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Hollywood Effect e Layer Mask

04/03/2009

Hoje vamos falar de um efeito muito bacana e extremamente simples de se fazer e aproveitar o ensejo para falarmos de máscaras de layers (Layer Mask), que é uma ferramenta extremamente útil do Photoshop, principalmente para aqueles que gostam de manipulações não destrutivas (aquelas manipulações que não destroem a imagem sob ela).

O efeito Hollywood recebe este nome porque foi (e ainda é) muito utilizado em cartazes de filmes. Como resultado, você tem uma foto com um contraste interessante, não só na luminosidade quanto na saturação, no qual os olhos da pessoa são ressaltados. Vale lembrar que não é um efeito que funciona com qualquer foto. Ele funciona melhor com fotos com um bom contraste, porém com a luz não tão dura, na qual você tenha uma passagem mais sutil entre as áreas claras e escuras da imagem.

Para este tutorial, vou utilizar a foto do meu irmão, da época em que ele estava deixando uma barba no estilo Marcelo Camelo. A foto tem um fundo limpo, o rosto dele tem áreas claras e escuras com uma passagem sutil entre uma zona e outra, e os olhos dele tem uma cor bonita para se destacar.

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Vamos aproveitar este exercício também pegar o hábito de nomear as layers do Photoshop. Isto pode não parecer importante nesta imagem, onde teremos 4 layers no final do processo, mas será de extremo valor quando você tiver trabalhos de montagem com 30 ou 50 layers.

Se você estiver utilizando uma foto sua, lembre-se primeiro de tratá-la utilizando Curves, Levels e etc, ajustar o balanço de branco e tudo mais. Quanto maior a qualidade da sua foto no início do processo, mais bacana ficará o resultado final.

Feito o tratamento básico, você tem um arquivo do Photoshop com apenas uma layer, chamada Background. Muitas vezes gosto de duplicar esta layer e trabalhar na duplicata, para ter o original sempre que necessário. No caso deste efeito, não faremos alterações na layer Background, então ela servirá como a original sempre que precisarmos.

Comece duplicando a layer Background. Aqui vai uma dica, duplique a layer selecionando-a e pressionando o atalho CTRL+ALT+J, isto faz com que seja aberta uma caixa de diálogo solicitando o nome da nova layer, poupando-lhe o trabalho de ter de clicar na layer para nomeá-la. Escolha o nome PB para esta nova layer, e não precisa se preocupar com nenhuma das outras opções.

Com esta nova layer (PB) selecionada, selecione EDIT > ADJUSTMENT > DESSATURATE (CTRL+SHIFT+U). Sua imagem ficará PB, escondendo totalmente a imagem da layer Background. Para que um pouco da cor da imagem apareça, vá no painel LAYERS e reduza a Opacity da camada para 80%. Sua imagem ficará assim (aproveitei o lado vazio da imagem para colocar o painel Layers, como referência):

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Agora vamos duplicar novamente, mas você precisa ter cuidado pois a layer selecionada no momento é a PB, e nós queremos uma duplicata da layer Background (a colorida). Então vá ao painel LAYERS, selecione a layer Background e pressione novamente CTRL+ALT+J. Batize esta layer de SoftLight e, novamente, ignore as outras opções. A layer SoftLight irá surgir entre a layer PB e a Background, e como ela é idêntica a Background, você não vê diferença alguma na imagem. Clique na layer SoftLight e arraste-a para o topo da pilha de layers.

Sua imagem ficou colorida novamente, como era originalmente, porque a layer SoftLight é idêntica à foto original e está cobrindo as outras layers. Para executar o efeito, altere o Blending Mode (Modo de Mistura) da layer SoftLight para Soft Light, no menu indicado na imagem abaixo, e sua imagem ficará assim:

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A base do efeito está terminada (eu disse que seria fácil, não disse?). Agora vamos fazer o tal do destaque nos olhos. O destaque em si nada mais é do que permitir que você veja os olhos da foto original. Isto poderia facilmente ser feito copiando os olhos da layer Background em uma nova layer e arrastando-a para o topo da pilha. Mas faremos diferente, utilizando uma layer mark.

