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Importação e Workflow no Lightroom 2

06/11/2008

O Lightroom é um grande software, mas sua funcionalidade é diretamente proporcional ao quão organizado você é ao utiliza-lo, e esta organização muitas vezes depende de como você começou e da sua capacidade em configurá-lo de forma a se adequar melhor ao seu próprio fluxo de trabalho. Não que você não possa corrigir “erros” que tenha cometido na configuração, mas é sempre mais fácil começar direito do que tentar corrigir depois.

Por isto escrevi este artigo. Claro que meu workflow não se adapta a forma de todos de trabalhar, mas serve como um ponto de partida para quem abre o Lightroom e se sente perdido com a quantidade de opções que o programa oferece.

Começando do Começo

Claro que começo instalando o Lightroom, mas logo após instalá-lo eu instalo também o pacote de perfis da Adobe (falei sobre eles aqui). Para uma configuração inicial recomendo os seguintes passos: (1) decida se você irá utilizar o catálogo original do Lightroom ou não, caso não, crie um novo catálogo; (2) crie uma pasta que será onde você irá armazenar suas fotos do LR, é recomendado que todas as fotos gerenciadas pelo LR estejam em uma mesma pasta (podem haver subpastas, mas a raiz deverá ser a mesma). Ter fotos gerenciadas pelo LR espalhadas por todo o computador é pedir por problemas no futuro; (3) pegue sua câmera e fotografe qualquer imagem em RAW, utilizaremos ela para fazer uma primeira importação e configurar o LR.

Ao abrir o LR vá ao menu EDIT >> PREFERENCES, e na aba PRESETS ative a opção “Store Presets with Catalog” que está na seção Location. Isto é muito útil caso você tenha o hábito de formatar seu computador com frequência, pois suas pré-definições (develop, export e etc.) estarão todas na mesma pasta de seu catálogo e não se perderão. Esta opção só não é recomendada caso você gerencie um número muito grande de catálogos.

Feito isto, vamos importar nossa primeira imagem, para organizar as coisas (vamos deletá-la depois, ok? Então não se preocupe com qual imagem, se necessário fotografe qualquer coisa e utilize a imagem. Dê preferência por RAW). Conecte sua câmera ao computador, ligue-a e abra o LR. No módulo LIBRARY do LR, na parte de baixo da coluna de painéis da esquerda, pressione o botão IMPORT, na caixa de diálogo que surge escolha sua câmera, e isto abrirá o diálogo Import Photos.

workflow_01

Vamos analizar minhas escolhas nesta janela, pois ela é fundamental para sua organização no LR:

FILE HANDLING: Aqui eu opto pela opção “Copy Photos as Digital Negative (DNG) and Add to Catalog”. A razão disto é a seguinte. Primeiro, é importante copiar suas imagens, pois assim elas vão parar na pasta que você quiser e ajudará a manter todas as imagens na mesma pasta. Segundo, o DNG é um arquivo com as mesmas características e qualidades do RAW, só é mais leve (cerca de 20%) e é um formato aberto (open source), o que significa que sua documentação é pública, diferentemente dos formatos proprietários. Você pode perguntar, mas pô, vou perder meus arquivos originais? Não, veremos isto a diante.

COPY TO: Aqui você definirá a parta para onde o LR copiará suas imagens. Você deve colocar aqui aquela pasta que criou, onde decidiu armazenar suas fotos gerenciadas pelo LR.

ORGANIZE: Aqui é que o LR começa a lhe ajudar a organizar suas coisas. Você configura aqui como o LR irá gerar e administrar suas pastas com base no EXIF de suas imagens. Aqui eu opto pela configuração “By date: 2005/12/17”, isto faz com que o LR crie, dentro da pasta raiz que escolhi, uma subpasta com o ano, dentro desta subpastas com os meses, e finalmente subpastas com os dias. Isto facilita pois as fotos ficam organizadas por datas (facilitando a localização delas), as pastas aparecem em ordem numérica (então ficam organizadas em ordem cronológica) e evita que fiquem zilhões de fotos na mesma pasta, o que deixa a utilização do LR mais leve.

Deixo ativada também a opção “Don’t Re-import Suspected Duplicates”, para que o LR não importe fotos que ele já tenha importado anteriormente, caso elas ainda estejam no cartão de memória da câmera.

BACKUP TO: Esta parte é importante. Aqui eu aciono esta opção e direciono-o a para uma pasta em outro HD da minha máquina (fazer backup no mesmo HD é problemático, pois se o HD der pau você perde tanto as fotos de trabalho quanto o backup). Assim o Lightroom faz uma cópia dos RAW originais, no formato proprietário da câmera, em uma pasta separada. Como irei deletar as fotos ruins importadas no LR, isto permite que eu tenha uma cópia de todas as fotos que produzi em outra pasta, boas ou não. De tempos em tempos em gravo os arquivos desta pasta em DVD.

