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Harvey Dent: O Duas-Caras

01/09/2008

Conforme prometido, aqui segue o texto que escrevi sobre o Harvey Dent: O Duas-Caras, do filme Batman: Dark Knight. A base deste texto surgiu a partir de uma discussão sobre a transformação deste personagem durante o filme. Foi um prazer ver o personagem ser bem interpretado pelo ator Aaron Eckhart (ótimo tanto como Harvey Dent quanto como Duas-Caras), depois de terem feito o Tommy Lee Jones pagar o míco de usar uma cara cor-de-rosa no tenebroso Batman: Forever.

Harvey Dent
Harvey Dent

Muita gente comentou comigo a sensação de que a transformação de Harvey Dent em Duas-Caras ter sido “fácil demais”. Que o Coringa só foi lá, disse algumas palavras, e no instante seguinte o cara saia do hospital todo sedento de vingança e malvado.

Lembram de um post anterior no qual falei sobre desenvolver uma história com um grande esboço e então ir pintando os detalhes? O roteiro de Batman: Dark Knight foi escrito assim, e para quem prestou atenção Harvey Dent sempre foi o Duas-Caras (só lhe faltavam ferramentas) e sua transformação foi trabalhada desde o início do filme (na verdade, desde a primeira cena em que apareceu).

Neste post irei explicar, de um jeito que até o Robert Downey Jr. entenda, meu ponto de vista sobre a transformação, na minha opinião perfeita, de candidato a presidência Harvey Dent no “vilão/agente do caos” Duas-Caras.

Primeiro devemos perceber que o Duas-Caras está mais próximo de ser um agente do caos do que necessariamente um vilão. Ainda que movido pela vingança, suas decisões sempre são feitas com o uso de uma moeda. A sorte dita seus passos, e através dela se salvaram alguns personagens pelos quais ele nutria um grande desejo de vingança. Mais forte que a vingança era sua obsessão pela sorte, sempre travada na moeda que era presente do seu pai.

Harvey Dent já possuia este trato desde sua primeira aparição no filme (ele decide se ele ou Rachel Dawns irá defender um determinado caso no tribunal através da moeda). A sorte e o caos era uma obsessão sua já no começo da história, mas ele possuia um trunfo sob a manga que só é revelado próximo a sua transformação. Ele contava com uma moeda, presente de seu pai, com dois lados iguais. Assim Harvey Dent controlava sua obsessão e escolhia previamente sua sorte e seu rumo.

Por mais que seja simples definir o momento da transformação de Harvey em Duas-Caras no diálogo com o Coringa, uma definição mais precisa deste momento seria quando Rachel Dawns morre durante a explosão. Neste momento Harvey adquire o desejo de vingança, mas acima de tudo perde seu trunfo para controlar a sorte. Dali para frente, cada vez que sua obsessão o fizesse definir algo na sorte, um determinado fator impediría-o de definir seu curso previamente.

No hospital Harvey acorda para ver, no criado-mudo, a moeda de seu pai (aquela, com dois lados iguais) e por um instante se pergunta se Rachel havia sobrevivido. Ao observar a moeda se dá conta do fato de que agora ela não possui mais dois lados iguais… um lado está perfeito, mas o outro jaz queimado e deformado como o seu próprio rosto.

Harvey/Duas-Caras é atacado por sua obsessão pela primeira vez, após o acidente, durante a conversa com Coringa. Claro que ele queria matar o Coringa, ele havia tirado Rachel Dawns dele, mas ao tentar decidir as coisas como vinha fazendo desde o início, descobriu, frustrado, que não podia mais controlar sua própria sorte.

É no momento em que percebe isto que Harvey Dent vira, definitivamente, o Duas-Caras. Uma combinação de fatos que vinham desde o começo do filme, culminando com uma moeda que já não tinha mais dois lados iguais.

Coringa era como a maioria dos vilões, um psicótico. Mas Harvey-Dent era o extremo oposto, um grande obsessivo-compulsivo. Sua moeda ditou sua própria história.

Resta saber agora se teremos mais “Harvey Dent” no futuro de Batman.

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O Vôo da Fênix (Flight of the Phoenix)

26/08/2008

A grande vantagem de se assistir à Tela Quente é o fato de que, quase sempre, você descobre no fim do filme que teria tido um grande arrependimento se tivesse pagado (cinema ou locadora) para assisti-lo. Não que as duas horas que você perdeu assistindo ao filme não custem caro, mas é que normalmente eu assisto à Tela Quente formatando meu PC, arrumando meu quarto, ou trabalhando em algum outro projeto.

