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Lomografia Digital

07/01/2009

O termo lomografia surgiu do termo registrado Lomographische AG, da Áustria, para produtos e serviços relacionados à fotografia. O nome inspirou a empresa óptica LOMO PLC de São Petesburgo, Rússia, que desenvolveu a câmera compacta de 35mm LOMO LC-A. As características das fotos desta câmera inspiraram o tipo de imagem que hoje é considerado Lomografia, oferecendo fotos com tonalidade e saturação de cor características e suaves. Diversas câmeras são utilizadas, atualmente, para produzir a chamada Lomografia, que enfatiza fotos casuais, suavemente borradas e “acidentes felizes”. A lomografia presume espontaneidade sobre a técnica formal, câmeras típicas voltadas para lomografia são deliberadamente simples e mal construidas, algumas exibindo distorções cromáticas, vazamento de luz e fortes distorções ópticas.

Na fotografia de película a lomografia pode ser simulada através do processo de processamento cruzado (cross-process), no qual um slide é revelado através do processo químico de película ou vice-versa. No universo da fotografia digital existem diversos métodos para simular os efeitos da lomografia, que variam de acordo com o gosto de cada um, e neste artigo veremos um deles.

Então, mãos na massa. Escolha uma foto cotidiana, com cores bacanas, tirada de forma espontânea e que, de preferência, envolva pessoas na cena. Claro, a foto fica a seu critério, mas já que iremos simular o visual da lomografia, nada como fazê-lo em uma foto que siga suas ideologias. Eu escolhi a foto abaixo, com meu pai e meu irmão mais novo dormindo aconchegados em uma rede de balanço.

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O primeiro passo seria dar um tratamento na imagem. Corrigir brancos, acertar sombras e altas luzes caso necessário. Como a imagem acima saiu do meu arquivo pessoal, ela já está tratada, mas caso você tenha feito uma captura própria para lomografia, não exagere no tratamento, pois um pouco de brancos estourados ou pretos fortes também dão um charme na lomografia.

Comece duplicando a layer BACKGROUND com a imagem e ocultando a original clicando no ícone em forma de um olho ao lado da miniatura da imagem no painel LAYERS. Mais tarde precisaremos da imagem original para determinado efeito, e ter a imagem original também nos possibilita corrigir qualquer erro durante o processo.

O primeiro passo na lomografia é criar seu padrão de cores distorcido, e fazemos isto aumentando o contraste dos canais Red (vermelho) e Green (verde) da imagem RGB. Para fazer isto, clique na aba CHANNELS (que fica ao lado da aba LAYERS na configuração padrão do Photoshop) para visualizar os canais de cores, clique no canal RED e a imagem ficará em tons de cinza, mostrando apenas os valores para o canal RED (branco para vermelho total, e preto para a ausência total de vermelho). Com o canal selecionado, você pode manipulá-lo como faria com qualquer imagem PB, e o que faremos aqui é ir ao menu IMAGE >> ADJUSTMENT >> BRIGHTNESS/CONTRAST para abrir o diálogo. No diálogo, certifique-se de que a opção “USE LEGACY” (caso presente) esteja desabilitada e aumente a opção CONTRAST para 90 (você pode variar o número aqui, mas 90 é um bom ponto de partida). Percebe que o contraste da imagem em tons de cinza aumentou, clique OK.

Agora, ainda na aba CHANNELS, escolha o canal GREEN e repita o processo, aumentando o contraste do canal verde para 90 (ou a mesma quantia utilizada no canal RED). Após clicar OK, clique na opção RGB na aba CHANNELS para selecionar novamente todos os canais (Red, Green e Blue) e ver como a sua imagem já adquiriu a tonalidade distorcida característica de cores.

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Agora duplique a layer onde o contraste foi aplicado (esta com as cores distorcidas), com a layer duplicata selecionada pressione CTRL+SHIFT+U para dessaturar a imagem ou vá em IMAGE >> ADJUSTMENT >> DESATURATE. A imagem ficará em tons de cinza, nela aplique FILTER >> BLUR >> GAUSSIAN BLUR com cerca de 25 pixels em RADIUS. Finalmente, na parte superior esquerda do painel LAYERS está um menu sem rótulo (com a opção NORMAL selecionada) que chamamos de BLENDING MODE (modo de mistura), altere este menu para a opção OVERLAY. Caso o efeito fique muito forte, reduza a OPACITY desta layer para suavizar. Aqui eu reduzi para 40%, o que me deu mais contraste nas cores e também um visual levemente mais suave.

