as partes da modelo que estão em branco (vestido, parte do rosto, do colo e o colar no pescoço), e para pintar de branco as áreas ao lado da cabeça dela. Isto não será muito difícil, visto que as partes mais problemáticas (os limites entre a modelo e o plano de fundo) já estão devidamente contrastados. O resultado final que buscamos é este abaixo.

Lens_Blur_06

No canal mostrado acima também foi aplicado um GAUSSIAN BLUR bem leve (0.5 pixel) para suavizar as margens do canal. Isto ajudará a tornar o limite do canal menos perceptível na aplicação do filtro LENS BLUR.

Selecione o canal RGB na paleta CHANNELS para visualizar novamente a imagem colorida na janela da imagem. Duplique a camada BACKGROUND e ative o filtro selecionando o menos FILTER > BLUR > LENS BLUR. O diálogo do filtro surgirá na tela.

Lens_Blur_07

Vamos fazer um resumo rápido dos controles do diálogo Lens Blur.

Preview – esta opção desliga ou liga a pré-visualização do efeito na janela, permitindo a visualização do antes e depois da aplicação do efeito. A opção FASTER gera uma pré-visualização mais veloz, enquanto MORE ACCURATE exibe uma pré-visualização mais fiel ao resultado final, porém mais lenta. Se você tiver um bom computador selecione More Accurate, caso contrário, Faster será melhor para visualizar os efeitos.

Depth Map – é nesta área que aplicamos o canal que geramos para definir a profundidade do foco, nela você encontrará todos os canais que você tiver criado na paleta CHANNELS, além das opções TRANSPARENCY e LAYER MASK. Selecione no menu SOURCE o canal que você criou, no caso o BLUE COPY.

BLUR FOCAL DISTANCE – posiciona o plano de foco na escala de cinza do canal que você criou. Em zero, tudo que for preto no canal estará em foco, na medida em que você movimenta para 255, o plano de foco vai se dirigindo para as áreas em branco do canal. A opção INVERT inverte o canal.

Shape – seleciona o formato do diafragma a ser simulado. Considera-se que quanto mais lâminas formarem o diagragma da objetiva, melhor a qualidade do desfoque, porém para certos efeitos você pode desejar um número menor de lâminas (curiosidade: embora o PS oferece as opções de 3 ou 4 lâminas (diafragma triangular ou quadrado) nunca vi nenhuma objetiva com estas características. A objetiva que conheço com menor número de lâminas é a Canon 50mm 1.8, que possui cinco e consequentemente gera um bokeh em forma de pentágono).

Radius – seleciona o raio do diafragma e consequentemente o tamanho do desfoque da imagem. Quanto maior, mais desfocada a imagem.

Blade Curvature – seleciona a curvatura das lâminas do diafragma simulado. Quanto maior, mais arredondado será o efeito do bokeh. Por isto, quando maior o valor em Blade Curvature, menos perceptível é a diferença entre os formatos do diafragma.

Rotation – rotaciona o diafragma, fazendo com que o bokeh tome outra posição. Especialmente interessante se a imagem tiver pontos de luz bem definidos.

Specular Highlights – Brightness – este controle vaza os brancos estourados da imagem, fazendo com que as áreas estouradas invadam as áreas ao redor delas. Deve ser utilizado em conjunto com o controle Threshold.

Threshold – este controle indica ao filtro o quão estourado o branco deve estar para que seja vazado pelo controle Brightness. No valor 255 apenas o branco puro na imagem (estourado) será vazado… na medida em que o valor é reduzido, cores próximas ao branco puro também são estouradas e vazadas.

Noise – o desfoque suaviza o ruído que a câmera produz nas fotos, o que pode fazer com que a área desfocada fique com ruído diferente da área não desfocada. Este controle adiciona ruído à área desfocada da imagem, ajudando a torná-la homogênea com a área não desfocada da imagem.

Distribuition – a distribuição Uniform espalha o ruído de maneira uniforme sobre a área desfocada. A opção Gaussian utiliza um algorítmo específico para espalhar o ruído na imagem respeitando a luminosidade da mesma.

Monocromátic – esta opção faz com que o ruído aplicado seja monocromático, e não colorido.

Para esta imagem selecione como SOURCE a opção BLUE COPY, escolhi a forma de pentágono (5) com raio 15. Não mexi na opção das altas luzes, mantendo Brightness 0 e Threshold 255, e adicione um ruído uniforme e e monocromático com valor 2.

Segue o resultado final:

Lens_Blur_08

Espero que tenha valido o exercício. A seleção com utilização de canal é um recurso que não funciona em todas as fotos, mas é uma ferramenta válida para manter em seu repertório para quando surgir a oportunidade. Um grande abraço para todos, e não deixem de comentar.

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Simulando o filtro Polarizador com PS

16/04/2009

O pessoal do Digiforum é muito bacana. Quando não estão me dando dicas sobre fotografia, tratamento, estão me dando novas idéias para posts aqui no blog. Este post surgiu de um tópico lá do Digiforum, onde um participante questionou sobre a possibilidade de se simular o efeito do filtro Polatizador no Photoshop.

Bem, o Polarizador é um filtro com características interessantes, ele é um filtro que manipula diretamente a luz que chega na câmera. Entre suas qualidades estão: escurecer o céu aumentando o contraste entre o azul e as núvens, aumentar o contraste entre elementos da imagem e remover ou suavizar reflexos em superfícies não metálicas.

A última característica é realmente difícil de se simular no Photoshop, dependendo da situação é até mesmo impossível (pois dependendo da quantidade de reflexos, a sua imagem não terá nenhuma informação sobre o que há atrás deles). Já o contraste é possível com o uso de Curves e Levels, enquanto a questão do Azul do céu pode ser facilmente resolvida com o uso da ferramenta Selective Color do Photoshop. É sobre isto que falaremos agora.

Vamos começar com a imagem na qual irei trabalhar. Você pode utilizar qualquer imagem sua que tenha céu azul (o efeito não será possível com um céu estourado, devido à falta de informações naquela área):

selective_001

O comando SELECTIVE COLOR do Photoshop permite que você manipule áreas de cores específicas, alterando a quantidade de determinadas cores nestas áreas (como, por exemplo, adicionar Magenta na região dos Verdes e etc.).

Para tanto poderíamos utilizar a opção de menu IMAGE > ADJUSTMENTS > SELECTIVE COLOR. Mas ao invés disto iremos utilizar uma máscara de ajuste, que nos permitirá corrigir mais facilmente os problemas que irão surgir em nossas alterações.