Selecione novamente a layer Background no painel Layers, pressione CTRL+ALT+J e batize como Destaque a nova layer. Copie-a para o topo da pilha. Sua imagem ficará como a original novamente, porém quermos apenas os olhos da imagem original.

Com a layer Destaque selecionada, pressione o botão Add Layer Mask na parte inferior do painel Layers. De início, você não verá nada de diferente em sua imagem, porém algumas novidades apareceram no painel Layers.

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Quando você cria uma Layer Mask, o Photoshop associa uma imagem em tons de cinza à layer selecionada. Esta imagem é o que chamamos de máscara (é o quadrado branco ao lado da miniatura da layer), e a função dela é ocultar ou mostrar áreas da imagem. A corrente entre as duas une as imagens… se você mover a imagem da layer, a máscara move-se junto e vice-versa. Se você clicar na corrente, pode mover um sem mover o outro.

Perceba que existe uma sutil modura ao redor da miniatura da layer, esta indica que no momento a layer está selecionada. Qualquer alteração que você fizer no Photoshop neste momento será aplicada à imagem da layer. Clique no quadrado branco para ver esta moldura mudar para ele, indicando que a máscara está selecionada. A partir de então, qualquer alteração feita no Photoshop, com qualquer ferramenta, será aplicada à márcara.

A máscara só aceita tons de cinza, então sempre que uma máscara estiver selecionada, a sua cor escolhida aparecerá como um tom de cinza no seletor de cores. Você pode escolher outra cor no Color Picker, mas ela sempre será convertida em um tom de cinza.

A máscara utiliza tons de cinza porque ela não guarda informações de cores, e sim de transparência… a máscara oculta e mostra a imagem da layer através de áreas de transparência e opacidade, que são definidas pelos tons de cinza da máscara. Branco é opacidade total, preto é a transparência total, e qualquer tom de cinza gera um nível de transparência proporcional.

Nosso primeiro passo será fazer a máscara ocultar totalmente a imagem, para voltar a ver nosso efeito hollywood abaixo. Para fazer isto, selecione a máscara, vá ao painel SWATCHES e escolha o preto total. Selecione a Paint Bucket Tool (o Balde, está abaixo da ferramenta Gradiente) e clique na imagem. Você voltará a ver o efeito Hollywood, e o quadrado que representa a máscara no painel Layers ficará completamente preto, indicando que a imagem está totalmente mascarada.

Agora, queremos que você possa ver os olhos, para isto termos que pintar só a área correspondente aos olhos, na máscara, de branco (que representa a opacidade total). Com a máscara ainda selecionada, selecione a ferramenta Brush e escolha um pincel pequeno e de bordas suaves (pequeno o suficiente para permitir que você pinte sobre os olhos com certa precisão). Selecione a cor Branca total (que representa opacidade na máscara) e pinte sobre os olhos. Perceba, à medida em que pinta, que a imagem mascarada surge aonde você pinta com branco.

Se você quiser ver a máscara real (e não a imagem), segure a tecla ALT e clique sobre o quadrado que representa a máscara no painel Layers. Surgirá no seu documento uma imagem em tons de cinza da máscara, e você pode editá-la neste modo se quiser (para preencher, quem sabe, buracos nas áreas que você pintou). Para retornar ao modo normal, clique em um outra layer ou na miniatura da layer com a máscara.

Sua imagem deverá ficar algo assim:

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Você pode explorar o recurso da máscara, pintando de branco, por exemplo, sobre a camisa ou qualquer outra área que você queira destacar com as cores originais. Veja abaixo a imagem com a máscara em tamanho reduzido (clique para ampliar):

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Quais as vantagens de utilizar este recurso ao invés de simplesmente recortar e colar as áreas desejadas a partir da layer Background? Primeiro, a máscara não é destrutiva. Cortou errado? Pintou aonde não devia? Simplesmente mude a cor do pincel (para preto ou branco, conforme precisar) e pinte novamente… a imagem original sempre estará ali, e a máscara pode ser mudada constantemente.