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Você pode ficar contente neste ponto e dar por fim sua lomografia, mas para efeitos de experimentação vamos um pouco mais a diante. Mas, para seguir, abra a aba HISTORY do Photoshop (caso não esteja visível, vá em WINDOW >> HISTORY) e clique no botão CREATE NEW SNAPSHOT na parte inferior do painel. Isto cria um “retrato” do estado atual da imagem, para onde você pode retornar caso deseje.

Feito isto, vamos clarear um pouco a imagem, pois isto irá destacar nossos passos finais na lomografia. Para tanto, é necessário unir as layers da lomografia, deixando separada apenas a layer com a imagem original. Selecione a layers colorida com as cores contrastadas e, segurando a tecla CONTROL clique na layer em tons de cinza para selecionar ambas. Com as duas selecionadas, pressione CTRL+E para mesclar as duas layers em uma só.

Isto feito, com esta layer mesclada selecionada, vá em IMAGE >> ADJUSTMENT >> CURVES para abrir o diálogo curves. No diálogo há um gráfico. Clique no meio do gráfico para criar um novo ponto e puxe-o para cima, criando uma curva, isto fará com que a imagem seja clareada em seus meio tons, suavizando um pouco a imagem. Abaixo você pode ver a curva que utilizei para a imagem:

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E logo abaixo a imagem com o efeito da curva aplicado, ou seja, mais clara.

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Clareamos a imagem porque agora utilizaremos um efeito muito utilizado para simular desenho manual para destacar as bordas dos elementos da foto, e este efeito ficará mais visível com a imagem clareada. Agora utilizaremos também aquela layer com a imagem original, então revele a layer clicando novamente na área onde estava o ícone do olho ao lado da miniatura no painel LAYERS, duplique-a, e arraste-a para o topo de pilha de layers. Sua imagem ficará como estava originalmente, pois a layer do topo possui a imagem original.

Com esta layer do topo (original) selecionada, pressione CTRL+SHIFT+U para dessaturar a imagem, tornando-a PB. Duplique esta layer com a imagem PB e, com esta layer duplicada selecionada, pressione CTRL+I (ou então vá em IMAGE >> ADJUSTMENT >> INVERT) para inverter as cores da imagem, como em um negativo. Sua imagem ficará como está abaixo:

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Repare também na estrutura das layers no painel LAYERS, renomeadas para facilitar o entendimento:

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Agora altere o BLENDING MODE, no menu no canto superior esquerdo do painel LAYERS, desta layer invertida para COLOR DODGE. Isto fará com que sua imagem fique toda branca, apenas algumas manchas pretas caso a imagem original possua muitas áreas de preto estourado. Feito isto, ainda com esta layer selecionada, aplique FILTER >> BLUR >> GAUSSIAN BLUR, com o RADIUS em torno de 20 pixels (você pode variar, o importante é ter um ‘desenho’ bem visível de sua imagem). Clique OK.

Agora segure a tecla CONTROL e clique na layer ORIGINAL PB para selecionar ambas as layers que compõe a imagem desenhada. Pressione CONTROL+E para mesclar as duas layers em uma só e altere o BLENDING MODE desta nova layer para MULTIPLY. Isto fará com que a sua imagem lomo fique visível novamente, mas com as bordas pretas reforçadas pelo desenho, como na imagem abaixo.

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Eu gostei do resultado como está, mas você pode experimentar reduzir a opacidade da layer com o Multiply para suavizar as bordas, ou utilizar o diálogo IMAGE >> ADJUSTMENT >> LEVELS para aumentar o contraste desta layer e reforçar ainda mais as bordas pretas.

Um último passo interessante seria a adição de ruído à sua imagem, simulando o ruído característico dos filmes. Para tanto, você precisa mesclar todas as suas layers em uma única layer, e isto pode ser feito no menu LAYER >> FLATTEN IMAGE. A forma mais fácil de produzir este ruído seria utilizando um plugin chamado GRAIN SURGERY que é especializado em simular o ruído de diversos filmes de película. Mas uma forma de simular o efeito é utilizando o filtro ADD NOISE com as configurações MONOCHROME e UNIFORM.