Para tal, vá ao painel LAYERS e clique no botão CREATE NEW FILL OR ADJUSTMENT LAYER, que é o botão marcado na imagem abaixo.

selective_002

Diferente do comando do menu que afeta diretamente a imagem, este botão CREATE NEW FILL OR ADJUSTMENT LAYER cria uma layer de ajuste. Uma layer de ajuste é uma camada que aplica o efeito desejado em todas as camadas que estão abaixo dela, de forma não destrutiva. É uma ótima maneira de aplicar certos ajustes, principalmente quando você quer aplicá-los de forma localizada, ou aplicá-los em uma série de camadas sem ter de achatá-las. Além disto, a layer de ajuste acompanha uma máscara de layer (Layer Mask), que define a área onde o efeito será aplicado, isto será muito útil para nós. Então, clique no botão e selecione a opção SELECTIVE COLOR no menu que surgir.

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A imagem acima é do comando Selective Color. Ao selecionar o comando SELECTIVE COLOR, uma layer será criada acima da imagem com o ícone do ajuste e uma máscara de layer. Se você estiver utilizando o Photoshop CS3 ou mais antigo, o comando SELECTIVE COLOR irá aparecer como uma caixa de diálogo, já no CS4 ele aparece dentro do painel ADJUSTMENTS.

Para começar, o céu nas fotografias normalmente é composto por uma mistura de BLUE (Azul) e CYAN (Ciano), por isto para conseguir o efeito que queremos é, normalmente, necessário alterar os dois. Comece selecionando a opção CYAN no menu flutuante COLORS.

Feito isto, selecione o botão radial ABSOLUTE para que o efeito seja aplicado com mais força (na opção RELATIVE, o efeito é aplicado de forma proporcional à quantidade de cor já existente). Agora aumente os deslizantes CYAN e MAGENTA, reduza o YELLOW e deixe o BLACK como está. Para a minha imagem eu utilizei as configurações para o CYAN:

  • CYAN: +100%
  • MAGENTA: +45%
  • YELLOW: –100%
  • BLACK: 0%

Agora mude o menu para BLUES (a cor, não o estilo musical) e faça alterações similares. No caso da minha imagem utilizei as seguintes configurações:

  • CYAN: +100%
  • MAGENTA: +25%
  • YELLOW: –100%
  • BLACK: 0%
  • Como resultado, a imagem ficou como abaixo. O efeito poderia ficar mais forte, mas iremos resolver isto depois de resolver um outro problema. Perceba que o efeito foi aplicado em tudo que é ciano e azul na imagem, o que inclui a fachada de um dos prédios e parte do mar. Não é isto que queremos, então vamos resolver utilizando a máscara da layer de ajuste.

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    A Máscara da Layer é aquele ícone (uma quadrado em branco) ao lado do ícone do ajuste na Adjustment Layer. Ela é, na verdade, uma imagem em tons de cinza (no momento, toda preenchida com branco) que diz ao Photoshop aonde aplicar ou não o efeito, e com qual intensidade. Para o PS, todas as áreas em branco da máscara devem receber o efeito, áreas em preto não recebem o efeito, e áreas em tons de cinza recebem efeito parcial (50% de cinza, 50% de efeito).

    Comece indo ao painel Layers e clicando na máscara. Quando a máscara está selecionada, uma pequena moldura aparece em torno do quadrado branco no painel LAYERS, como mostrado abaixo:

    selective_005

    A máscara de layer é um objeto em tons de cinza, então você não poderá utilizar cores enquanto ela está selecionada. Perceba que qualquer cor que você selecionar no Color Picker ou no painel SWATCHES aparecerá como um tom de cinza nos box Foreground e Background Color da barra de ferramentas. Fora isto, enquanto a máscara estiver selecionada, qualquer alteração feita na janela do documento será aplicada a máscara, seja através de ferramentas, ajustes ou filtros. Tudo que pode ser aplicado à uma imagem em Greyscale, inclusive filtros, pode ser aplicado à máscara. Isto oferece muita liberdade criativa.

    Clique na máscara da layer para selecioná-la, selecione a ferramenta BRUSH (B) e escolha um pincél grande e de bordas suaves. Na caixa FOREGROUND COLOR na barra de ferramentas selecione a cor PRETA, pois com ela iremos “bloquear” o efeito nas áreas que não queremos.

    Agora vá à janela do documento e pinte com preto as áreas de onde você quer remover o efeito. No caso da minha imagem, o azul do prédio e do mar. Você não precisará ser muito preciso, a não ser nos locais onde uma área azul/ciano que não deva ter efeito encoste em uma área azul/ciano que receba o efeito. Faça isto até mascarar o efeito nas áreas indesejadas. Se você quiser ver sua máscara, segure a tecla ALT e clique na máscara no painel LAYERS. Você verá a máscara em tons de cinza isolada da imagem, porém a máscara continua editável. Isto é ótimo para encontrar falhas e fechar buracos. Veja a minha máscara:

    selective_006

    Para voltar a ver a imagem segure ALT e clique na máscara novamente, ou clique em alguma outra layer do painel. Com a máscara, o mar e o azul do prédio voltaram ao seu estado normal, deixando o efeito apenas na área do céu (em branco na máscara). Caso você tenha cometido algum erro em sua máscara, basta selecionar a cor branca e pintar nela para recuperar o efeito naquela região. Este é o bacana das máscaras, elas são 100% não destrutivas… se em algum momento você precisar alterá-las, não precisa voltar a um passo anterior do seu trabalho para fazê-lo. Se em qualquer momento você quiser mudar os parâmetros do efeito, basta clicar no ícone do ajuste na ADJUSTMENT LAYER, e o ajuste irá aparecer novamente no painel ADJUSTMENTS (ou a caixa de diálogo).

    Veja a imagem com a máscara:

    selective_007

    Para reforçar o efeito, é simples, basta duplicar a camada de ajuste para ter o dobro de efeito. Deixamos para fazer isto agora porque duplicando a camada de ajuste duplicamos também a máscara, isto nos poupa o trabalho de ter de refazer a máscara para a nova camada. Simplesmente selecione a camada de ajuste e copie-a (CTRL+J).