FILE NAMING TEMPLATE: Na configuração padrão o LR irá importar suas fotos com o mesmo nome gerado pela câmera… algo ‘descritivo’ como DSC_0234.CR2. Eu prefiro um nome mais descritivo, então vou no menu e seleciono a opção EDIT. Isto abre uma janela onde você pode criar seu template de nome com base nos dados do EXIF da imagem. Você monta a nomenclatura escolhendo opções nos menus do diálogo, cada opção escolhida adiciona uma TAG no campo de texto, algo como {DATE (YYYY)>>} que significa, neste caso, que a tag será substituida pelo ano, com quatro dígidos, que se encontra no EXIF da foto. Eu monto o template abaixo:

workflow_02

Isto me fornece um nome de arquivo cronológico e compreenssível. Perceba que alguns caracteres, como as “_” entre as datas e o “h”, “m” e “s” após as horas foram adicionados manualmente. Basta clicar ao lado da tag e digitar. Assim você pode misturar as tags à textos inseridos manualmente. Há ainda a TAG “Custom Text”, que permite que você adicione um texto no campo que irá surgir no diálogo Import Photo sempre que importar fotos.

DEVELOP SETTINGS: Este é um campo importante, que permite que você aplique um preset de tratamento em todas as fotos importadas, mas por enquanto não podemos fazer nada aqui pois não temos nenhum preset definido ainda. É para isto que iremos importar esta primeira imagem, para gerarmos um preset que será adicionado aqui nas próximas importações.

METADATA: Este campo permite que você crie (selecionando NEW ou EDIT PRESETS) modelos de dados com seus nome, identificação, endereço, dados autorais e de contato, e aplique estes modelos em todas as fotos importadas. Eu tenho dois modelos registrados aqui, um meu e outro de minha noiva, que são aplicados conforme quem tirou as fotos.

KEYWORDS: Este é um campo que você irá alterar sempre que for importar fotos. Aqui você pode adicionar palavras chaves mais genéricas que tenham relação com todas as fotos que estão sendo importadas.

INITIAL PREVIEWS: Esta opção eu deixo em STANDARD para agilizar a importação. Não preciso ter o preview de todas as fotos pois irei deletar várias que ficaram ruins, sem nem vê-las em zoom total. Caso você veja todas as fotos em zoom total, selecione 1:1, vá tomar um café enquanto o LR importa suas fotos, e ao voltar todas elas poderão ser vistas rapidamente em zoom 1:1.

Agora é só clicar IMPORT e ver sua(s) foto(s) importadas no LR.

Depois de Importar

O próximo passo será utilizar a foto que importamos para criar um preset de tratamento básico e configurar um padrão para o LR. Selecione sua foto, e então clique no módulo DEVELOP.

Sem mexer em nada na foto desça a coluna de painéis direita até o final e abra o painel CAMERA CALIBRATION, onde está PROFILE eu seleciono o perfil ADOBE STANDARD BETA 1, que é um perfil muito melhor que o original ACR da Adobe, renderizando os vermelhos e amarelos de forma mais realista. Mas você pode escolher um outro perfil disponível, caso ache melhor.

Depois de feito isto, eu seguro a tecla ALT, e perceba que o botão RESET abaixo do painel se transforma em SET DEFAULT. Clicar nele, e depois na opção UPDATE TO CURRENT SETTING faz com que o LR aplique este padrão de tratamento (no caso, apenas a mudança para ADOBE STANDARD BETA) a todas as imagens importadas desta mesma câmera. (O LR faz tratamentos básicos diferentes para cada modelo de câmera).

Agora eu clico com o botão direito do mouse sobre o cabeçalho do painel (onde está escrito Camera Calibration) e seleciono Camera Calibration para remover este painel, não vou mais precisar dele, então ele só ocupa espaço. Outra coisa que opto é a opção “Solo Mode” (exceto o Histogram). Assim só um painel abre por vez, e fica mais fácil navegar entre eles, pois um fecha quando outro abre.

Feito isto, dou um tratamento básico na foto que acredito que será necessário em todas as fotos. Não mexo na seção TONE ou WB painel BASIC, pois os tratamentos deles são meio específicos de foto para foto, mexo apenas nos tratamentos mais genéricos. Para a minha câmera, Canon Rebel XTi, mexo nas seguintes configurações.

No painel BASIC, subo o Clarity para +25 (o que aumenta o contraste dos meio-tons da imagem, e aumenta a nitidez), Vibrance +15 (aumenta a saturação das cores menos saturadas e preserva os tons de pele). No painel DETAIL, em Sharpening, subo o Amount para 60, Radius em 0.5, Detail em 30 e Masking em 10. Considero esta uma quantia bem básica de nitidez que funciona para quase todas as fotos. Geralmente reduzo, posteriormente, em caso de retratos.