VARIAÇÃO: Uma variação do efeito lomográfico pode ser obtida utilizando-se a opção USE LEGACY no diálogo CONTRAST na hora de aumentar o contraste dos canais REG e GREEN. Mas como esta opção força demais o contraste, recomendo utilizar uma quantidade menor, em torno de 50% de contraste, para o resultado obtido abaixo:

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Espero que tenham curtido o tutorial, quem visita o meu Flickr sabe que gosto muito, principalmente para alguns retratos, das cores características da lomografia, como pode ser visto em algumas fotos:

7SFGF - Passeio na Lagoa

Valentine's - 02

 5SFGF - Paula 

'Indaial' Jones 

Pescador

Um grande abraço para todos.

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National Geographic e Manipulação Digital 2

17/12/2008

Justiça seja feita. Após aparecer no PhotoshopDisasters, e aqui no meu blog, a foto do indiano Shibnath Basu foi removida da lista de fotos concorrentes à premiação de 2008 (reader’s choice) até que o mesmo possa apresentar o negativo original da foto (visto que, segundo o site dele, a foto foi capturada com câmera de película).

A National Geographic comentou o incidente neste link.

Os vencedores são apresentados amanhã e, graças a um esforço vindo de diversas partes da internet (através de e-mails e mensagens para a NatGeo), será muito mais justo com os fotógrafos participantes.

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National Geographic e Manipulação Digital

15/12/2008

Eu sempre gosto de diferenciar. Tratamento é quando você ajusta a curva tonal, altas luzes, sombras, saturação e demais características de sua imagem, tornando-a mais bonita, sem que isto distorça a imagem que existe nela. Quando você começa a remover ou colocar elementos, você entra no campo da manipulação digital… sua foto se afasta da realidade e se aproxima de algo diferente. Não tenho nada contra manipulação digital, inclusive trabalho com isto diariamente. Só acho que tem hora e tem lugar.

Quando você trabalha com fotojornalismo, manipulação digital é algo extremamente anti-ético, pois as pessoas que vêem uma foto de fotojornalismo partem do pressuposto que ela não seja manipulada, e que o conteúdo dela seja uma parcela da realidade.

O mesmo acontece quando leio uma publicação como a National Geographic. Uma revista que visa ilustrar o mundo ao nosso redor, suas paisagens, sua beleza, suas cores e suas mais variadas culturas, nos fazem partir da suposição de que suas imagens são uma parcela da realidade daquele ambiente.

A foto abaixo foi capturada pelo fotógrafo Shibnath Basu, da Índia, e foi uma das fotos selecionadas pelos leitores da revista para a premiação fotográfica de 2008. Para visualizar a premiação você pode visitar este link, e selecionar a opção English Edition Viewer’s Choise no menu. O regulamento do concurso, visível neste link, especifica a proibição da manipulação da imagem. Tratamento é permitido.

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Para muitos dos meus alunos de Photoshop eu sempre falei: “mais importante que saber utilizar a ferramenta para manipular imagens, é importante ter conhecimento de desenho, e uma noção firme de como as coisas funcionam.” Noções do comportamento da luz, de reflexos e de perspectiva são fundamentais a quem quer trabalhar com manipulação digital.

A foto acima tem dois erros básicos. Primeiro, o reflexo das nuvens na água não faz sentido algum. Imagens refletidas são o inverso da imagem real, como em um espelho. Outro problema é o fato de que as distorções criadas pelas ondulações na água não aferam as ondas, e deveriam afetá-las.

Rapidamente, sem muita presunção, simulei no Photoshop como deveria se parecer os reflexos das nuvens na água.

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Os reflexos dos barcos não estão corretos, nem as ondulações na água, mas fiz isto apenas para ilustrar a idéia do reflexo.

Nada contra a imagem ou seu fotógrafo, a imagem é linda. Mas quando ela sai na National Geographic, com a legenda dizendo onde foi tirada e sem esclarecer a manipulação, leva o leitor ao engano de achar que a foto reflete a realidade do local. O mais engraçado é imaginar que nenhum editor da National Geographic tenha percebido a manipulação.