Em segundo lugar, isto permite a você experimentar de outros modos. Digamos que você quisesse mudar a cor dos olhos do sujeito. Basta selecionar a layer destaque (a imagem, não a máscara) e alterar as cores do jeito que você quiser. Apesar da mudança de cor afetar toda a imagem, você verá apenas o efeito dos olhos, pois é a única parte visível através da máscara.

Por último, todo o tipo de ferramenta pode ser aplicada à máscara. Degradês, filtros, texturas, pincéis… tudo que possa ser aplicado à uma imagem PB pode ser aplicado à máscara. Isto abre portas incríveis para a criatividade.

Em um segundo momento exploraremos melhor os recursos que as máscaras abrem no Photoshop, incluindo a utilização de filtros na própria máscara. Até lá, espero que você se divirta com o efeito Hollywood.

DICA: Se você segurar a tecla ALT no momento em que pressionar o botão ADD LAYER MASK, o Photoshop automaticamente adiciona uma máscara preta ao invés de uma branca, ocultando a imagem. Este recurso poupa um passo no tutorial, e é vantajoso sempre que você criar uma máscara com a intenção de mostrar apenas algumas partes.

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Lomografia Digital

07/01/2009

O termo lomografia surgiu do termo registrado Lomographische AG, da Áustria, para produtos e serviços relacionados à fotografia. O nome inspirou a empresa óptica LOMO PLC de São Petesburgo, Rússia, que desenvolveu a câmera compacta de 35mm LOMO LC-A. As características das fotos desta câmera inspiraram o tipo de imagem que hoje é considerado Lomografia, oferecendo fotos com tonalidade e saturação de cor características e suaves. Diversas câmeras são utilizadas, atualmente, para produzir a chamada Lomografia, que enfatiza fotos casuais, suavemente borradas e “acidentes felizes”. A lomografia presume espontaneidade sobre a técnica formal, câmeras típicas voltadas para lomografia são deliberadamente simples e mal construidas, algumas exibindo distorções cromáticas, vazamento de luz e fortes distorções ópticas.

Na fotografia de película a lomografia pode ser simulada através do processo de processamento cruzado (cross-process), no qual um slide é revelado através do processo químico de película ou vice-versa. No universo da fotografia digital existem diversos métodos para simular os efeitos da lomografia, que variam de acordo com o gosto de cada um, e neste artigo veremos um deles.

Então, mãos na massa. Escolha uma foto cotidiana, com cores bacanas, tirada de forma espontânea e que, de preferência, envolva pessoas na cena. Claro, a foto fica a seu critério, mas já que iremos simular o visual da lomografia, nada como fazê-lo em uma foto que siga suas ideologias. Eu escolhi a foto abaixo, com meu pai e meu irmão mais novo dormindo aconchegados em uma rede de balanço.

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O primeiro passo seria dar um tratamento na imagem. Corrigir brancos, acertar sombras e altas luzes caso necessário. Como a imagem acima saiu do meu arquivo pessoal, ela já está tratada, mas caso você tenha feito uma captura própria para lomografia, não exagere no tratamento, pois um pouco de brancos estourados ou pretos fortes também dão um charme na lomografia.

Comece duplicando a layer BACKGROUND com a imagem e ocultando a original clicando no ícone em forma de um olho ao lado da miniatura da imagem no painel LAYERS. Mais tarde precisaremos da imagem original para determinado efeito, e ter a imagem original também nos possibilita corrigir qualquer erro durante o processo.

O primeiro passo na lomografia é criar seu padrão de cores distorcido, e fazemos isto aumentando o contraste dos canais Red (vermelho) e Green (verde) da imagem RGB. Para fazer isto, clique na aba CHANNELS (que fica ao lado da aba LAYERS na configuração padrão do Photoshop) para visualizar os canais de cores, clique no canal RED e a imagem ficará em tons de cinza, mostrando apenas os valores para o canal RED (branco para vermelho total, e preto para a ausência total de vermelho). Com o canal selecionado, você pode manipulá-lo como faria com qualquer imagem PB, e o que faremos aqui é ir ao menu IMAGE >> ADJUSTMENT >> BRIGHTNESS/CONTRAST para abrir o diálogo. No diálogo, certifique-se de que a opção “USE LEGACY” (caso presente) esteja desabilitada e aumente a opção CONTRAST para 90 (você pode variar o número aqui, mas 90 é um bom ponto de partida). Percebe que o contraste da imagem em tons de cinza aumentou, clique OK.

