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Canon EOS Rebel XSi/450D – Guia Prático Digital

14/03/2009

Canon_Capa.indd Foi com prazer, e uma certa dose de orgulho, que recebi ontem meu primeiro livro traduzido. Trata-se do livro Canon EOS Rebel XSi/450D – Guia Prático Digital (Digital Field Guide, no inglês), escrito por Charlotte K. Lowrie e traduzido para o português por mim, através da Editora Altabooks.

O livro trata-se de um manual sobre fotografia em geral, onde o leitor irá aprender a controlar os diversos modos da câmeras, suas vantagens e funcionalidade. Irá aprender como os diversos fatores como abertura, velocidade do obturador, ISO e distância focal afetam a imagem final. Aprenderá a função dos diversos tipos de lentes (até mesmo aquelas mais obscuras como a Tilt-and-Shift) e também dicas voltadas para diversos tipos específicos de fotografia (retratos, paisagem, paisagem noturna, macro, arquitetura, viagens e etc).

Além de aprender sobre fotografia como um todo, a didática do livro é toda voltada para os proprietários da câmera Rebel XSi/450D da Canon. Enquanto você aprende os meandros da fotografia, aprende a aplicar este conhecimento nos controles e recursos da própria XSi. Além disto o livro de aprofunda nos recursos específicos da câmera, como métodos de focagem, disparo e no Live View, recursos que permite fotografar visualizando atravez do LCD da câmera.

O livro está muito bacana, bem impresso, e conta com um apêndice onde você encontra todas as fotos do livro coloridas, com as legendas. A Altabooks e toda a equipa envolvida está de parabéns.

O livro já pode ser encontrado no site da editora (onde pode ser baixado um PDF de amostra do livro, com o índice, entre outras coisas), e em diversas livrarias físicas e virtuais. Um ótimo guia sobre fotografia, e um guia ainda melhor para quem é proprietário da Canon XSi/450D (apesar de que grande parte dos recursos também se aplica à XS e a XTi).

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Alguns mitos sobre Fotografia Digital (2)

13/10/2008

Quantas vezes você já escutou, mesmo de pessoas mais habituadas à fotografia, sobre a técnica de "travar o foco e recompor"? Não se trata de uma mística técnica oriental, mas sim de pressionar o botão disparador da câmera até a metade, desta forma travando o foco da câmera, e então recompor a imagem e finalmente fazer a captura.

A técnica é favorecida, principalmente, em câmera com menor número de pontos de foco, pois lhe forçam a focar sempre em pontos específicos da cena (e então recompor a imagem para enquadrar o que você deseja). Mas se houve falar dela em todos os tipos de câmera.

A questão é: a técnica funciona?

A resposta é: em termos. A possibilidade desta técnica funcionar é diretamente proporcional à sua profundidade de foco e inversamente proporcional ao quanto você tem de mover a câmera para recompor a cena. Por isto a técnica pode ser executada a contento quando se fotografa com câmeras prossumers e compactas (que possuem, normalmente, profundidade de foco maior), mas será um desastre se você tentá-la com uma objetiva 50mm em abertura f/1.4 ou f/1.8.

Alguns podem tentar argumentar: mas se eu recompor sem sair do lugar, o objeto focado ficará à mesma distância da câmera. Aí é que mora o perigo, pois parte do pressuposto de que a área de foco é esférica com centro na câmera, e acredita-se que ao mover a câmera de forma circular (sem se mover do lugar) estará garantindo que o objeto focado continua à mesma distância da câmera e, consequentemente, estará focado.

Acontece que, por mais que sua câmera diga que o ponto de foco esteja a 2m da câmera (do plano focal da câmera), isto não significa que tudo que está a 2m da câmera estará focado. Pelo contrário, apenas o que estiver exatamente no eixo óptico central da câmera (um eixo imaginário que parte perpendicular ao plano do sensor da câmera à partir do centro da lente) é que estará focado a 2m de distância. Tudo que estiver fora deste eixo estará focado em distâncias proporcionalmente mais longas. Isto se deve ao fato de que o eixo focal da câmera é um plano, e não uma esfera.

Veja a ilustração abaixo (a área de DoF é apenas ilustrativa. O DoF se estende, normalmente, um terço antes do Plano Focal e dois terços após o Plano Focal).