    Ao fazer isto na minha imagem eu percebi duas coisas. Primeiro, que a máscara não estava atingindo a mancha azulada no topo do prédio central (lateral do prédio, na tela verde). Então eu dei um CTRL+Z e ajustei a máscara naquele ponto, pintando-a com preto. Feito isto, dupliquei novamente a camada de ajuste. Como resultado, o efeito no céu ficou forte demais, exagerado (este é um perigo que existe até mesmo com o filtro polarizador). Porém isto é fácil de corrigir, basta controlar a opacidade da camada de ajuste superior no painel LAYERS. No caso da minha imagem, tive de reduzí-lo para 75%.

    Veja o resultado comparado (clique para ampliar):

    selective_008

    A vantagem de utilizar este método é exatamente o fato de ser não destrutivo. A qualquer momento do processo você pode ajustar os parâmetros do ajuste SELECTIVE COLOR ou da máscara do efeito, e sua imagem permanece intocada na layer inferior. Digamos que você quisesse fazer alguma alteração na imagem (como, por exemplo, tirar a núvem que aparece sobre o prédio azul), bastaria selecionar a layer da imagem, fazer as alterações com a ferramenta Clone, e o ajuste seria automaticamente aplicado ali.

    Espero que além de ter aprendida a simular o efeito do polarizador, este artigo tenha lhe ajudado também a compreender um pouco mais as layers de ajuste (há layers de ajuste para quase todos os comandos do painel IMAGE > ADJUSTMENT) e máscaras de layers. Mas, se surgirem dúvidas, não hesite em perguntar.

    Grande abraço para todos, e obrigado pelas visitas e comentários.

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    Curves – O que é? O que faz?

    26/01/2009

    Estes dias um camarada do fórum Digifórum postou o seguinte: “eu vejo um monte de tutorial que utiliza Curves, quando preciso sei que curva fazer e tudo mais, mas não tenho certeza de como, exatamente, o painel afeta a minha imagem.” A dúvida deste colega inspirou este posto, que visa explicar como funciona o painel Curves.

    Eu sempre gostei de dizer para meus alunos de Photoshop: “É mais importante aprender o que determinado comando faz, do que aprender para que ele ser. Quando você aprende para que um comando serve, ele só serve para aquilo. Quando você aprende o que ele faz, ele pode vir a servir para coisas que ninguém antes havia imaginado.”

    Correção de Iluminação

    O Photoshop possui 3 ferramentas básicas, de complexidade crescente, para afetar a iluminação/contraste de uma imagem. A primeira delas é o básico Brightness/Contrast, que afeta de forma bastante grosseira o brilho e o contraste de uma imagem. É uma ferramenta bastante rude e deve ser ignorada na maior parte do tempo em prol de ferramentas mais versáteis.

    A segunda ferramenta é o Levels (Ctrl+L). O Levels possui um funcionamento similar ao que encontraremos em Curves, mas ele limita os pontos onde você pode interfirir e a amplitude destes pontos. É uma ótima ferramenta para quem está começando no Photoshop, e permite ao usuário clarear as altas luzes, escurecer as sombras e alterar os meio-tons de uma imagem. Bem utilizado, pode fazer milagres pelo contraste e luz de uma imagem.

    A terceira ferramenta é a estrela deste artigo, e a mais versátil e complexa das três, a ferramenta Curves (Ctrl+M). Versátil, pois ela permite que você afete a curva tonal da imagem de forma livre, obtendo todo o tipo de efeito.

    Curva Tonal

    Uma Curva Tonal é um gráfico que define uma relação de entrada e saída da escala tonal (tons de iluminação) de uma imagem. Ela se parece, inicialmente, com o gráfico abaixo:

    curves_01

    O que vemos neste gráfico? Primeiro, temos de compreender o que significam as barras em degradê no eixo horizontal e vertical do gráfico, pois elas são a nossa dica para como o gráfico afetará a imagem.

    O eixo horizontal, chamado no PS de INPUT, mostra a escala tonal da imagem original (antes do Curves ser aplicado), indo do ponto mais escuro à esquerda até o mais claro à direita. O eixo vertical, chamado de Output, mostra a mesma escala tonal, mas refere-se à imagem de saída, após o efeito do Curves ter sido aplicado.

    No fundo da imagem vemos um suave histograma (gráfico) em cinza. Este histograma é apenas uma base para você visualizar o nível de luminosidade de sua imagem, o gráfico mostra quantos pixels sua imagem tem em cada nível de luminosidade. Na imagem acima podemos ver que o histograma indica um suave acúmulo de pixels nas áreas mais escuras, uma grande quantidade nos meio tons, e nenhum pixel nas áreas mais clares. Em resumo, aquele “lapso” entre o histograma e o lado direito do gráfico indica que o ponto mais claro da minha imagem possui uma luminosidade de pouco mais de 75%, o que me deixa uma brecha para melhorar o contraste da imagem.

    O que o gráfico da Curva Tonal que vemos nos diz? Ela é o que chamamos de Curva Linear (paradoxal, não?). Como cada ponto do eixo horizontal se relaciona com o mesmo ponto no eixo vertical, podemos dizer com facilitade o que esta ‘curva’ faz pela imagem. Exatamente, NADA! Pois a relação de entrada é a mesma da saída.

    A medida em que movemos a curva tonal, clicando e arrastando sobre ela (este é apenas um dos métodos), podemos alterar a relação da luminosidade da imagem original com a imagem resultante. Vamos dar uma olhada na imagem que gerou este histograma e esta curva tonal.

    12SFGF - Olhar do Rei

    Bichinho simpático. Pois bem, foi ele quem gerou aquele histograma lá em cima. O acúmulo de pixels que vemos nas áreas escura dizem respeito ao focinho e contorno dos olhos do animal, mas de resto, quase toda a imagem está no campo dos meio-tons. As regiões mais claras, como as manchas brancas, estão em um cinza suave, por isto há aquele intervalo entre o histograma e o lado direito do gráfico, pois não há pixels com luminosidade próxima a 100% na imagem.

    Agora vamos mexer um pouco na curva. Se você desejar, clique na imagem do leão acima e copie a versão em 600 x 400 pixels para utilizar no Photoshop. Depois de aberto a imagem pressione Ctrl+M ou vá em IMAGE > ADJUSTMENT > CURVES para abrir o diálogo Curves. Você verá um gráfico similar ao que temos acima.