Agora basta ir no painel PRESETS, na coluna de painéis da esquerda, e clicar no botão “+” para criar um novo preset. No diálogo que surge lembre-se de selecionar apenas aquelas itens que você mexeu e quer registrar no preset. A vantagem de fazer isto é que você pode aplicar o mesmo preset em uma imagem que já tenha outras alterações (como alterações nas altas luzes, sombras, curvas e etc.) mexendo apenas nas configurações desejadas (como se acumulassem, sobrepusessem, os presets). Dê um nome em seu preset, pois você irá aplicá-lo lá no campo DEVELOP SETTINGS do diálogo Import Photos. Lembre-se de fazer isto na próxima importação.

Você pode se perguntar, por que não fazer as alterações que fiz no PRESET diretamente na opção SET DEFAULT, como fiz com o perfil Adobe Standard Beta? A resposta é a seguinte. A mudança do perfil é uma escolha entre melhor e pior, não varia de foto para foto, na minha opinião o perfil ASB1 é melhor que o ACR e pronto. Já as outras mudanças podem não ser as ideais para algumas fotos… isto posto, ao encontrar uma destas fotos, posso pressionar o botão RESET no módulo Develop e retornar às configurações básicas do LR (muito menos agressivas que as minhas), garantindo apenas o uso do perfil Adobe Standard Beta. Por isto estas alterações em locais diferentes. Clicar no botão RESET sempre retorna para aquilo que você definiu como SET DEFAULT. Então tenho todas as minhas fotos com o tratamento básico, apenas a um clique de distância de um tratamento menos agressivo com o perfil que quero.

Preparativos Feitos

Tudo pronto, posso deletar a imagem que acabei de fazer e então importar as minhas fotos de verdade. Seja diretamente da câmera ou de algum lugar em seu computador. Só não esqueça de aplicar seu preset na opção DEVELOP SETTINGS da janela Import Photos do LR. Esta janela registra suas configurações, então sempre que você importar elas estarão ali, disponíveis, de forma que você só precisa apertar o IMPORT.

Fotos Importadas

Uma vez importadas as minhas imagens, eu vou no módulo LIBRARY, dou um duplo-clique na primeira foto para vê-la maior e utilizo as teclas de seta para me mover entre as fotos. Vendo as fotos, vou aplicando uma bandeira de REJECTED (tecla de atalho “X”) em todas as que estão tão ruins que irei deletá-las. Aplico uma bandeira de PICK (atalho “P”) em todas que acho que se destacam, aquelas realmente boas. Ao terminar de ver as fotos pressiono o atalho “G” para retornar à visualização GRID. (Este é um atalho muito útil, pois ele retorna ao módulo Library, e à visualização GRID, de qualquer lugar em que você estiver no LR, em qualquer módulo).

Ao terminar de ver todas as fotos vou no menu PHOTO >> DELETE REJECTED PHOTOS, para deletar todas as fotos bandeiradas com Rejected (não esqueça que temos uma cópia destas fotos, para ser gravada em um DVD, na pasta de backup). Agora, na visualização GRID, eu clico na opção ATTRIBUTE do Library Filter (no topo da visualização GRID) e pressiono a bandeira branca para visualizar apenas as fotos bandeiradas como PICK.

Na coluna de painéis da esquerda há um painel chamado COLLECTIONS, ali eu criou uma nova coleção com o evento das fotos. Algo como “Aniversário do Fulano”, “Show da Banda Zemberts” e por aí vai. E coloco ali apenas as PICKS, minhas melhores fotos daquela sessão de fotos. Assim posso buscar minhas fotos por datas no painel Folders, ou as melhores, por evento, no painel Collections.

De volta ao painel Folders eu removo a bandeira branca do Library Filter para ver todas as minhas fotos. Vou passando por cada uma delas novamente aplicando Keywords a elas. Quando tem uma keyword que será aplicada a várias, utilizo o Spray que está na parte de baixo do Grid, escolho a palavra chave desejada e a “borrifo” nas fotos. Assim, rapidamente, aplico keywords às fotos. Caso tenha tempo, também aplico um título e uma caption nas fotos, no painel Metadata… mas normalmente só faço isto com as fotos que enviarei para o Flickr (pois o plugin de envio automático para o Flickr utiliza estes campos como referência para o título e legenda da foto no Flickr).

Agora, é tratar as fotos. Na pressa, trato apenas aquelas que estão na coleção (as PICKS), mas com tempo trato todas as que tenho na pasta. Assim minha coleção vai ficando organizada, facilmente pesquisável, e com um workflow definido consido trabalhar bem rápido no LR.

Espero que vocês tenham gostado do artigo, e que possam atravez dele mostrar seu próprio fluxo de trabalho e adequá-lo às suas necessidades.

2 comentários

  1. Excelente tutorial =)


  2. Ao importar fotos do disco, elas aparecem em branco no LR. Porque será?



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