Plano Focal

Perceba pelas medidas, que a distância de foco aumenta à medida que você se afasta do eixo óptico da câmera. Agora veja, abaixo, o que acontece quando você "gira" a câmera para recompor a cena (no exemplo abaixo, seria um deslocamento lateral para, por exemplo, colocar o "X" no terço esquerdo do enquadramento).

Plano Focal

Perceba que no momento em que a câmera é deslocada (bem como o eixo óptico), o plano focal move-se o suficiente para fazer com que o nosso Ponto de Foco (o centro do X) fique foca da área de DoF (Profundidade de Foco), fazendo com que fique fora de foco. Em resumo, o mínimo deslocamento já é suficiente para que o ponto de foco desejado já saia fora do ponto de foco mais preciso da câmera.

Um DoF mais profundo pode ajudar a minimizar este efeito, fazendo com o ponto de foco intencionado ainda fique dentro da área de foco aceitável. Mas, de qualquer modo, ainda estará menos nítido do que o ponto de foco preciso.

Como evitar o problema?

A resposta mais simples seria: não utilize a técnica, selecione manualmente e utilize um dos pontos de auto-foco de sua câmera para acertar o foco no ponto de interesse e fotografe. Mas a resposta não seria convincente, pois quanto menos pontos de auto-foco sua câmera tiver, menores serão suas opções de enquadramento e composição.

Então existem diversos fatores que podem minimizar o estrago feito pelo deslocamento no foco da sua imagem.

– Utilize aberturas menores, pois quanto menor a abertura (maior o número f ) maior será a profundidade de foco. Isto faz com que sejam maiores as chances do seu ponto de foco intencionado fique dentro da área do DoF. Utilizar abertura grandes, como f/1.8, faz com que qualquer movimento para recompor a cena seja o suficiente para jogar o foco dos olhos para a orelha.

– Utilize objetivas grande-angulares. Quanto menor a distância focal da objetiva, maior o DoF dela, e menor a chance do deslocamento tirar o ponto desejado do foco.

– Afaste-se do assunto fotografado. Quanto maior a distância entre a câmera e o assunto a ser fotografado, maior o DoF.

– Movimente a câmera o mínimo possível. Não use sempre o ponto AF central da sua câmera. Ao contrário, selecione manualmente o ponto AF mais próximo da área de foco intencionada no enquadramento desejado. Fazendo isto você terá de mover a câmera o mínimo possível para recompor a cena, o que minimiza a possibilidade de tirar o ponto desejada do foco.

– Escolha uma câmera com bom número de pontos AF. Quantos mais pontos, maiores são suas opções de composição sem a necessidade de recompor a cena após a obtenção do foco.

Este artigo não tem a intenção de fazer com que você deixe de utilizar a técnica. Mas sim de alertá-lo para as deficiências e limitações dela, de forma que você possa fazer de forma mais consciente as suas escolhas.

Grande abraço.

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Santos Pixels Batman! O Lightroom acabou com a minha foto!!

15/09/2008

Sei que eu havia prometido alguma coisa envolvendo a comparação entre os espaços de cor AdobeRGB e o sRGB. Mas como o material que preparei não está acessível no momento, resolvi trabalhar em cima de outro assunto mitológico: o Lightroom muda as cores das imagens em RAW que abro nele.

Falei uma vez, em outro lugar (mas ainda tocarei no assunto aqui): não existe imagem sem tratamento. Digo isto, simplificando no momento, pois para o computador interpretar sua imagem ele precisa de uma espécie de “tradutor”, que “ensina” o programa a converter dados binários do arquivo em uma imagem visível para você. Isto deixa duas opções para você… a primeira é configurar você mesmo como seu programa irá interpretar estes dados, a segundo é se orgulhar de dizer “eu não uso Photoshop em minhas imagens” e se contentar com as escolhas que os japoneses que fabricaram sua câmera fizeram ao contruí-la.

Caso você pertença ao segundo grupo, e fotografe em JPEG pois “a imagem fica melhor”, este texto não é para você, e o Lightroom não é para você. Utilize um gerenciador de fotos como o Picasa, ou o próprio gerenciador que acompanha sua câmera e seja feliz.