Agora, ainda na aba CHANNELS, escolha o canal GREEN e repita o processo, aumentando o contraste do canal verde para 90 (ou a mesma quantia utilizada no canal RED). Após clicar OK, clique na opção RGB na aba CHANNELS para selecionar novamente todos os canais (Red, Green e Blue) e ver como a sua imagem já adquiriu a tonalidade distorcida característica de cores.

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Agora duplique a layer onde o contraste foi aplicado (esta com as cores distorcidas), com a layer duplicata selecionada pressione CTRL+SHIFT+U para dessaturar a imagem ou vá em IMAGE >> ADJUSTMENT >> DESATURATE. A imagem ficará em tons de cinza, nela aplique FILTER >> BLUR >> GAUSSIAN BLUR com cerca de 25 pixels em RADIUS. Finalmente, na parte superior esquerda do painel LAYERS está um menu sem rótulo (com a opção NORMAL selecionada) que chamamos de BLENDING MODE (modo de mistura), altere este menu para a opção OVERLAY. Caso o efeito fique muito forte, reduza a OPACITY desta layer para suavizar. Aqui eu reduzi para 40%, o que me deu mais contraste nas cores e também um visual levemente mais suave.

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Você pode ficar contente neste ponto e dar por fim sua lomografia, mas para efeitos de experimentação vamos um pouco mais a diante. Mas, para seguir, abra a aba HISTORY do Photoshop (caso não esteja visível, vá em WINDOW >> HISTORY) e clique no botão CREATE NEW SNAPSHOT na parte inferior do painel. Isto cria um “retrato” do estado atual da imagem, para onde você pode retornar caso deseje.

Feito isto, vamos clarear um pouco a imagem, pois isto irá destacar nossos passos finais na lomografia. Para tanto, é necessário unir as layers da lomografia, deixando separada apenas a layer com a imagem original. Selecione a layers colorida com as cores contrastadas e, segurando a tecla CONTROL clique na layer em tons de cinza para selecionar ambas. Com as duas selecionadas, pressione CTRL+E para mesclar as duas layers em uma só.

Isto feito, com esta layer mesclada selecionada, vá em IMAGE >> ADJUSTMENT >> CURVES para abrir o diálogo curves. No diálogo há um gráfico. Clique no meio do gráfico para criar um novo ponto e puxe-o para cima, criando uma curva, isto fará com que a imagem seja clareada em seus meio tons, suavizando um pouco a imagem. Abaixo você pode ver a curva que utilizei para a imagem:

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E logo abaixo a imagem com o efeito da curva aplicado, ou seja, mais clara.

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Clareamos a imagem porque agora utilizaremos um efeito muito utilizado para simular desenho manual para destacar as bordas dos elementos da foto, e este efeito ficará mais visível com a imagem clareada. Agora utilizaremos também aquela layer com a imagem original, então revele a layer clicando novamente na área onde estava o ícone do olho ao lado da miniatura no painel LAYERS, duplique-a, e arraste-a para o topo de pilha de layers. Sua imagem ficará como estava originalmente, pois a layer do topo possui a imagem original.

Com esta layer do topo (original) selecionada, pressione CTRL+SHIFT+U para dessaturar a imagem, tornando-a PB. Duplique esta layer com a imagem PB e, com esta layer duplicada selecionada, pressione CTRL+I (ou então vá em IMAGE >> ADJUSTMENT >> INVERT) para inverter as cores da imagem, como em um negativo. Sua imagem ficará como está abaixo:

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Repare também na estrutura das layers no painel LAYERS, renomeadas para facilitar o entendimento:

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Agora altere o BLENDING MODE, no menu no canto superior esquerdo do painel LAYERS, desta layer invertida para COLOR DODGE. Isto fará com que sua imagem fique toda branca, apenas algumas manchas pretas caso a imagem original possua muitas áreas de preto estourado. Feito isto, ainda com esta layer selecionada, aplique FILTER >> BLUR >> GAUSSIAN BLUR, com o RADIUS em torno de 20 pixels (você pode variar, o importante é ter um ‘desenho’ bem visível de sua imagem). Clique OK.