    Comece pressionando o botão CURVE DISPLAY OPTIONS na parte inferior da janela para abrir algumas opções extras do diálogo. Na parte direita desta nova região há dois ícones quadrados, clique no que tem a grade mais complexa para visualizar melhor as alterações no gráfico. Seu diálogo deve ficar como este:

    curves_03

    O Photoshop CS4 pegou emprestado uma ferramenta muito útil do Lightroom que ajuda você a fazer alterações na curva tonal da imagem. Neste momento, utilizaremos ela apenas para analizar a posição dos pixels da imagem no gráfico, mas você pode utilizar ela para clicar a arrastar diretamente sobre a imagem alterando a parte da curva responsável por aquela região. Então, clique no ícone em forma de um dedo com setas na parte esquerda do painel.

    Com esta ferramenta selecionada, flutue seu mouse sobre a imagem, e perceba que uma pequena bolinha aparece sobre o gráfico. A bolinha indica exatamente em que parte da curva está aquele pixel sob o cursor do seu mouse. Quanto mais escuro, mais para a esquerda estará a bolinha, quanto mais claro, mais para a direita. Perceba que é quando você flutua o mouse sobre as manchas brancas do leão que a bolinha atinge o ponto mais alto do gráfico, e que este ponto chega, no máximo, à última linha do gráfico, nunca entrando no último quadradinho do canto superior direito. Isto acontece porque ali estariam os pixels mais claros possíveis, e nossa imagem não tem nenhum. Clique no botão do dedinho novamente para desabilitar esta ferramenta.

    Vamos fazer nossa primeira alteração na curva. Clique no ponto do canto superior direito do gráfico e arraste-o horizontalmente até a primeira linha do gráfico, assim:

    curves_04

    Agora nossa curva conta uma novidade para o Photoshop. Ela diz para o Photoshop que o ponto mais claro da imagem original (que tinha uma luminosidade de cerca de 229 – na escala de 256 níveis, de 0 até 255), deve ter, na imagem final, uma luminosidade de 255. Isto clareará as altas luzes da imagem, mas também afeta os outros níveis de luminosidade. Perceba agora como o cinza médio da imagem (a linha vertical central do gráfico) está deslocada para cima um pouco, isto nos diz que o cinza médio da imagem original foi levemente clareado na imagem final. Perceba que se você der OK agora, e então abrir novamente o diálogo Curves, o histograma terá mudado e o lapso entre o gráfico e a margem direita do gráfico não existe mais. Isto é porque agora sua imagem tem pixels nas áreas mais claras dela.

    Como utilizar

    Você pode clicar diretamente no gráfico da curva tonal para criar novos pontos que você pode mover, afetando assim a curva tonal da sua imagem. Quanto mais para a esquerda estiver o ponto, mais escuras são as áreas da imagem afetadas por ele, mais para direita, áreas mais claras. Mover o ponto para cima clareia aquela área, mover para baixo, escurece-a.

    No nosso movimento, acabamos subindo o gráfico nas regiões mais claras da imagem, gerando assim um clareamento destas áreas.

    Para alterar os meio tons da imagem, gere um ponto no centro dela e arraste para cima para clarear e para baixo para escurecer. Para aumentar o contraste da imagem crie uma curva em S, como a que vemos abaixo, escurecendo (descendo) as regiões escuras e clareando (subindo) as regiões claras.

    curves_05

    Se você inverter completamente o gráfico (puxando o ponto inferior esquerdo totalmente para cima, e o superior direito totalmente para baixo), inverterá a luminosidade da foto, gerando um negativo. Agora, pense só, com isto você tem o poder de inverter a luminosidade apenas de determinada área do gráfico, invertendo a relação apenas de um pedaço. Poderoso, não?

    Com isto a ferramentas Curves permite que você afete a luminosidade apenas em determinada região tonal da imagem, como por exemplo clarear apenas as meia-sombras da imagem, sem afetar o resto da mesma.

    Neste painel você ainda tem a opção de alterar o menu flutuante CHANNEL. Por padrão ele vem em RGB, o significa que o gráfico afetará todos os três canais de cor da imagem, afetando assim a luminosidade da mesma. Mas você pode trocar para afetar os canais de cor (Red, Green e Blue), afetando apenas estes canais. O funcionamento da curva é identido para todos os canais. Este recurso é muito útil para se trabalhar no modo de cores LAB, mas veremos isto em outro artigo.

    Por agora, veremos um último recuros do diálogo Curves, que pouca gente conhece e utiliza, mas que é extremamente útil. A priori, retorne a imagem do leão ao original de quando você baixou.

    Conta Gotas

    No painel CURVES há, logo abaixo do gráfico, três conta-gotas… um cheio de ‘tinta’ preta, outro de cinza, e outro de branco. Estes conta-goras funcionando da seguinte forma. Selecionar o conta-gotas preto e clica na imagem diz ao Photoshop que aquele ponto que você clicou deve ser preto, então o Photoshop irá alterar toda a curva de forma que aquele ponto que você clicou fique preto (ele altera toda a curva de forma equivalente, para aquilibrar a luminosidade). Clicar com o conta-gotas branco diz que aquele pixel deve ser branco, e o mesmo acontece com o conta-gotas cinza, que torna o ponto clicado em cinza 50%.

    O problema desta ferramenta é que ela estoura (clipa) o ponto clicado. Ou seja, você pega a ferramenta conta-gotas branco, clica na imagem, e todo aquela área vira branco puro, arriscando perder os detalhes. Mas para resolver isto, existe um macete.

    Dê um duplo clique sobre o conta-gotas branco. Isto fará abrir o Seletor de Cores do Photoshop. Neste seletor as cores RGB estarão especificadas em 255, 255, 255… mude esta configuração para 254, 254, 254, isto fará com que o ponto clicado fique quase branco, e não branco puro, evitando o estouro. Clique OK.

    Agora faça o mesmo com o conta gotas preto. Duplo-clique, e configure o RGB para 1, 1, 1. Dê OK também.

    Selecione o conta gotas preto e clique na área mais escura da imagem (o focinho do leão). Você verá que não acontece nada, pois o focinho dele já está bem preto. Mas agora clique no conta gotas branco, e clique na região mais clara (a mancha branca próxima ao olho). Agora, sim, aumentou bastante o contraste da imagem.

    As vezes, este movimento estoura as cores da imagem, pois você acaba clicando em um ponto que não é o mais claro da imagem. Então clique na opção SHOW CLIPPING para visualizar as áreas estouradas da imagem. Alguns pontos de estouro não são problemas, mas manchas grandes são. Se houver alguma mancha grande em uma área importante da imagem (área que precise manter os detalhes), sem sair da opção SHOW CLIPPING, clique com o conta gotas branco sobre uma destas áreas. Você verá que diminuirá as áreas estouradas. Saia do SHOW CLIPPING e utilize a opção PREVIEW para visualiza o antes e depois da sua imagem.