Caso você pertença ao primeiro grupo, já deve ter percebido (e se assustado) com o fato de que toda imagem que você abre no Lightroom surge por alguns segundos com cores lindas, saturadas e contrastadas, para então se transformar em uma imagem chapada e sem vida. Também já deve ter percebido que o programa que acompanhou sua câmera não faz o mesmo, e abre suas imagens lindas e não aplica nenhuma efeito para estragá-las, então concluiu que o Lightroom é um lixo, e que a Adobe, com inveja de suas fotos, resolveu aplicar um filtro automático, não desligável, que estraga suas imagens. Veja a imagem abaixo (foto da minha sacada), durante uns 3 segundos o LR (Lightroom) mostrou a primeira imagem, e então ela se transformou na segunda.

Olha que linda minha fot...

Olha que linda minha fot...

...damn You Lightroom!!!

...damn You Lightroom!!!

Não quero decepcionar você, de verdade, mas a verdadeira foto que você tirou é a segunda. Isto mesmo… as cores da sua imagem, o contraste e tudo mais, está mais próximo do real na segunda foto do que na primeira. O LR não aplica nenhum filtro na imagem, nenhum ajuste automático, ele simplesmente lhe mostra (diferente do software da sua câmera, na maior parte das vezes) a imagem em RAW que o sensor da sua câmera capturou.

Na real é complicado falar em “verdadeira imagem RAW”. O seu sensor fornece dados, não uma imagem, e para interpretar estes dados é necessário um “manual de instruções” que chamamos de Perfil (Profile) e fornece ao software instruções sobre qual tom de verde deve ser aquele píxel descrito como “10010100110010”. A sua câmera possui diversos destes perfis (aplicados internamente pelo processador da câmera em imagens JPEG), que possuem nomes “comerciais” como Picture Styles (Canon) ou Optime Image (Nikon), que normalmente variam com títulos como Paisagem, Retrato, Neutral e daí por diante. Cada perfil deste interpreta os dados do sensor de forma diferente, retrato reforça os vermelhos (para dar vivacidade à pele), o paisagem satura verdes e azuis (grama e céu), e o neutro é neutro, né? Não. O neutro é simplesmente uma série de escolhas feitas pelos engenheiros daquilo que “ELES” consideravam neutro. O processo é o seguinte: seu sensor (CMOS ou CCD) captura a luz, converte em dados (1s e 0s) RAW, e o processador interno da câmera utiliza o profile indicado por você (não existe algo como “conversão sem profile”… o profile sempre é necessário) para criar um JPEG da imagem (seja para salvar o JPEG e ignorar o RAW, ou seja para salvar o RAW, mas utilizar o JPEG para que você visualize a imagem no LCD da câmera).

O LR também possui perfis como este. Chamam-se ACR 3.6 e ACR 4.4 (ACR = Adobe Camera Raw), que são perfis “genéricos” que reconhece sua câmera e interpreta RAWs dela da forma mais “neutra” o possível. A Adobe não foi muito feliz com estes perfis, pois eles costumam deixar os vermelhos muito alaranjados/amarelados. Então ela lançou um novo chamado Adobe Standard Beta (para o Lightroom 2.0) para corrigir este problema.

Entendi esta parte. Mas se a câmera não aplica este perfil no RAW, o que isto tem a ver com a imagem em RAW que abro no Lightroom? Você não leu direito o penúltimo parágrafo, leu? Vou explicar.

A câmera não tem como mostrar para você uma imagem em RAW no LCD da câmera, pois o RAW são apenas dados não interpretatos. Assim sendo, a câmera é obrigada a anexar um JPEG de baixa resolução no arquivo RAW que ela salva para você, de forma que possa apresentar em JPEG no LCD e você visualizar a foto que fez. Para esta conversão ela utiliza o perfil que você definiu na câmera, o mesmo que utilizaria se fosse salvar um JPEG da sua imagem ao invés do RAW. Em resumo, todo o RAW feito por sua câmera acompanha um JPEG de pequena proporção para ser visualizado no LCD.