Agora segure a tecla CONTROL e clique na layer ORIGINAL PB para selecionar ambas as layers que compõe a imagem desenhada. Pressione CONTROL+E para mesclar as duas layers em uma só e altere o BLENDING MODE desta nova layer para MULTIPLY. Isto fará com que a sua imagem lomo fique visível novamente, mas com as bordas pretas reforçadas pelo desenho, como na imagem abaixo.

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Eu gostei do resultado como está, mas você pode experimentar reduzir a opacidade da layer com o Multiply para suavizar as bordas, ou utilizar o diálogo IMAGE >> ADJUSTMENT >> LEVELS para aumentar o contraste desta layer e reforçar ainda mais as bordas pretas.

Um último passo interessante seria a adição de ruído à sua imagem, simulando o ruído característico dos filmes. Para tanto, você precisa mesclar todas as suas layers em uma única layer, e isto pode ser feito no menu LAYER >> FLATTEN IMAGE. A forma mais fácil de produzir este ruído seria utilizando um plugin chamado GRAIN SURGERY que é especializado em simular o ruído de diversos filmes de película. Mas uma forma de simular o efeito é utilizando o filtro ADD NOISE com as configurações MONOCHROME e UNIFORM.

VARIAÇÃO: Uma variação do efeito lomográfico pode ser obtida utilizando-se a opção USE LEGACY no diálogo CONTRAST na hora de aumentar o contraste dos canais REG e GREEN. Mas como esta opção força demais o contraste, recomendo utilizar uma quantidade menor, em torno de 50% de contraste, para o resultado obtido abaixo:

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Espero que tenham curtido o tutorial, quem visita o meu Flickr sabe que gosto muito, principalmente para alguns retratos, das cores características da lomografia, como pode ser visto em algumas fotos:

7SFGF - Passeio na Lagoa

Valentine's - 02

 5SFGF - Paula 

'Indaial' Jones 

Pescador

Um grande abraço para todos.

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Saturação – Cores Vivas

10/12/2008

Muita gente tem me perguntado no fórum sobre como obter cores vivas em suas fotos, mas sem que elas pareçam exageradas. Principalmente porque sempre que alguém passa da fotografia em JPEG para fotografia RAW, esta pessoa se espanta com a falta de saturação e cores mais suaves da foto RAW.

A pessoa não deve se espantar com isto, pois a foto JPEG passa por um tratamento na câmera para ter estas cores mais fortes e densas, mas por outro lado este pré-tratamento por estourar (clipar) algumas cores criando manchas, e isto não poderá ser corrigido depois. No caso do RAW, você poderá chegar no mesmo resultado do JPEG, mas terá a opção de controlar o ganho de saturação para obter um resultado ainda melhor. Se você utiliza um software como o Lightroom, pode ainda ter o melhor dos dois mundos, criando um preset que aproxime seu RAW do JPEG gerado pela sua câmera que seja auto-aplicado em todas as fotos importadas, assim você tem instantaneamente a qualidade similar ao JPEG, mas com a opção de voltar atrás caso o efeito fique exagerado.

Não Sature, Vibre!

Daqui para frente passe longe do deslizante Saturation, seja no Photoshop ou no Lightroom. Depois que a Adobe criou o Vibrance (o Vibrance surgiu no Lightroom, e então foi cedido ao Photoshop na versão CS4), o Saturation passou a servir para pouca coisa mais que dessaturar as cores. Para saturar as cores, o Vibrance é quase sempre mais útil. O Vibrance e o Saturation funcionam da mesma forma no PS e no LR, no LR ele é encontrado no painel Basic, no PS é encontrado junto do Saturation.