    Perceba que o CURVES moveu até as curvas dos canais de cor (surgiram linhas coloridas no gráfico), isto é porque ele alterou os canais de cores da imagem de forma equilibrada para converter o ponto sobre o qual você clicou em branco neutro. Isto pode ser muito útil também para corrigir desvios de cor na sua imagem e executar o balanço de branco.

    Utilizando o CURVES na imagem do Leão, com os conta-gotas, depois dando OK, e então entrando em CURVES novamente para aumentar o contraste com uma suave curva em S, cheguei neste resultado.

    12SFGF - Olhar do Rei

    Muito se aprende sobre o curves utilizando-o e visualizando seus efeitos sobre as imagens, espero que este artigo lhe ajude a explorar com mais propriedade esta incrível ferramenta para tratamento de imagem, e quem sabe levá-la além. Em um artigo futuro explicarei como utilizar o CURVES para fazer uma letra simulando metal. Até lá, um grande abraço.

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    Convertendo Fotos para PB utilizando o Lightroom

    27/09/2008

    Este artigo não é novo. Eu o criei pelos idos do mês de abril para postá-lo em meus dois foruns de fotografia favoritos: o Digifórum, e a Sala de Estudos Fotográficos. Mas para manter meus artigos e tutoriais concentrados em um lugar, vou repostá-lo aqui. Para quem ainda não o leu, o tutorial é bem interessante. Para quem já leu, não há nada de novo (desculpa a decepção – mas prometo um novo tutorial/artigo para logo).

    Como sempre, o link para este tutorial estará também no portal Núcleo Fotográfico, do meu grande amigo Eduardo Guilhon.

    Converter foto para P&B utilizando o computador é um processo de tratamento de imagem. Evite utilizar apenas a ferramenta Dessaturate do Photoshop ou então da própria câmera, pois este processo não lhe dará controle criativo e você terá de se contentar com a conversão que a máquina faz.

    A fotografia P&B em câmera de película é afetada pelo processo criativo do fotógrafo no momento da captura, com filtros coloridos na câmera, ou então através do tratamento e manipulação no momento da revelação. Por esta razão os grandes fotógrafos revelavam suas próprias fotografia, e por este motivo é de bom grado ao fotógrafo digital saber tratar suas imagens no computador.

    O processo de conversão de imagem para P&B utilizando o Lightroom é um processo simples, e que requer um pouco de conhecimento do software, e muita experiência, experimentação e bom gosto no momento do tratamento.

    A foto que escolhi para a conversão é esta:

    Igreja do Ribeirão da Ilha

    Igreja do Ribeirão da Ilha

    Como a foto tem áreas bastante fortes de cor, vai facilitar o entendimento do processo.

    Uma vez selecionada a foto com a qual você irá trabalhar, coloque o Lightroom no modo DEVELOP e selecione a opção GREYSCALE. Caso o Whitebalance da imagem não esteja do agrado, é mais fácil corrigir isto na imagem ainda colorida, escolhendo-se o “conta-gotas” ao lado do WB: e clicando em um ponto da imagem que deva ser neutro.

    Clique na Imagem para Ampliar

    Clique na Imagem para Ampliar

    Logo abaixo da sessão do WB: você encontrará a região aonde tratará a exposição e contraste da imagem. O Histograma que se encontra no topo desta mesma barra pode ser muito útil neste tratamento, principalmente para corrigir estouros de branco.

    No topo do Histograma existem duas setas. Se você passar o mouse sobre elas o Lightroom irá destacar na imagem as áreas aonde o branco e o preto estouraram (cliparam/chaparam). A primeira seta define o estouro no preto, marcado na cor azul, a segunda define os brancos, marcados em vermelho. Clicar na seta faz com que a área continue marcada mesmo que você tire o mouse de cima da seta, e é uma ótima opção para corrigir alguns estouros na imagem.

    Na imagem abaixo eu exagerei na exposição para demonstrar as áreas de branco e preto estourados.

    Clique na Imagem para Ampliar

    Clique na Imagem para Ampliar

    O seu processo de conversão para P&B irá começar na sessão que controla o brilho e exposição da imagem, apresentada na imagem abaixo.

    Clique na Imagem para Ampliar

    Clique na Imagem para Ampliar

    As fotografias P&B são clássicas por seu contraste bastante acentuado. Na falta de informação de cor que possa confundir a visão do espectador, a foto PB exagera no contraste de forma a acentuar a textura dos objetos e também criar um contraste nas relação de luz e sombra da imagem.

    EXPOSURE: Reduz ou aumenta a exposição da imagem, clareando-a ou escurecendo-a. Sempre existe um leve detrimento da imagem quando se regula a exposição via software e não no hardware, mas esta redução é ínfima em níveis baixos quando se fotografa em RAW. Por isto, sempre é recomendado que você fotografe em RAW, principalmente se tiver a intenção de converter a imagem para P&B.

    Estudo: subi a exposição em 0.40 pontos, para criar um contraste melhor. Não esqueça de sempre deixar os avisos de clipagem ligados no Histograma, para evitar que as cores clipem, principalmente os brancos. (É normal fotos P&B, principalmente antigas, possuírem áreas de branco ou preto puro, mas estas áreas não devem ser grandes ou atrapalhar a imagem, principalmente no que se refere ao branco. Ainda assim, liberdades criativas sempre serão permitidas).

    RECOVERY: Recupera os detalhes em áreas de alto-brilho (Highlights) reduzindo as áreas de extremo tonal. Em imagens RAW o Lightroom consegue recuperar o detalhe em áreas nas quais um ou dois canais estejam clipados. Usado em exagero pode acinzentar e escurecer a imagem.

    Estudo: como tomei cuidado com a clipagem no momento de aumentar a exposição, não foi necessário utilizar o Recovery nesta imagem. Mas ele é bastante utilizado, principalmente em imagens com contra-luz extremo, no qual você consegue recuperar um pouco dos detalhes da área estourada. É interessante deixar os realces de clipagem ativos ao mexer nesta função, mas desligá-los para ver o efeito visual na imagem.

    FILL LIGHT: Clareia as áreas de Cinza Médio da imagem preservando as áreas de preto total da mesma. Utilizado com parcimônia ele aumenta o contraste da imagem e destaca áreas acinzentadas, com exagero ele destaca o ruído da imagem e clareia demais ela afetando o contraste.