Infelizmente, a manipulação de imagem tem ficado mais comum no fotojornalismo do que deveria ser.

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Lightroom: Modificações Localizadas

21/10/2008

Quem utilizou a versão anterior do Lightroom deve ter convivido com o fato de ser quase obrigatório, para um serviço completo de tratamento de imagem, utilizar o Photoshop como parte do processo. Isto era verdade principalmente quando se tratava de retratos femininos… aqueles que exigem retoques para tirar manchas, suavizar a pele e etc.

Isto se devia ao fato de todas as alterações feitas no Lightroom serem globais, ou seja, serem aplicadas na foto como um todo. As vezes era simples fazer uma modificação localizada, como saturar o vermelho para destacar o batom de uma modelo, mas isto seria um problema caso ela estivesse com um vestido vermelho, ou existissem objetos vermelhos no cenário, pois tudo seria saturado junto.

Com o Lightroom 2 a Adobe resolveu acabar com este problema e tornar o Lightroom uma ferramenta bastante independente. Claro que você ainda precisa do Photoshop para converter uma imagem para CMYK, fazer montagem e aplicar filtros exóticos, mas isto é alçada do designer gráfico ou do arte finalista, pois todo o tratamento fotográfico que é de responsabilidade do fotógrafo está disponível no Lightroom 2, de forma que estes profissionais podem viver apenas com este programa (que além de tratarem suas fotos ainda auxiliam na organização, busca, gerenciamento e etc.).

A solução para o problema que mencionamos veio na forma das modificações localizadas, tornadas possível pela ferramenta Adjustment Brush (Pincel de Ajustes). Localizada logo abaixo do histograma, no módulo Develop. Aquela que parece um palito de fósforo.

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Clicar neste ícone marcado em vermelho faz com que se abra, abaixo dele, toda a seção de ferramentas do Adjustment Brush.

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É nesta seção que você irá colocar o Adjustment Brush para funcionar. Mas antes precisamos compreender como esta ferramenta funciona. A priori, ela funciona como um pincel que desenha (pinta) uma máscara na tela, e então aplica determinados efeitos apenas na região mascarada. Como tudo no Lightroom, tanto a máscara quanto o efeito aplicado pelo Adjustment Brush é dinâmico e não destrutivo, podendo ser alterado a qualquer momento.

O Adjustment Brush permite que você crie várias máscaras para aplicar diversos ajustes diferentes, ou então que aplique diversos ajustes diferentes na mesma máscara. Ele ainda permite que você crie pré-definições de ajustes para aplicar de uma só vez, como uma combinação de Brightness, Saturation, Clarity e Sharpness para clarear olhos, e então salvar esta combinação para usos posteriores (o Lightroom já acompanha uma pré-definição desta, criada para suavizar a pele). E você ainda poderá controlar todo o efeito desta combinação de modificações com um único deslizante.

Para falarmos um pouco mais da ferramenta Adjustment Brush, vamos começar com uma foto do meu lindo afilhado, que andou ralando o nariz na escolinha.

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Vamos começar o processo limpando a pequena ferida sobre o nariz dele, bem como a marca abaixo do olho esquerdo. Normalmente isto seria feito no Photoshop, com a ferramenta Healing, mas no Lightroom 2 podemos fazer correções simples, não destrutivas, diretamente no programa.

Vamos começar selecionando a ferramenta Spot Removal (N), que está próxima do Adjustment Brush, se parece com o símbolo que identifica o sexo masculino, e abre uma seção de opções similar à que vimos anteriormente, só que mais simples.

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As únicas opções que você tem nesta seção são:

Modo da Clonagem: Clone assemelha-se à Clone Tool do Photoshop, copiando plenamente de uma área para outra na imagem. Já Heal executa um processo similar à Healing Tool do Photoshop, suavizando a relação entre a área clonada e a já existente naquele ponto.

Size: Tamanho do ponto a ser clonado. Este tamanho também pode ser ajustado com as teclas de atalho [ e ] (colchetes). Não chamamos o cursor do Spot Removal de pincel porque ele não funciona desta forma. Diferente de um pincel, que você pode clicar e arrastar para pintar, a ferramenta Spot Removal funciona clonando um ponto exato sobre outro ponto, na forma do cursor. Você compreenderá melhor o processo abaixo.