Aqui está o “pulo do gato”: quando o Lightroom abre sua imagem, ele utiliza o perfil JPEG para mostrar sua imagem rapidamente (enquanto, internamente, o processador processa os dados RAW, segundo o profile da própria Adobe, para sua visualização). Aqui surge a questão da “transformação”. Por alguns segundos você visualiza a imagem JPEG, com todo o pós-processamento da câmera aplicado (incluindo o perfil), até que a Adobe converta o RAW com seu perfil “neutro” e aplica na sua imagem. Como a tendência do perfil da câmera é sempre saturar as cores (coletivamente ou individualmente), a impressão que temos é que a primeira imagem é sempre mais “bonita” do que a imagem final (o RAW mais neutro).

Então por que o programa da minha câmera não faz o mesmo? Pois o programa da sua câmera (no caso da Canon, o Canon’s Digital Photo Professional) possui, não por coincidência, os mesmos perfis que sua câmera possui. Quando você importa um RAW da sua câmera para o PC o programa reconhece o perfil que foi utilizado nela e aplica o mesmo perfil na conversão do RAW. Em resumo, o programa faz com o seu RAW o mesmo pós-processamento que faria “in-camera” na produção do JPEG. A diferença é que o programa permite que você altere o perfil escolhido na câmera (ou seja, você pode fotografar com o perfil Landscape na câmera, ao importar ele aplicará o Landscape no programa, mas você pode alterá-lo para Portrait, Neutral e etc, sem problemas).

Como exemplo fotografei a vista de minha sacada mais uma vez. Só que desta vez configurei a câmera para fotografar em JPEG, e fiz a primeira foto utilizando o Picture Style (possuo uma Canon) Landscape, e o segundo com o Neutral. Veja o resultado, e compare com as imagens lá de cima, do antes/depois do Lightroom:

JPEG Perfil Landscape

JPEG Perfil Landscape

JPEG Perfil Neutral

JPEG Perfil Neutral

Viu só? O perfil da Canon que tenta “neutralizar” as cores se assemelha muito com o resultado do perfil padrão do Lightroom, e o JPEG com o perfil Landscape é exatamente o mesmo apresentado no Lightroom durante alguns segundos (enquanto ele interpreta o seu RAW).

Poxa, mas não seria mais fácil a Adobe fazer do mesmo jeito que o software da câmera faz? Temos dois problemas aqui. O primeiro é, por que você fotografa em RAW? Não é para ter uma imagem o mais neutra o possível? Então por que você quer ter uma imagem que se assemelhe ao JPEG que a câmera faz (cheio de pós-processamento decido pelo engenheiro que a projetou)? Você pode responder: para ter a opção de escolher o perfil de cor depois de ter feito a foto, e assim ter mais liberdade. Boa resposta.

O problema é que para fazer isto a Adobe precisaria de acesso aos dados e instruções de todos os perfis de cada marca de câmera desenvolvida, para saber como ele interpreta o RAW durante a conversão, e este perfil é meio que “segredo corporativo” de cada uma destas empresas. Se as empresas simplesmente “abrissem” seus perfis, isto daria chance às concorrendes de explorarem estes perfir e analizarem os segredos das imagens umas das outras. Sem estes perfis abertos, a Adobe precisaria fazer “engenharia reversa” para identificar o comportamento dos perfis, e isto não é lá muito ético de se fazer.

Assim, a forma como este perfil é reconhecido, dentro do RAW, pelo software é de conhecimento apenas do fabricante da câmera, e a Adobe não tem como fazer o LR reconhecer o perfil. Por isto opta por um perfil básico e neutro, até porque esta neutralidade no ponto de partida é uma das características pelo qual o RAW é útil.

Então sou obrigado a me contentar com perfil da Adobe se quiser usar o LR? Não, pois com o lançamento do Lightroom 2.0 a Adobe resolveu facilitar a vida de quem gosta dos perfis da sua câmera. Junto do novo perfil, o Adobe Standard Beta, ela lançou um pacote de perfis compatíveis com sua câmera (veja aqui). Basta baixar o arquivo e instalar. Quando você abrir um RAW o Lightroom irá identificar sua câmera e disponibilizar para você os perfis que você tem na mesma (no caso da Canon: Standard, Landscape, Portrait, Neutral e Faithful). Ele não consegue, ainda, reconhecer qual foi utilizado na fotografia (e irá aplicar o padrão do LR que é o ACR 4.4, a não ser que você mude), mas você terá a opção de alterar o perfil para se adequar ao seu gosto.