    Estudo: Amplei um pouco o FILL LIGHT para ampliar o contraste do preto total com as áreas de cinza.

    BLACKS: Acentua as áreas de preto total da imagem, fazendo com que áreas de cinza próximas ao preto se convertam à preto total. Ajuda a recuperar o preto que pode ser perdido no FILL LIGHT. Usado com exagero enegrece demais a imagem perdendo dinâmica tonal.

    Estudo: Ampliei o BLACKS para recuperar um pouco das áreas escuras da imagem, perdidas no momento do FILL LIGHT, e o contraste.

    Os controles de BRIGHTNESS e CONTRAST executam funções similares aos comandos anteriores, mas de forma mais global e grosseira na imagem. Amplei um pouco o CONTRAST no caso da imagem de estudo, mas o resultado poderia ser alcançado apenas com alterações nos comandos anteriores.

    Por fim, cheguei ao resultado abaixo:

    Imagem convertida para P&B.

    Imagem convertida para P&B.

    Mas ainda não terminamos. Chegamos em uma imagem com bom contraste, e poderíamos estar contente com ela em termos de conversão para P&B. Muito melhor do que se você tivesse simplesmente usado o “DESSATURATE” do Photoshop. Além de que agora você pode dizer que existe um processo criativo pessoal seu na imagem.

    Mas vamos deslizar até outra região do Lightroom. Ainda na sessão DEVELOP, procure a sessão GREYSCALE MIX, indicada na imagem abaixo:

    Sessão Greyscale Mix

    Sessão Greyscale Mix

    É nesta sessão que iremos “brincar” com a foto, como um fotógrafo faria com filtros no momento de fotografar a imagem. Aqui temos a tecnologia ao nosso lado, pois enquanto o fotografo que usava película e filme P&B tinha de analizar mentalmente o efeito dos filtros coloridos nas imagens, e esperar o momento da revelação para ver o resultado, o fotógrafo digital pode experimentar com os filtros e analisar os resultados em tempos real.

    Mas não se engane, pois o processo criativo, o conhecimento, e o “tato” do fotógrafo é muito importante aqui, e não existe “receita de bolo”, cada resultado é consequência das escolhas do fotógrafo ao tratar a imagem, e cada fotógrafo pode ter uma aproximação completamente diferente.

    Nesta sessão você terá a opção de filtrar ou enfatizar os canais de cores da imagem (Vermelho, Laranja, Amarelo, Verde, Aqua (Ciano), Azul, Púrpura e Magenta). A medida que você sobe uma das barras, todas as àreas que possuiam uma certa quantidade daquela cor clareiam, aproximando-se do branco, ao reduzir, as áreas escurecem aproximando-se do preto.

    Qual a principal razão de se fazer isto? Diversas cores que existem na sua imagem possuem luminosidade semelhante, então detalhes que existem nas imagens coloridas podem sumir ao converter a mesma para P&B. Imagine um vestido verde, estampado em flores vermelhas com a mesma luminosidade… as flores irão aparecer na imagem colorida, mas ao se convertar para P&B elas sumirão do vestido. Utilizamos filtros coloridos, ou mixagem de cores, para recuperar estes detalhes.

    Você poderá passar muito tempo nesta região do Lightroom para se converter imagens para P&B, subindo e descendo cada um dos canais e verificando as áreas afetadas. Todas as opções são subjetivas à intenção da foto… é possível destacar o céu, um batom colorido, detalhes nas roupas e muito mais. Experimentação aqui, e ter uma idéia do objetivo desejado, são palavras de ordem.

    No estudo em questão:

    ORANGE e YELLOW: Reduzi um pouco estes canais, fazendo com que os detalhes da igreja sejam destacados sobre a parede branca da mesma.

    GREEN: A única área afetada por este canal eram pequenas concentrações de musgo na parede da igreja. Aumentei este canal fazendo com que estas áreas se aproximassem da luminosidade da parede da igreja, quase desaparecendo, mantando-se apenas o suficiente para não se perder a textura da parede.

    AQUA: Uma pequena área do sino (provavelmente áreas de cobre enferrujado) são afetadas por este canal. Estas são as áreas de highlight do sino (brilhos) então ajustei em 100% para destacar bem o volume do sino dentro da igreja.

    BLUE: Este canal afeta o céu como um todo. As núvens quase sumiam vão receber o destaque que merecem. Ajustei este canal para -25% de forma que o céu adquira um cinza que fique no meio termo entre os detalhes da igreja e o branco das nuvens, criando um bom contraste entre a igreja, o céu, e as nuvens. Se fosse meu desejo, em +100% o céu quase desaparece em branco, destacando totalmente a igreja (mas dando uma aparência irreal à foto).

    PURPLE: Afeta uma área mais escura do céu, a direita da imagem, então utilizei este canal para equilibrar a cor do céu e evitar um degradê pronunciado no mesmo.

    VERMELHO e MAGENTA: Não afetam esta imagem (mas serão muito úteis em fotos com pessoas, pois normalmente afetam a cor da pele em combinação com o orange e o yellow, e também em fotos com batons ou outros objetos vermelhos).

    Resultado:

    Clique na Imagem para Ampliar

    Clique na Imagem para Ampliar

    Compare com o resultado caso tivéssemos simplesmente dessaturado a imagem.

    Clique na imagem para ampliar.

    Clique na imagem para ampliar.

    Você pode ainda, para melhorar o resultado, utilizar um pouco de Sharpening para aumentar a nitidez da imagem, e aplicar um pouco de ruído para simular filme. Existe um plugin chamado Grain Surgery que permite aplicar Presets de ruídos que simulam diversos tipos de filmes característicos.
    Mas deixaremos isto para outro tutorial.

    Grande abraço para todos.

    h1

    Assinando Fotos em Lote com o Lightroom 2.0

    18/09/2008

    Primeiro o que vem primeiro. O Lightroom deveria, sem dúvida, possuir recursos que permitissem ao usuário adicionar moldura, informações e marca, em lote, nas fotos durante a importação. Você pode fazer isto (com opções bastante interessantes) para impressão e para slideshow, mas por algum motivo estranho, tudo o que pode fazer na exportação é adicionar seu próprio nome, com uma fonte padrão, no canto da imagem. O resultado é tenebroso.

