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Panorâmicas

28/03/2009

Quem frequenta meu Flickr já deve ter visto algumas panorâmicas que eu fiz. Adoro panorâmicas, pois elas são uma ótima forma de representar a amplitude de uma bela paisagem, e acima de tudo não são difíceis de se produzir. Na verdade, boa parte do segredo de uma boa panorâmica está na captura, já que a montagem é quase toda feira pelo Adobe Photoshop.

Outro problema que pode surgir é o tamanho da foto, que dependendo da potência da sua máquina pode ficar difícil de ligar, exigindo que você reduza um pouco o tamanho através do comando IMAGE SIZE.

A imagem abaixo é uma das imagem que postei no Flickr, foi uma das maiores panorâmicas que já fiz, produzida com 18 fotos. Clique nela para ver o maior tamanho que consegui enviar para a internet (6725 x 640 pixels), mas o tamanho final da imagem é 26.331 x 2.506 pixels.

Vamos falar um pouco dos segredinhos de uma panorâmica:

  • Por mais que seja perfeitamente possível “na mão”, o ideal é utilizar um tripé. Um tripé que tenha um medidor de nível é ainda melhor. O menor erro no nível pode fazer com que seu horizonte entorte um pouco… e um horizonte “um pouco” torto em uma imagem de 25.000 pixels de largura parece o mundo caindo. Um controle remoto ou o timer da câmera também serão bem vindos.
  • Defina a amplitude da imagem (onde você irá começar, o onde irá terminar), feito isto, escolha o ponto mais importante da cena, aquele que você quer que fique ideal, pois é nele que você irá concentrar a fotometria.
  • É nas panorâmicas que o modo manual torna-se uma ferramenta indispensável. Se você não utilizar o manual, a sua câmera irá tentar fotometrar cada uma das cenas e você acabará com diversas imagens com níveis de luminosidade diferentes. Com a câmera enquadrando a parte mais importante da imagem (leia o tópico anterior), coloque-a no Manual e fotometre a cena. Você não mexerá na fotometria durante toda a captura, não importa o quanto o fotômetro diga que está sub ou super-exposto.
  • Enquadre uma área maior do que realmente irá utiliza. Na hora de fazer a fusão você irá perder parte da imagem para fazer o crop.
  • Como você está utilizando o tripé (eu espero), de preferência por aberturas mais fechadas, para reduzir o problema do foco na panorâmica e ter um DoF maior.
  • Ajuste o foco, utilizando o automático ou o manual. Mas antes de iniciar a captura coloque o foco no modo manual, para evitar que diferentes partes da imagem fiquem com foco diferente.
  • Utilize um parassol em dias de sol. Poucas coisas assassinam uma panorâmica tão rápido quanto um flare. Ele irá surgir em apenas algumas das capturas, e irá alterar toda a relação de contraste na cena. Moral da história, parte da sua panorâmica ficará completamente diferente das outras.
  • Comece pela primeira foto e a cada captura vá girando a câmera um pouco. O ideal é deixar cerca de 20% da imagem sobreposta (ou seja, 20% da imagem anterior (1/5) deve aparecer também na próxima imagem) para o programa trabalhar.
  • Evite objetos em planos muito diferentes (fotografar uma paisagem, e incluir na panorâmica uma árvore ou escultura muito próxima de você). Se você o fizer, cuide para que este objeto em primeiro plano não fique na área de emenda da imagem. Se ele ficar, é provável que o plano de fundo acabe parecendo emendado de forma incorreta, como se não tivesse continuidade.

Capturadas as suas imagens, basta abri-las no Lightroom ou diretamente no Photoshop. Eu recomendo importá-las no Lightroom primeiro:

  • Escolha uma das imagens, de preferência aquela que você utilizou para fotometrar a cena. Vá para o módulo DEVELOP e faça um tratamento básico nela. Evite aplicar Sharpen na cena neste ponto, pois o Sharpen pode atrapalhar a fusão das imagens. Faça o White Balance e demais ajustes.
  • Feito os ajustes, você não tomou todos aqueles cuidados na hora da captura para deixar as imagens diferente na hora do tratamento, né? Então, ainda na mesma imagem e no módulo DEVELOP, pressione o botão COPY… na coluna de painéis esquerda. Selecione todas as caixas de verificação (ou pelo menos todas as que você alterou no tratamento).
  • Volte para o modo Grid (pressione “G”), selecione todas as imagens da panorâmica e clique nelas com o botão direito do mouse. Selecione DEVELOP SETTINGS > PASTE SETTINGS, assim você garante a mesma configuração para todos.
  • Selecione novamente todas as imagens da panorâmica, clique com o botão direito e selecione: STACKING > GROUP IN A STACK. Isto irá ajudá-lo a organizar melhor as fotos, já que elas serão empilhadas. Caso você esteja vendo uma foto apenas após empilhar, dê um duplo clique no número no canto superior direito da foto para abrir a pilha.
  • Selecione todas as fotos da pilha, clique com o botão direito e selecione: EDIT IN > MERGE TO PANORAMA IN PHOTOSHOP.

Certo, agora estamos no Photoshop. Caso você não utilize o Lightroom. Abra o Photoshop e selecione AUTOMATE > PHOTOMERGE. Você abrirá a mesma caixa de diálogo que o Lightroom abre com o MERGE TO PANORAMA IN PHOTOSHOP. A diferença é que o Lightroom abre o diálogo já com as fotos nele. Abrindo diretamente no PS você terá de selecionar o botão BROWSE e selecionar as imagens que irá utilizar.

Deixe a opção LAYOUT em AUTO (depois, teste as opções uma por uma para ver as diferenças. Mas recomendo fazê-lo com imagens menores, 4 ou 5 imagens, para testar). Deixe as outras opções no padrão e clique OK.

Depois de algum tempo o Photoshop irá abrir a sua panorâmica.

Na maior parte das vezes ele irá montar muito bem a imagem, sem emendas visíveis. Caso fiquem emendas visíveis você tem duas opções. O Photoshop não recorda nenhuma de suas imagens, ele cria máscaras nas layers. Então basta você selecionar estas máscaras e manipulá-las. Ou então achate as layers da imagem e utilize as ferramentas Clone e Healing para cobrir as emendas.

Por último, você terá de executar um tratamento final na imagem (o que é um desafio, principalmente para sua CPU, quando sua imagem tem mais 20.000 pixels de largura), e utilizar a ferramenta CROP para remover as partes extras na imagem. Neste processo é que você irá agradecer o espaço deixado na hora da captura, pois com a fusão você perderá parte da imagem. Em algumas situações, você não precisa cortar tanto (deixando uma área de transparência) e cobri-la com a ferramenta Clone. O céu é um bom exemplo deste tipo de situação.

Como eu disse, o processo de fusão é relativamente simples, a maior parte dos segredos e macetes está na boa captura. Quando a captura é boa, você tem grande chance de ter um bom resultado quase automaticamente no Photoshop.

Em um próximo artigo falarei de máscaras de layers no Photoshop. Um assunto bastante interessante e levemente complexo.

One comment

  1. Cara, a objetiva deve estar na sua menor amplitude, certo? No caso de uma 28-80mm, ela deve estar em 80?



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