Archive for the ‘Imported’ Category

h1

Muito além do "Felizes para Sempre".

21/09/2005

Quando o gato gordo e sorridente surge é caos na certa no País das Maravilhas. O Chapeleiro Maluco, confuso, não sabe o que fazer enquanto a Rainha de Copas grita em histeria “Cortem a cabeça, cortem a cabeça!!”. Alice toma a poção de encolher e sai de cena.

Confusão no palco, jaz um corpo nos camarins,
os atores se entre olham esperando suas deixas.

A mocinha é sempre a mesma, servil e trabalhadora, amável e encantadora. Mas é depois do “Viveram Felizes para Sempre” que cai a cortina e se tiram as máscaras, o principe vira bobo-da-corte, a mocinha pobre vira princesa, atazana a criadagem e só quer saber de passear de carruagem.

Confusão no palco, jaz um corpo nos camarins,
os atores se entre olham esperando suas deixas.

Mickey e Minie, Donald e Margarida, eternos casais nunca casados.
Nunca vivendo “Felizes para Sempre” para sempre.

Confusão no palco, jaz um corpo nos camarins,
os atores se entre olham esperando suas deixas
As luzes se apagam para confusão dos espectadores,
só resta silêncio e máscaras sorridentes.

h1

You Got a Fast Car

22/08/2005

Todos os dias, excluindo-se sábados, domingos e feriados, eu cruzo como pedestre uma das mais movimentadas avenidas de Florianópolis, a Paulo Fontes. A Prefeitura, numa atitude duvidosa, realocou o Terminal de Ônibus Integrado de Florianópolis em um ponto da cidade em que os milhares de usuários do sistema são obrigado a atravessar tal avenida para ir, sem exceção, a qualquer lugar de Florianópolis (salvo talvez, um lanchinho dentro de uma das biróscas dentro do próprio Terminal).

Mas, independente da escolha do Secretário de Obras, a avenida em si tem todo o aparato necessário para ser cruzada com segurança: larga faixa de pedestres, semáforos, pardais e um canteiro central tão amplo que, não duvido, logo vire um camelódromo.

Mas, mesmo assim, diariamente milhares e milhares de pessoas arriscam suas vidas por uma pressa tão irreal quanto a que faz passageiros do ônibus levantarem e dirigirem-se para as saídas assim que cruzam a ponte, 7 minutos antes de chegarem ao terminal. Ou seja, atitudes desnecessárias em troca de 30, 40 segundos.

Não consigo imaginar justificativas pelas quais as pessoas se arrisquem, em troca dos tal 30 segundos, se recusando a respeitarem a mais básica e simples lei de trânsito. O semáforo.

É simples mas, em caso de você, leitor, morar em planeta diferente do meu (ou ainda, me corrigir, vai numa dessas que quem nunca entendeu o sistema fui eu), eu vou explicar. O tal objeto possui três luzes sinalizadoras, nas cores verde, vermelho e amarelo e são colocados de forma que se voltem ao sentido de movimento dos veículos e não dos pedestres. As luzes se acendem, uma por vez (nunca acendendo duas simultaneamente) na ordem: verde, amarelo, vermelho e então retornando à verde. A verde indica aos veículos que eles podem transitar normalmente, o vermelho, que eles devem parar, permitindo à livre passagem dos pedestres. E o amarelo causa uma confusão horrível na cabeça das pessoas… o pedestre acha que o carro deve parar e atravessa, e o motorista acelera acreditando que é a sua última chance de ultrapassar o semáforo. Ainda acho que alguns crêem que uma vez fechado, ele nunca mais se abrirá novamente, caso sério de autismo.

Não é complicado, é?

Outro fato importante… se a luz está vermelha para os carros mas não há pedestres passando, isto não significa aos motoristas que eles podem transitar livremente, já que o pedestre ao ver o sinal vermelho, automaticamente considera livre sua passagem… o motorista respeita isto. Então, por que diabos? O pedestre não consegue respeitar regrinha tão sutil e simples? Insistindo em arriscar-se pelos 30 segundos correndo entre as menores brechas possíveis numa anedota cretina do jogo Freeway do Atari, no qual o jogador devia ajudar um frango à atravessar a rua?

Será que um vírus transmissor de um tipo diferente de daltonismo invadiu a cidade? Se o vírus transmitisse retardo mental ele explicaria não só este problema, como muitos outros que assolam a cidade.

Será que os signos escolhidos para controlar o tráfego foram mal escolhidos? Quem sabe junto do semáforo, para facilitar o entendimento das pessoas, no melhor estilo: “Querem agir como animais? Então serão tratados como animais.” devemos adotar cancelas nas faixas de pedestres, e um ou outro polícia vestido de espantalho, armado e “tudo pelo bem estar da população”?