A saga desta segunda-feira (25 de agosto de 2008) foi “O Vôo da Fênix (Flight of the Phoenix)”. Um remake de um filme tenso da década de 60, emburrecido para se adequar aos padrões do cinema ‘blockbuster’ de nossa década. No elenco temos um Dennis Quaid canastrão, uma Miranda Otto apagada, e Giovanni Ribisi (o médico de Resgate do Soldado Ryan) fazendo o único bom trabalho do filme (apesar do papel ser terrível). Na direção, por mais incrível que pareça, não está Michael Bay (e sim John Moore, de “Behind Enemy Lines”).

A história gira em torno de um grupo bastante “coeso” (um piloto de avião, seu co-piloto, uma equipe de perfuração de petróleo [há uma mulher no grupo – que não existia na versão original do filme], e um projetista de aviões de brinquedo que, mesmo depois do filme, não faz idéia alguma do que está fazendo ali). O personagem Elliot (Giovanni Ribisi) é empurrado na história sem qualquer piedade à lógica ou ao bom senso, um projetista de aeromodelos que ‘apareceu’ em uma base de perfuração de petróleo no meio do deserto de Goby e passou a morar com os trabalhadores de lá, até pegar carona no avião que os tiraria de lá.

Devido a uma tempestade de areia e a teimosia do capitão (Quaid) o avião cai no meio do deserto e rapidamente os personagens assumem que nunca serão salvos (com argumentos que não fazem um pingo de sentido como: “eles faria um relatório e verão que nos salvar não compensará em relação custo-benefício). Depois de diversas cenas macarrônicas de “drama de sobrevivência” os personagens resolvem construir um avião com os restos da aeronave original.

Engolir os exageros do filme é fácil, a idéia por si só é ate interessante. Só que vem muita areia junto quando você tenta engolir também as péssimas interpretações, os diálogos forçados e cheios de “frases de efeito”, alguns efeitos especiais toscos e o uso de toda a enciclopédia dos clichês de Hollywood.

Os diálogos são cheios de frases sobre esperança, dedicação e coisas do tipo. Os personagens transportam-se da fraternidade à hostilidade mútua em velocidades impressionantes. O tempo todo o filme tenta lhe sensibilizar com a situação dos personagens, mas eles são tão caricatos que você não consegue isto em nenhum momento do filme. O filme, inclusive, cuida de não matar nenhum dos personagens mais carismáticos do filme, reservando este fim aos personagens mais “figurantes”.

SPOILER (SITUAÇÕES INTRAGÁVEIS NO FILME)

– Durante a queda do avião, o mesmo parece acelerar e desacelerar a cada corte de cena.

– Os personagens se encostam e trabalham constantemente na estrutura de metal do avião, mesmo estando este a dias sob o sol do deserto. As partes metálicas do avião estariam, esta altura, insuportavelmente quentes.

– O avião ficou em uma grande planície (como pode ser visto em diversas cenas durante o filme), mesmo assim um dos personagens, ao sair para urinar durante a noite, tropeça e rola na areia o suficiente para, quando levantar, não conseguir enxergar onde está o avião ou como voltar até ele.

– Quaid diz que os nômades praticaram tiro ao alvo no corpo do colega que caiu do avião durante o vôo. Fez isto com base no fato de haverem cartuchos de rifle sobre o corpo. Mas se os nômades praticaram tiro ao alvo com o corpo, os cartuchos estariam onde o atirador estava, e não ao redor do corpo.

– Uma das piores cenas de filtro azul da história. Para quem desconhece, o filtro azul é utilizado para simular cenas noturnas. Filma-se durante o dia com um filtro azul escuro na objetiva da câmera para gerar um efeito de crepúsculo. Este método é barato, mas pouco usado no cinema de hoje em dia devido ao fato de trazer diversos problemas. O principal problema é o fato de que você não pode mostrar o céu em cenas de filtro azul, pois o céu claro ficará bem mais claro que todo o resto do ambiente, causando um visual alienígena em toda a cena, como se o céu noturno fosse “brilhante”. Em um filme que se passa no deserto, utilizar o filtro azul na cena dos nômades foi, sem dúvida, uma idéia bastante ruim. Por mais que eles tentassem, o céu brilhante apareceu na cena diversas vezes.

– Os zilhões de clichês incluem cenas em contraluz com o sol, tudo dando certo sempre na última tentativa, personagens fazendo coisas erradas precisamente no momento errado, e o final do filme com o avião voando em direção ao por do sol. Isto sem, em momento algum, explicar o que diabos um projetista de aeromodelos faz naquela situação.

No frigir dos ovos o filme é ruim? Não, a idéia por trás dele é bastante interessante. Mas a direção e produção do filme resultaram em mais do mesmo do cinema Hollywoodiano, e sabemos que neste setor de filmes tragédia, existem opções muito melhores para assistir.