Opacity: Define a opacidade do ponto clonado.

Todas estas opções são dinâmicas e podem ser alteradas depois da ferramenta ser aplicada na imagem. Você pode remover uma mancha da imagem, e então depois decidir se ela fica melhor com Heal ou Clone, ou então alterar o tamanho da área afetada, opacidade e etc.

Para começar, coloque o cursor (sem clicar) sobre a mancha que desejamos remover, e ajuste o tamanho do cursor utilizando as teclas de colchetes. Mantenha as outras opções em Heal e a Opacity em 100%.

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Quando o tamanho estiver definido (lembre-se de que isto tudo pode ser alterado posteriormente), clique sobre o ponto sobre o qual deseja clonar, e arraste o cursor para a área que deseja que seja clonada sobre o ponto. Aqui clicamos e subirmos o cursor para um ponto de pele de tonalidade e textura similares. O Lightroom atualizada a imagem constantemente, e isto auxilia no processo de escolher o ponto ideal.

Isto faz com que o Lightroom mostre dois círculos na imagem, o mais claro, com o + dentro, indica o ponto sobre o qual a clonagem aconteceu, enquanto o mais escuro, sem o + dentro, indica o ponto que foi utilizado como fonte para a clonagem, ou então o Lightroom mostra os dois círculos com uma seta apontando de que ponto para qual ponto ocorreu a clonagem. Para visualizar a imagem sem os indicadores, clique no ícone da ferramenta Spot Removal para de-seleciona-la, assim os indicadores desaparecem.

Veja a imagem com os indicadores:

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E sem os indicadores:

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Agora é só selecionar a ferramenta Spot Removal novamente (caso você a tenha de-selecionado para verificar a imagem sem os indicadores) e fazer o mesmo com a mancha abaixo do olho esquerdo. Ao se fazer isto o indicador da primeira clonagem se torna apenas um círculo cinza, indicando o ponto onde a clonagem aconteceu.

Assim que se diferencia os pontos de clonagem. O ponto selecionado, ativo, cujo opções estão na seção de opção é aquele que está mostrado em forma de dois círculos e seta (ou sinal de adição). Para selecionar outro ponto, basta clicar sobre o círculo cinza, assim ele se torna o ponto ativo (e os dois pontos de clonagem dele aparecem), e as opções surgem na seção de opções.

Você pode selecionar qualquer um dos pontos e alterar as opções enquanto observa, em tempo real, as modificações na imagem.

Alguns pontos, como linhas (como o arranhão na ponta do nariz), podem exigir várias aplicações de pequenos pontos, ao invés de uma única aplicação grande. Tudo vai depender de suas escolhas de situação para situação.

Uma vez que você tenha terminado de remover os pontos desejados, basta desativar a ferramenta Spot Removal. Lembre-se de que as alterações ficam registradas no Lightroom, e não na imagem. A qualquer momento você pode voltar na ferramenta e alterar os pontos de clonagem, as opções, e até mesmo desfazer tudo e recuperar a imagem original.

Agora que removemos alguns pontos problemáticos, vamos fazer os ajustes localizados. A começar por suavizar a pele da criança. Vamos selecionar a ferramenta Adjustment Brush, e como ainda não temos nenhuma máscara nem precisaremos clicar na opção New.

Vamos, inicialmente, compreender as opções desta seção (sim, a imagem abaixo é a mesma que está lá em cima, só a repeti aqui para facilitar a visualização durante esta parte do processo):

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As opções ao lado de Mask, New | Edit, são mais constatações do que opções. Se você não tem nenhuma máscara, o New estará selecionado automaticamente. A partir do momento que você começa uma máscara ele automaticamente muda para Edit pois você estará editando a máscara já existente. Para começar uma nova máscara clique em New novamente. Para editar uma máscara já existente, clique na âncora da máscara sobre a imagem. Âncora é o ponto onde você começou uma máscara, e é definida na tela por um círculo cinza quando não está selecionada, e um círculo com um ponto preto ao ser selecionada (e estar ativa).