Se você utiliza sempre o mesmo perfil da câmera, pode simplesmente colocá-lo como perfil padrão do Lightroom.

Abaixo os perfis do Lightroom 2.0 que simulam os perfis da Canon EOS Rebel XTi/400D:

Adobe ACR 4.4

Adobe ACR 4.4

Adobe Standard Beta

Adobe Standard Beta

Canon Standard

Canon Standard

Canon Faithful

Canon Faithful

Canon Landscape

Canon Landscape

Canon Neutral

Canon Neutral

Canon Portrait

Canon Portrait

Devo lembrar que os “perfis” encontrados na câmera (Picture Style ou seja lá o nome) normalmente dizem respeito à mais parâmetros do que simplesmente a cor e a curva tonal. Normalmente dizem respeito também à configuração de nitidez, contraste e etc. No caso dos perfis do Lightroom, eles tentam simular apenas o comportamento de cor e curva tonal dos perfis das câmeras, não alterando nenhum outro parâmetro da imagem.

A conclusão disto é que o Lightroom não aplica alteração nenhuma em sua foto, diferente dos softwares que acompanham a câmera. Ele simplesmente analiza seu RAW e aplica o perfil genérico dele que tenta ser o mais “neutro” o possível no que se refere às cores. A transformação que você vê diz respeito ao fato do Lightroom utilizar o JPEG anexado ao RAW por alguns segundos para lhe apresentar um preview enquanto faz o preview definitivo da imagem.

Até a próxima.

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Alguns mitos sobre Fotografia Digital

11/09/2008

Existem diversos mitos sobre a fotografia digital. Alguns deles surgiram com o tempo e o desconhecimento dos leigos, enquanto outros surgiram de manipulações do mercado para facilitar a venda/marketing de seus produtos.

  • A melhor câmera é aquela com mais megapixels: de maneira simplista eu poderia dizer, é o contrário. Sendo mais específico, a qualidade de uma câmera depende de diversos fatores, entre eles a quantidade de megapixels. Primeiro, vamos limitar à “qualidade” apenas a questão de qualidade de imagem. Aceito isto, a mesma dependerá de diversos elementos, entre eles: a qualidade do sensor de imagem utilizado, o tamanho do sensor de imagem, a quantidade de sensores individuais dele, a distância e sensibilidade destes sensores, a construção da objetiva, seu tamanho, e qualidade de suas lentes.

Quando afirmei que a relação qualidade/megapixels é contrária, foi pelo seguinte. Se você tem duas câmeras identicas, com sensores de qualidades e tamanhos identicos, mas uma tem 5 megapixels e a outra 10, significa que os desenvolvedores da câmera tiveram de empurrar 5 milhões de sensores a mais no espaço aonde anteriormente haviam “só” 5 milhões. Isto acarreta em dois problemas… sensores menores, menos espaço entre os sensores. Sensores menores significam menor sensibilidade, e consequentemente o processador da câmera precisa ampliar o sinal capturado pelo sensor para gerar a imagem. (EDIT 22 de dezembro de 2008: o usuário Eduardo Buscarolli do fórum Digifórum me alertou que esta relação com o campo eletromagnético e etc. não existe, e que o aumento do ruído nos sensores de menor tamanho se dá ao foto do fotodiodo menor ser menos eficiente [menos sensível à luz] o que afeta a relação sinal/ruído. Então, correção feita.)

Ruído digital são pontos multi coloridos na imagem, principalmente em áreas de sombras. Diversas câmeras tentam “recuperar” a imagem reduzindo o ruído… mas como a câmera não tem como saber quais pontos coloridos são ruídos, e quais são simplesmente detalhes da imagem, muitos destes detalhes vão embora de carona com o ruído, afetando a qualidade da imagem.

Este pensamento é simplista, pois a cada novo sensor as empresas descobrem forma de reduzir o tamanho dos sensores individuais de modo que não afete a sensibilidade dos mesmos. Desta forma tudo se torna uma relação de equilíbrio, a qualidade da imagem e captura dos detalhes irá melhorar a medida que aumenta-se os megapixels, até o momento em que satura o espaço/sensibilidade dos mesmos no sensor e a imagem, daí para frente, começa a degradar.