O Saturation faz um serviço desleixado em sua foto, ele simplesmente aumenta os valores de saturação das suas cores de forma equivalente em todo o gráfico de saturação. O que significa isto? Significa que para cada 10 pontos de saturação que você aumenta, suas cores mais suaves são saturadas em 10 pontos, suas cores médias serão saturadas em 10 pontos, e suas cores já saturadas serão saturadas em 10 pontos e provavelmente clicaparão no máximo e criarão uma mancha. Tudo que você tiver de cor que esteja a menos de 10 pontos do máximo virará uma mancha sem detalhes e nuances de cor. Além disto, o saturation tende a deixar a pele humana com um alaranjado muito esquisito, como se a pessoa estivesse com hepatite.

O Vibrance faz um serviço muito mais elegante. Ele aumenta a saturação das cores de forma proporcional, afetando de forma maior as cores menos saturadas, e afetando com mais cautela as cores já saturadas. No caso dos 10 pontos citados acima, o Vibrance subiria em 10 pontos as cores suaves, mas subiria em apenas 1 ou 2 (dependendo da aproximação da zona de clipagem) as cores já saturadas. Além de evitar que as cores estourem e você perca detalhes e nuances de cores, o Vibrance ainda protege os tons de pele, evitando a aparência de hepatite em seus fotografados.

Clique na imagem abaixo para ver ampliada uma comparação entre a foto RAW original, e a mesma foto com Vibrance em 85%, e depois Saturation em 85%. Perceba como ambos fizeram um bom trabalho em dar mais vida e cor à cadeira e ao biquíni, mas o Vibrance protegeu o tom de pele dando mais vida a ele sem saturar demais os amarelos e laranjas, e também manteve melhor as nuances entre os diversos tons de azul da cadeira.

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Claro que não é sempre que você irá utilizar 85% em qualquer destes comandos. Mas se você realmente que cores vivas, terá de exagerar, e quanto mais você exagera, mais visível é a diferença entre o serviço feito pelo Vibrance e o feito pelo Saturation.

Blacks para Saturar

Além do Saturation e Vibrance, o cursor Blacks encontrado no painel Basic do Lightroom é outra ótima forma de saturar suas cores e dar mais contraste a elas. Tem gente que é fissurado em manter todos os detalhes nas áreas de sombras, mas pessoalmente eu prefiro uma imagem que tenha sutis pretos estourados, mas que como resultado disto tenha cores mais bonitas e um contraste muito mais agradável (e se você perguntar para as maiorias dos leigos, eles também irão preferir imagens com bom contraste e pretos mais fortes).

Mas deve-se tomar cuidado, pois o cursor Blacks do LR é extremamente sensível, e às vezes simplesmente mudá-lo de 5 (padrão para imagens RAW) para 6 já dá um resultado surpreendente. Clique na imagem abaixo para vê-la ampliada, comparando a imagem RAW original, e depois com Blacks em 5 e 10. Perceba o quanto o aumento do Blacks ajuda na vivacidade das cores, contraste, e isto sem clipar demais as sombras (a única clipagem foi abaixo do cabelo, mas eu não importo em perder detalhes naquela área em troca de uma foto com melhor contraste).

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Por ajudar com a saturação e o contraste, eu sempre ajusto o Blacks primeiro (com meu Vibrance já ajustado no padrão +15 durante a importação) até as sombras ficarem do meu agrado, e depois ajusto o Vibrance conforme necessário.

Truque Lab Color

Só por curiosidade, o espaço de cor acima não é “Lab Color”, como “lab de laboratório”, ele chama-se “L-a-b Color” como “Él-ei-bi cólor”, uma letra de cada vez. Não que isto seja importante pro tutorial, mas achei que você gostaria de saber.

Para a maioria das fotos os métodos acima serão suficiente, e você obtém fotos com cores vivas e vibrantes. Mas existe um último truque que pode ajudá-lo a conquistar cores espetaculares em suas fotos, mas infelizmente o truque só pode ser feito no Adobe Photoshop. Então, se você está no Lightroom, comece enviando sua foto para o Photoshop clicando com o botão direito sobre ela e selecionando EDIT >> EDIT IN ADOBE PHOTOSHOP CS#.