    Para resolver este problema, um programador chamado Timothy Armes desenvolveu um plugin para o Lightroom 2.0 que permite utilizar um aplicativo externo chamado ImageMagick para adicionar marca, textos, molduras, e diversos outros recursos, durante a exportação no Lightroom. Mesmo que você configure o Lightroom para exportar em JPG, o plugin força, secretamente, o Lightroom a exportar um TIFF de alta qualidade, então aplica as alterações necessárias, e finalmente exporta o JPG. Tudo isto para evitar perdas adicionais na qualidade de imagem (que surgiriam com duas conversões seguidas para JPG).

    O plugin funciona no Lightroom como um plugin de pós-produção, e assim sendo ele pode ser combinado com outros plugins como, por exemplo, o plugin para exportação para o Flickr desenvolvido por Jeffrey Friedl.

    Vamos começar instalando os programas necessários para a funcionalidade do plugin.

    1 – Instale o Aplicativo Image Magick

    Caso você esteja utilizando XP ou Vista (não-64bits) utilize a versão 16-bits per pixel dynamic. A instalação é simples, bastando seguir as instruções na tela e dar OK. Para testar o aplicativo, abra o prompt do comando do Windows (executar: cmd.exe) e digite os seguintes comandos (dando “enter” após cada um deles):

    • convert logo: logo.gif
    • Identify logo.gif
    • imdisplay logo.gif

    Se o programa ativar após o último comando, mostrando a tela com a imagem, então o aplicativo foi corretamente instalado. O ImageMagick é um programa que executa alterações em imagens através de linha de comando. Ou seja, você executa uma linha de comando como, por exemplo, “convert -size 640×480 pattern:checkerboard checkerboard.png” e o programa executa automaticamente. No caso do comando apresentado ele gerará uma imagem chamada checkerboard.png, com base em um padrão quadriculado próprio dele, dentro da pasta ativa no prompt de comando.

    NÃO SE ASSUSTE! Você não precisará gerar linhas de comando complexas para adicionar bordas, informações, marca e tudo mais. É aqui que entra o plugin de pós-produção do Lightroom 2.0, que gera uma interface gráfica prática e funcional para as operações. Você só seleciona e configura o que quer, e o plugin gera a linha de comando necessária para fazer as transformações em sua imagem. Isto nos leva ao segundo passo.

    2 – Instalar o Plugin LR/Mogrify.

    Crie uma pasta em algum lugar (lembre-se dele depois), onde você colocará seus plugins do Lightroom 2.0, e coloque a pasta ‘LR2Mogrify.lrplugin’ que está dentro do arquivo compactado que você baixou dentro dela. Abra o Lightroom 2.0.

    Vá no menu FILE >> PLUGIN MANAGER. Isto abrirá a tela de gerenciamento de plugins do Lightroom. É uma boa conhecer esta tela, pois é nela que você irá gerenciar, instalar, atualizar e desinstalar os seus plugins. Agora, clique em ADD, e navegue até a pasta dos plugins que você criou, selecione a pasta ‘LR2Mogrify.lrplugin’, e clique em OPEN. Isto instalará o plugin no Lightroom. Caso o plugin esteja instalado corretamente, ele surgirá como está na imagem abaixo. Você pode utilizar o mesmo processo para instalar outros plugins no Lightroom, como o plugin de exportação para o Flickr já citado.

    tuto001_001

    clique para ampliar

    Agora que o plugin está operante, vá na tela de exportação do Lightroom, no menu FILE >> EXPORT, e os comandos do plugin devem surgir logo abaixo dos Presets de exportação, com o nome Post-Process Actions. Como está na imagem abaixo:

    tuto001_002

    clique para ampliar

    A primeira linha ‘LR2/Mogrify’ representa a pasta que contém todos os comandos do Mogrify, e por enquanto todas estão desativadas e não farão qualquer diferença em sua imagem (os comandos ativos possuem uma marcação à direita deles – na imagem acima estão ativos os quatro primeiros comandos).

    O primeiro comando que você deve ativar é o Mogrify Configuration, para tanto dê um duplo-clique sobre ele. Ativá-lo faz com que a marca apareça ao lado do comando, e na janela direita, onde você configura a exportação, surgirá, abaixo da sessão Metadata, e acima de Post-Processing, a opção Mogrify Configuration (todas as opções ativadas posteriormente também aparecerção nesta janela, abaixo de Mogrify Configuration). Abra as opções Mogrify Configuration clicando na seta a sua esquerda.

    tuto001_003

    clique para ampliar

    A única alteração que você fará na sessão configuração será clicar no botão CHOOSE ao lado de “Path of Mogrify Aplication” e indicar o arquivo mogrify.exe que está localizado na pasta aonde você instalou o aplicativo ImageMagick. Isto é necessário para que o plugin saiba onde se encontra o aplicativo.

    Daqui para frente você ativar e desativar todas as opções desejadas. Cada opção ativada surge como uma sessão na janela direita onde estarão as configurações desta opção (caso você desative todas as opções, o LR não utilizará o Mogrify para exportar as imagens). Vamos ver algumas sessões, e algumas de suas opções mais importantes.

    SESSÃO BORDER

    tuto001_004

    clique para ampliar

    Esta sessão controla as bordas criadas em sua imagem. O Mogrify cria as bordas de dentro para fora, a partir do tamanho escolhido para sua imagem no Lightroom, ou seja, se você gerar uma imagem com 800px de largura no Lightroom, e configurar uma borda de 10px no Mogrify, ela será exportada com largura de 810px no final.

    O programa permite a criação de até 5 bordas de dentro para fora. Você pode escolher o tamanho em pixels e a cor de cada uma delas. Com a combinação da imagem acima o programa gera uma pequena linha branca de 2 pixels ao redor da imagem, seguida de uma borda preta mais grossa (20px) e então um contorno branco. Caso você deixe o campo da altura (height) vazio, o programa assume que a altura tem o mesmo tamanho da largura.

    SESSÃO GRAPHIC WATERMARK

    tuto001_005

    clique para ampliar

    Esta é a sessão que permite que você adicione sua marca em todas as suas fotos, a marca precisa estar em um formato de imagem (JPG, TIFF, GIF, PNG e etc.) e aceita canal alpha (transparência). Você selecinoa o arquivo que será utilizado clicando em CHOOSE, ao lado de “Path of watermark image:”. Algumas opções importantes desta sessão:

    – Overlay watermark: Esta opção ativa ou desativa a colocação da marca.