Os fabricantes respeitam este princípio? Nas linhas de câmeras mais profissionais, sim… mas o mesmo não vale para as linhas mais básicas. Os fabricantes sabem que a maioria das pessoas, ao invés de comparar as imagens produzidas com determinadas câmeras, simplesmente querem saber quantos megapixeis e quanto de zoom a câmera possui. Assim sendo, é mais interessante para eles empurrar a maior quantidade de pixels no sensor, mesmo em detrimento da qualidade da imagem como um todo. Até aonde isto importa, eu não sei, principalmente porque a maior parte do público destas câmeras compram máquinas com 5, 8 ou 10 megapixels para utilizar suas imagens em sites de internet, e-mail e orkut.

Distância Focal 50mm
Distância Focal 50mm

Zoom óptico de Yx significa que a câmera aproxima em Y vezes a imagem. Existem dois erros aqui. Primeiro associar “zoom” diretamente com a “aproximação/ampliação” da imagem. O termo zoom significa que a distância focal da objetiva é móvel, e pode variar. A sensação de aproximação/ampliação do objeto fotografado esta ligada a distância focal da objetiva, que não precisa necessariamente ter zoom. Uma das objetivas da Canon com maior fator de aproximação/ampliação possui 1.200mm de distância focal, e seu fator de aproximação/ampliação é tão grande que ela não consegue focar em nada que esteja a menos de 14 metros de distância dela.

Distância Focal de 1.200mm
Distância Focal de 1.200mm

Veja as imagens ao lado para comparar a aproximação/ampliação de uma lente com 50mm de distância focal, e este monstro de 1.200mm (a área aproximada pela 1.200mm está destacada em cor na foto com a 50mm). Fonte das imagens.

Agora. Você tem idéia de quanto é o zoom deste monstro? Nenhum.
Ela não tem zoom. É o que chamamos de lente prime, ou fixa.

Agora é necessário compreender-se que quando alteramos a distância focal de uma objetiva, não estamos “aproximando” o objeto (a única forma de fazer isto é, de verdade, andando até ele). O que fazemos (ou melhor, a lente faz), é reduzir o ângulo de visão que temos (ou seja, a área visual captada pela lente) e assim criando a sensação de que estamos “nos aproximando” do objeto fotografado. A distância focal não afeta apenas o “tamanho” dos objetos… se você visualizar um objeto com uma lente com uma grande distância focal e depois, com uma lente com pouca distância focal, se aproximar do objeto até que ele tenha o mesmo tamanho que tinha na lente com maior distância focal, você poderá verificar que a relação entre os tamanhos dos objetos da cena, a perspectiva, e tudo mais será afetado pela mudança na distância focal. (Quanto maior a distância focal da objetiva, mais “chapada” fica a imagem, e menor a diferença de tamanho entre os objetos que estão em planos diferentes da cena).

Vamos comparar agora duas lentes zoom: a antiga câmera Sony F828 possui zoom óptico de 7x, fornecido por sua objetiva que equivale (em termos de filme 35mm) à 28-200mm (200/28 = 7.14). A Canon produz uma objetiva zoom para suas câmeras dSLR que, em câmeras de sensor menor como a XTi/XSi/40D e etc…, equivale a uma distância focal de 120-480mm (480/120 = 4). Se você colocar ambas no zoom máximo e fotografar um objeto distante verá que a Canon, com seus 480mm, aproximará muito mais o objeto do que a Sony, com seus 200mm, mesmo que o zoom da Sony seja de 7x, comparados com os 4x do zoom da Canon.

Conclusão. Quando se fala em zoom óptico de tantas vezes, este tantas significa muito mais o “range (distância entre a menor e maior distância focal da objetiva)” do que o fator de ampliação/aproximação dela. É um fator comparável quando se fala em câmeras com lente fixa (não cambiável), pois normalmente a distância focal mínima delas é próxima (entre 25 e 35mm), mas não serve para comparação das objetivas para dSLR pois elas possuem distancias focais mínimas variáveis (e por isto os fabricantes sequer tocam neste assunto nas dSLR).

Por isto cuidado quando comparar câmeras simples às dSLRs utilizando apenas o multiplicador do zoom. Ou, melhor ainda, não compare câmeras simples com dSLRs… é como comparar peixes e aves.

Em um próximo post falarei do mito: espaço de cor AdobeRGB possui mais cores do que o espaço sRGB.