Abaixo a foto, aberta no Photoshop, com as alterações feitas no Lightroom.

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Com a imagem aberta, vá ao menu IMAGE >> MODE e selecione LAB COLOR. Isto irá converter sua imagem para o espaço de cor Lab Color (se você observar na paleta Channels, verá que ao invés de Red, Green e Blue, sua imagem agora é formada por um canal Lightness (de luminosidade) e os canais “a” e “b” com as informações de cores. Como o espaço de cor Lab é um dos maiores existentes, você não terá perda de qualidade em suas cores.

Agora, vá ao menu IMAGE e selecione o comando APPLY IMAGE, irá se abrir o diálogo visto abaixo.

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Neste diálogo você fará as seguintes alterações. Primeiro, no menu pop-up BLENDING, selecione o blend mode SOFT LIGHT. Feito isto, vá ao menu CHANNEL e teste os canais LAB, A e B (o canal Lightness nunca fica bom), enquanto observa a imagem na tela, para ver qual fica melhor com a sua imagem. Não existe uma receita de bolo aqui, cada canal gera melhor ou pior resultado dependendo da imagem. Se você achar que o efeito está ficando muito forte, reduza a opção OPACITY no diálogo.

Nesta imagem eu encontrei o resultado que mais me agradou com o Canal “b” e a opção OPACITY configurada em 70%. O resultado é o que vemos abaixo. Perceba como o truque deixou a pele mais avermelhada e com uma aparência mais saudável.

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Agora, você conhece bons métodos para saturar e dar vivacidade às suas cores, então não há mais desculpas para aquelas fotos com cores mortinhas e suaves, a não ser claro, que seja intencional. Além disto, você obterá resultados melhores a partir de um RAW, do que conseguiria no JPEG já mexido gerado pela câmera.

Não esqueça que os perfis de cores utilizados no Lightroom também são importantes para se obter a cor que você deseja. Para saber mais sobre perfis de cores, visite este artigo.

Grande abraço, até a próxima, e não esqueça de deixar seus comentários.

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Rapidinha: Lightroom Profiles Beta 2

08/11/2008

Lembra-se daquele perfis de cor novos da Adobe, sobre os quais falei neste post? A Adobe lançou um novo pacote de profiles para o Lightroom que atualiza os profiles da versão Beta 1, e adiciona suporte para novas câmeras. Os novos perfis (Beta 2) podem ser baixados no Adobe Labs.

Vale a pena o download.

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Temperatura da Cor

04/09/2008

De todos os nossos sentidos, nenhum depende tanto do processamento feito pelo cérebro e interpretação quanto a visão. Nosso sistema ocular é uma máquina incrível, mas está longe de ser desprovida de falhas. Em primeiro lugar a imagem captada por nossos olhos é invertida, a periferia da visão possui poucos cones e a visão de cores é prejudicada nesta área, e em um determinado ponto do olho, onde o nervo ótico se conecta ao globo ocular, existe uma área completamente desprovida de cones e bastonetes que denominamos de ponto cego.

Assim sendo, nosso cérebro, uma máquina incrível de processamento, precisa primeiro inverter a imagem. Depois, com base em experiências pregressas e associação, ele “colore” as áreas da periferia da visão e, finalmente, utiliza as texturas e cores disponíveis na área ao redor do ponto cego para “cobrir” esta área, pois do contrário teríamos um ponto negro em nossa visão (você pode encontrar diversos testes em livros e internet mas, basicamente, se um objeto for pequeno o suficiente e ficar sobre o ponto cego do seu olho ele simplesmente desaparecerá de sua visão e será coberto pela cor e textura circundante (o cérebro leva um tempo para “ignorar” o objeto depois de tê-lo visto).

Finalmente, existe um último “probleminha” com o qual o nosso cérebro tem de lidar, e chama-se temperatura da cor. A cor que enxergamos é composta de um certo número de elementos. Alguma fonte externa produz luz, em forma de ondas, que atingem o objeto percebido. O objeto absorve parte do comprimento de onda e reflete outra parte que é recebida pelo nosso olho. O olho emite os dados desta onda para nosso cérebro que interpreta em forma de cor, mas para esta interpretação nosso cérebro precisa de mais um dado, e este dado é a temperatura da cor da luz original.