    Before border is applied: Esta é uma opção interessante, pois indica se a marca será aplicada antes ou depois da borda ser aplicada. Se você deseja aplicar a marca na borda, e não sobre a imagem, é necessário que esta opção esteja desabilitata. Caso a marca vá ficar sobre a imagem, é melhor habilitá-la, pois facilita o posicionamento (você não precisa somar os pixels da borda no posicionamento).

    – Resize Watermark: Ajusta o tamanho de sua marca, na altura e na largura.

    – Position: Identifica que borda da imagem será utilizada como referência para o seu posicionamento.

    – Inset: A distância, em pixels, entre o pixel mais próximo da marca e a borda/canto que você indicou como referência em Position.

    – Overlay Mode: Indica o modo de mistura das cores utilizado na sua marca. Funciona da mesma forma que os blending modes da paleta Layer do Photoshop.

    SESSÃO TEXT ANOTATION

    tuto001_006

    clique para ampliar

    Esta sessão permite que você adicione um texto à imagem. Este texto pode ser algo escrito por você (uma frase, seu endereço ou telefone), algo copiado das informações da imagem (EXIF, IPTC e etc) ou uma mistura de ambos. Assim como na marca, você tem diversas opções de configuração de posicionamento.

    – Add Text Annotation: Define se você irá utilizar ou não a inclusão de texto na imagem.

    – Before border is applied: Faz o mesmo que a opção homônima na colocação da marca. Neste caso eu prefiro deixar esta opção desativada, de forma que eu possa posicionar o texto sobre a borda, e não sobre a image.

    – Font Name: É a fonte que será utilizada para escrever o texto. O botão Refresh Font List faz com que o aplicativo atualize a lista de fontes que estão instaladas. Caso seu texto não apareça na imagem, troque a fonte utilizada. O plugin possui incompatibilidade com algumas fontes.

    – Size/Colour/Opacity: Define o tamanho do texto, em pixels de altura, a cor e a transparência/opacidade do mesmo. Controlar o tamanho em pixels do texto é útil para posicioná-lo de forma correta. Se você o quiser sobre a borda que criou na sessão Border, basta lembrar de fazer o texto pouco menor do que a borda que criou.

    – Solid background/Colour/Opacity: Define o uso, ou não, de um fundo sólido abaixo do texto, bem como sua cor e opacidade. É útil quando se coloca o texto sobre a foto, e não sobre a borda, para evitar que o texto desapareça (Mas fica tenebroso. Seja bonzinho com sua foto e coloque o texto na borda, ok?)

    – A/A (de lado): Define a orientação do texto na horizontal ou vertical.

    – Horizontal/Vertical Inset/Position: Assim como na marca, a combinação destes fatores é que orienta o posicionamento do texto. É uma boa aqui lembrar de quantos pixels você deixou de borda para acertar o posicionamento. Por exemplo, eu coloquei a referência no canto interior direito (para ficar no lado oposto ao da marca) e apliquei um inset de 23px na horizontal e 4 na vertical. Os 4 verticais servem para cruzar o 1 px da primeira borda, e avançar +3 px dentro da borda negra (como a fonte tem 10px de altura, +3 px na base, sobram 7 pixels até o topo da borda de 20 pixels de altura). Os 23px horizontais serviram para afastar o texto da margem direita alinhando-o com a borda direita da foto.

    É combinando estes elementos: tamanho da borda, tamanho do texto, inset, âncoras e etc, que você poderá posicionar com precisão os elementos da sua imagem.

    Define your text: Obviamente, é aqui que você digita seu texto. Você pode digitar o texto manualmente e utilizar os botões abaixo. O plugin utiliza TAG (etiquetas) entre chaves “{}” para definir informações recuperadas da imagem, quebra de linha e tabulação. Add new line (ou a tag {return}) cria uma nova linha de texto. Add a tab (ou a tag {tab}) inclui uma tabulação, o que é ótimo para alinhas elementos da linha superior com a linha inferior. Add Token é o mais interessante, pois abre um nenu onde você opta por gerar tags que irão, na conversão, serem substituidas por informações da imagem. Você escolhe a fonte da informação (EXIF, IPTC e etc) e a informação desejada, e o programa irá gerar uma tag para você no texto (você pode mudar a tag de posição, misturar ela com textos e etc, mas não pode alterar as chaves nem nada que esteja dentro dela, caso contrário ela não funciona).

    A texto que se encontra na imagem acima gera um texto similar a:
    Shutter: 1/800 – Aperture: f/8 – ISO 200 – Comp.: 0EV

    Estas são as opções que utilizei do Mogrify, pois ao meu ver as outras opções refletem coisas que o Lightroom já faz por sí só. O plug-in foi criado antes do Lightroom 2.0, por isto diversos recursos que surgiram com a nova versão do programa tornaram alguns recursos do plugin redundantes. São eles:

    RESIZE PHOTO: Ajusta o tamanho da imagem, com opção de não ampliar caso seja menor, ou não diminuir caso seja maior, e diversos algorítimos de redução/ampliação.

    SHARPENING: Aumenta a nitidez da imagem. Se tornou inútil depois que a Adobe adicionou este recurso, com diversas opções, dentro do sistema de exportação do LR 2.0.

    COLOUR SPACE: Permite adequar a imagem à um espaço de cor utilizando um perfil ICC (perfil voltado ao dispositivo).

    COLOURS PROCESSING: Permite o aumento da saturação e brilho das cores. Também é redundante com as opções do próprio Lightroom, a não ser que você esteja exportando para algum dispositivo que precise de compensação específica de brilho/saturação.

    OBS.: O plugin possui uma limitação de 10 imagens por lote. O criador pede uma contribuição ínfima, via PayPal para liberar o plugin sem limitações. O plugin não possui um preço, e ele aceita qualquer quantia que você queira doar. É um pedido justo, partindo-se do pressuposto que o plugin é bem completo, funciona bem, e a versão free dele possui todas as funcionalidade. Caso você queira colaborar com o desenvolvedor e adquirir a versão ilimitada do plugin, visite o site dele e clique no botão do PayPal.

    Como o plugin funciona em conjunto com o plugin que exporta imagens para o Flickr, tenho o utilizado para gerar uma imagem com moldura, assinatura e dados da imagem rapidamente para o Flickr, sem ter de levar a imagem ao Photoshop (e gerar uma nova cópia dela) e nem mesmo precisando colher os dados do EXIF da imagem para digitá-los.

    Para finalizar, uma imagem com marca, moldura e texto aplicados através do plugin Mogrify. Clique na imagem para ampliar e visitar o meu Flickr. Grande abraço para todos.

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