Realmente é incompreensível. Como se os 30 segundos fossem fazer alguma diferença na âmbito geral das coisas… quer saber? Acorda mais cedo.

E eu fico ali, aproveitando a sombra ao som do CD da Tracy Chapman que toca diariamente “You got a fast car (Você possui um carro veloz)”. Coincidência?

h1

Será o cheiro do Caos??

21/12/2004

As empresas de ônibus de Florianópolis deram os estudantes por vencidos. Tudo conforme planejado mal se iniciam as férias escolares e lá está o aumento da tarífa de ônibus… as empresas pedem 15%, o poder judiciário libera 6%, as empresas questionam a competência do poder judiciário de decretar o aumento, dizem que cabe ao governo municipal (que é, visivelmente, comunhado com as empresas de transporte).

Eis então que acontece o inexperado. Plenas férias, véspera de natal, Florianópolis lotada para as compras de última hora, lá estão eles novamente… sentados no chão de asfalto quente, suportando o calor e enfrentando os carros. Os jovens estão lá denovo… deixaram suas praias, suas festas e suas farras, para enfrentar mais uma vez os peixes, ester muito maiores do que eles, das empresas de ônibus.

Enquanto todos olhamos o trenó do Papai Noel levar nosso 13° salário, e sentamos conformados no colo do velhinho capitalista, armam-se esquemas às nossas costas… somente ao iniciar o novo é que nos damos conta que o pêru que levamos, é bem maior do que o qual pagamos.

h1

Tao Te Ching

09/11/2004

“Trinta raios convergentes no centro tem uma roda,
mas somente os vácuos entre os raios é que facultam o seu movimento.

O oleiro faz um vaso, manipulando a argila,
mas é o oco do vaso que lhe dá utilidade.

Paredes são massas com portas e janelas,
mas somente o vácuo entre as massas lhes dá utilidade
Assim são as coisas físicas, que parecem ser o principal,
mas o seu valor está no metafísico.

………………………………………………………….

Uma de minhas passagems favorita do livro Tao Te Ching escrito pelo filósofo chines Lao Tsé e que é muito importante para o Zen e para o Taoísmo. O livro, em suas cerca de 5.000 palavras divididas em 81 poemas, teria sido escrito a pedido de Yin Hsi pouco antes de Lao Tsé partir para sempre da China. No dia seguinte, conta a lenda, Lao Tsé deixou para sempre a China, montado em um búfalo, para nunca mais ser visto. Dizem que vive até hoje em comunhão com a natureza.

O Tao é um livro imutável ao mesmo tempo que mutante. É um livro eterno, ao mesmo tempo que volúvel como o orvalho. Sempre se retorna ao Tao, e cada leitura dele mesmo é uma nova leitura de um mesmo livro ainda que diferente. Sua poesia evolui com o leitor cada vez que é lida… é um livro que muda o leitor, e indiscutivelmente o leitor então muda o livro. É um livro de cabeceira.

“Folhas caindo
tocam-se umas nas outras;
a chuva toca na chuva.”

h1

ISO 9001

05/10/2004

3 mêses de namoro… e a mina já pede ao cara que coloque uma aliança no dedo. Certificado de “eu já tenho dona” na esperança feminina de que o tal “selo” seja respeitado por outras fêmeas da mesma espécie. Ledo engano.

Aos olhos das fêmeas a aliânça se assemelha à um selo do ISO 9001… um certificado de qualidade garantida, afinal o bôfe já tem dona e esta não quer perdê-lo. A mulher olha um homem com aliança no dedo e logo surgem as dúvidas: “O que ele tem?”; “Será que é rico?”; “Ele nem é tão bonito assim.”. Se o cara for feio então, e pobre, de cara isto elimina as possibilidades mais prováveis e limita à apenas uma: “O cara é, sem dúvida alguma, bom de cama… senão não estaria comprometido”.

Outro ponto relevante é o fato de que, quanto mais bonita a namorada, mais o “anél” alvoroça as moçoilas, atiçando ainda mais seu espírito de competição… afinal, ficar com o bôfe de uma mina bonita é se colocar em um patamar acima do dela (ao menos na cabeça da moça).

E logo o tiro sai pela culatra… a fêmea alpha coloca a coleira em seu macho e logo descobre que perdurou no dedo dele a isca certa para atrair as concorrêntes. Assim, nunca cante vantagem sobre o seu homem… nunca faça propaganda demais… e nunca, nunca mesmo, pendure no dedo dele a garantia de que ele não está sozinho.

E cá ficamos nós, homens, meras peças num jogo de competição entre as fêmeas deste planeta, servindo simplesmente de troféis e prêmios para cada uma atiçarem cada uma de suas amigas.