Se você tiver em mãos uma folha de papel branco e observá-lo sob uma luz incandecente, e depois sob uma luz fluorescente, enxergará a folha branca nos dois casos. Mas na verdade a luz incandecente é alaranjada e, consequentemente, o papel também fica alaranjado. Assim como a luz fluorescente, esverdeada, deixaria o papel esverdeado. Mas enxergaremos a folha branca nos dois casos, e isto se deve ao fato do nosso cérebro, além de todas as correções que já faz, corrigir também o equilíbrio da cor.

Consideramos a luz branca como a soma de todas as cores, mas a maior parte das fontes de luz com as quais convivemos não possuem este equilíbrio das luzes, e sempre tendem para tonalidades avermelhadas ou azuladas (e intermediárias). No século 19, um físico escocês chamado Lord Kelvin criou uma forma de medir estes desvios da luz, e desenvolveu uma tabela relacionando a temperatura da cor à cor da luz.

Temperatura da Cor

Temperatura da Cor

A luz do sol durante o dia é azulada, e possui a temperatura entre 5.500 e 6.000 K. A lâmpada incandecende de tungstênio de 40W é avermelhada e possui uma temperatura de cerca de 2.600 K. Cada temperatura desta afeta a forma como a cor dos objetos é refletida e como nossos olhos percebem as cores. Nosso cérebro utiliza como referência nosso conhecimento pregresso das cores (referência de cor da pele, objetos brancos, grama verde e etc.) para aplicar uma correção de temperatura nas cores de tudo que vemos. Nosso cérebro poderia ser enganado se, em uma sala totalmente escura, se deparasse com um objeto sob luz desconhecido ao qual não tivessemos referência alguma.

O que é tão simples para nosso cérebro virou um problema enorme para a fotografia colorida. Depois de tanto desenvolvimento para criar um filme que possuise a sensibilidade às cores precisas para reproduzir as cores vistas sob a luz do sol, descobriu-se que o mesmo não servia para fotografar sob a luz de uma lâmpada, pois a temperatura da cor simplesmente não era adequada, e ao contrário do nosso cérebro a câmera era incapaz de corrigir o desvio.

Para solucionar este problema foram desenvolvidos filmes específicos para cada situação: filmes para luz do dia, filmes para tungstênio e por aí vai. Na falta ou impossibilidade de se trocar o filme, eram utilizados filtros para corrigir a temperatura da cor.

O advento da fotografia digital facilitou bastante a vida de todos os fotógrafos, pois por mais que o sensor de imagem fosse incapaz de diferenciar a temperatura da cor e, como o filme, simplesmente reproduzisse as coisas como são, o processador interno da câmera é capaz de aplicar, como nosso cérebro, a correção necessária para uma reprodução precisa das cores.

Nos modos não automáticos de balanço de cor (como daylight, shade, fluorescent, tungsten) a câmera aplica uma correção específica, baseada em uma tabela de temperatura de cores, à imagem para corrigí-la. No modo automático a câmera tenta simular o que nosso cérebro faz, mas como é incapaz de diferenciar objetos na imagem (a câmera só “vê” milhões de pontos, mas não reconhece objetos) para utilizá-los como referência ela utiliza um outro método. A câmera seleciona o ponto mais claro da imagem, mais próximo ao neutro, e aplica na imagem a correção necessária para tornar este ponto neutro. Como a maioria das cenas possuem áreas neutras o processo normalmente funciona, mas pode errar quando se depara com cenas que carecem de tons neutros.

Algumas temperaturas típicas:

  • Luz do dia: 5.000 / 6.500 K
  • Sombra: 7.000 / 10.000 K
  • Dia nublado: 6.000 / 8.000 K
  • Lâmpada de Tungstênio: 2.500 / 3.500 K
  • Lâmpada Fluorescente: 4.000 / 4.300 K
  • Luz de Flash: 4.500 / 6.000 K