Veja, respectivamente, uma âncora selecionada e não selecionada:

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Além de serem um ponto clicável para se selecionar uma máscara específica, as âncoras também possuem outras funções. Primeiro, quando o mouse está sobre uma âncora selecionada ele se converte em duas setas, indicando que se você clicar naquele ponto e arrastar para um dos lados, você alterará positiva ou negativamente a quantidade do efeito aplicado naquela âncora. Adicionalmente, quando se deixa o cursor do mouse sobre a âncora, automaticamente o Lightroom apresenta, destacado em vermelho, a área onde a máscara foi aplicada, o que é muito útil quando se quer verificar a aplicação de um efeito muito sutil.

A cor da área mascarada por ser alterada com o atalho Shift-O, variando entre vermelho, verde, branco e preto. Isto pode ser útil quando a cor da área aplicada é igual à cor da máscara.

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Logo abaixo temos o menu pop-up Effect, que por padrão vem selecionado em Exposure. Neste menu encontramos todas as alterações que podem ser executadas de forma localizada. Abaixo do primeiro divisor se encontram as pré-definições (o Lightroom oferece, inicialmente, apenas a pré-definição Soft Skin), e abaixo da segunda divisão a opção Save Current Settings as New Preset, que permite que você salve as configurações atuais como uma nova pré-definição.

O interruptor ao lado deste menu altera a forma de visualização do efeito a ser aplicado. Quando ele está para a esquerda você vê apenas o deslizante de quantidade do efeito selecionado (Amount), e as alterações envolvidas no efeito estão listadas abaixo com sinais de adição e subtração, que indicam a influência positiva ou negativa deste item no efeito geral. Isto não faz muita diferença quando se escolhe modificações únicas como Exposure, Sharpness e etc… mas faz toda a diferença quando se seleciona uma pré-definição.

Veja que ao selecionar Soft Skin no menu, os itens Clarity e Sharpness recebem modificadores negativos e positivos, respectivamente. Isto significa que a pré-definição Soft Skin irá alterar a Clarity e Sharpness da foto sob a máscara. Alterar o deslizante Amount desta opção irá reduzir a influência de ambos os itens na imagem.

Clique no interruptor agora, para ver a diferença. Os itens desaparecem, bem como o deslizante Amount. Ao invés disto, você visualiza todas as opções em forma de deslizantes (perceba o modificador negativo de –100 em Clarity, e positivo de 25 em Sharpness). Assim você pode alterar separadamente cada alteração que compõe a pré-definição, ao invés de utilizar o Amount para afetar o efeito como um todo. Clique novamente no interruptor para voltar ao modo normal.

Abaixo dos itens você tem a opção Color, que aplica uma cor sobre sua imagem. Caso você crie uma pré-definição e não deseja que ela altere as cores da imagem, simplesmente deixe a opção Color com saturação 0%.

Abaixo destas temos a sessão Brush que não é nada mais que a definição dos atributos do pincel com o qual você pintará a máscara de efeito.

Os atributos dos pincéis são:

SIZE: O tamanho do pincel (representado pelo círculo branco menor do cursor).

FEATHER: Suavidade do pincel (área além do tamanho dele que será afetada com intensidade progressivamente menor – representada pelo círculo cinza maior do cursor).

FLOW: A liberação de “tinta” do pincel. Quanto menor o Flow, mais vezes o pincel terá de passar sobre a mesma área para elevar a densidade da máscara. Em 100% o mínimo clique já aplicará a intensidade máxima da máscara.

AUTO MASK: Evita que o pincel pinte em área de cor muito diferente. Com o auto mask ativo, caso o centro do pincel esteja em uma área de determinada cor, e sua periferia sobre uma área de cor muito diferente, a área de cor diferente não será afetada. É ótimo para se pintar margens entre os objetos, sem afetar um deles.

DENSITY: Opacidade do pincel. A área pintada receberá uma máscara de opacidade igual ao Density. Quanto menor o Density, menor o efeito naquela área.

Você deve estar se perguntando a razão de eu ter ignorado aquele A | B | Erase lá em cima, né? Eu não ignorei não, é que é mais fácil compreender estas opções depois de entender a configuração dos pincéis.

A e B são duas opções diferentes de pincéis que você pode configurar. Selecione A e altere as opções dos pincéis, e as opções ficam registradas no pincel A. Agora mude para B e crie novas opções, e estas ficarão registradas no pincel B. Assim você pode alternar rapidamente entre os pincéis utilizando o atalho “/

Minha recomendação é criar um pincel suave como A e outro duro como B, e então alternar entre ambos com o atalho “/”. O tamanho você pode controlar com os colchetes “[“ e “]”, e para apagar um pedaço da máscara basta apertar “ALT” para ativar a borracha. Enquanto você pinta, pode pressionar a Barra de Espaço para converter o cursor em uma mãozinha, para clicar e arrastar a imagem.

Vamos ao trabalho, então, selecionando a opção Soft Skin (suavizar pele) no menu pop-up Effect. Deixe o Amount em 100% por enquanto, para aplicar o máximo de suavização (facilitando a visualização do efeito). Caso, depois de aplicado, acharmos que foi exagerado, podemos reduzir o efeito.

Com um pincel suave (Feather alto) comece a pintar a pele do retratado. Tome cuidado (aumente e reduza o tamanho do pincel conforme necessário) para não afetar áreas que precisem manter a nitidez, como sobrancelhas, boca, olhos e etc. Deixe o cursor sobre a âncora da máscara para visualizar as áreas afetadas.

Após aplicar a máscara como desejado, você pode reduzir o deslizante Amount do efeito caso ache o efeito forte demais (no meu caso, achei que o efeito afetou demais as altas-luzes da pele, então reduzi-o para 50%). E a qualquer momento você pode apertar no botão “Y|Y” abaixo da imagem para visualizar um “antes e depois” da imagem. Clique no botão com dois quadrados inscritos para retornar à visualização normal.

Clique na imagem abaixo para ver o antes e depois do efeito aplicado, ainda com o Amount em 100%.

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Satisfeito com a pele, clicamos no botão NEW para adicionarmos uma nova máscara. Isto faz com que a âncora da máscara Soft Skin se torne um circulo cinza, indicando que não é mais ela a máscara ativa.

Agora selecione Brightness no menu, e clique no interruptor para abrir todos os deslizantes, pois iremos criar uma nova combinação de efeitos, para clarear os olhos.

Aplique nos deslizantes a seguinte combinação.

Brightness (32); Saturation (-64); Clarity (-45). O resto deixe em 0. Agora basta pintar a nova máscara sobre o olho (perceba que uma nova âncora será criada) para clareá-lo. Clique no interruptor do menu para retornar ao deslizante básico Amount, assim você pode, depois de aplicar a máscara, reduzir a intensidade do efeito como um todo caso ache-o exagerado.

Se você tiver gostado do efeito, clique no menu Effect (onde agora deve estar escrito Custom) e selecione Save Current Setting as Preset, e dê um nome a esta nova pré-definição (Olhos Claros é um bom nome, não?). A pré-definição irá aparecer sempre, daqui para frente, neste menu.

Se você estiver tratando fotos femininas, uma boa opção é tornar os lábios mais vermelho. Faça isto criando uma nova máscara (clique em New), selecionando qualquer opção (que não seja pré-definição) no menu e clicando no interruptor para abrir os deslizantes. Aplique as seguintes configurações.

Saturation (14); Clarity (48); Sharpness (32). Então clique no quadrado Color e aplique H: 0º e S: 17% (basta clicar no número ao lado das letras, na parte de baixo do Color picker, e digitar o número desejado).

Agora basta pintar esta máscara sobre os lábios do retratado.

Com estas ferramentas você pode tratar diversas imagens sem nem mesmo levar ao Photoshop. Com os efeitos certos você pode simular a aplicação das ferramentas Dodge (Exposure positivo), Burn (Exposure negativo), fazer cut-outs (Saturation –100), ou até mesmo detalhes em sépia ou fundos coloridos (utilizando a Color).  São diversas opções criativas sem nem mesmo tirar a foto do Lightroom, e todas não destrutivas. Para fotógrafos (que não sejam manipuladores extremos de imagens, fazendo montagens e etc) o Photoshop se torna até dispensável.

Como uma última dica, você pode pressionar a tecla “H” a qualquer momento, enquanto está na ferramenta Adjustment Brush ou Spot Removal para esconder os indicadores e âncoras. Pressione novamente para retorná-los.

Abaixo, uma imagem da minha namorada (ela vai me odiar por isto, rssss), tratada sem a necessidade de recorrer ao Photoshop. Clique para ampliar a imagem.

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Grande abraço para todos. E não deixem de comentar.