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Temperatura da Cor

04/09/2008

De todos os nossos sentidos, nenhum depende tanto do processamento feito pelo cérebro e interpretação quanto a visão. Nosso sistema ocular é uma máquina incrível, mas está longe de ser desprovida de falhas. Em primeiro lugar a imagem captada por nossos olhos é invertida, a periferia da visão possui poucos cones e a visão de cores é prejudicada nesta área, e em um determinado ponto do olho, onde o nervo ótico se conecta ao globo ocular, existe uma área completamente desprovida de cones e bastonetes que denominamos de ponto cego.

Assim sendo, nosso cérebro, uma máquina incrível de processamento, precisa primeiro inverter a imagem. Depois, com base em experiências pregressas e associação, ele “colore” as áreas da periferia da visão e, finalmente, utiliza as texturas e cores disponíveis na área ao redor do ponto cego para “cobrir” esta área, pois do contrário teríamos um ponto negro em nossa visão (você pode encontrar diversos testes em livros e internet mas, basicamente, se um objeto for pequeno o suficiente e ficar sobre o ponto cego do seu olho ele simplesmente desaparecerá de sua visão e será coberto pela cor e textura circundante (o cérebro leva um tempo para “ignorar” o objeto depois de tê-lo visto).

Finalmente, existe um último “probleminha” com o qual o nosso cérebro tem de lidar, e chama-se temperatura da cor. A cor que enxergamos é composta de um certo número de elementos. Alguma fonte externa produz luz, em forma de ondas, que atingem o objeto percebido. O objeto absorve parte do comprimento de onda e reflete outra parte que é recebida pelo nosso olho. O olho emite os dados desta onda para nosso cérebro que interpreta em forma de cor, mas para esta interpretação nosso cérebro precisa de mais um dado, e este dado é a temperatura da cor da luz original.

Se você tiver em mãos uma folha de papel branco e observá-lo sob uma luz incandecente, e depois sob uma luz fluorescente, enxergará a folha branca nos dois casos. Mas na verdade a luz incandecente é alaranjada e, consequentemente, o papel também fica alaranjado. Assim como a luz fluorescente, esverdeada, deixaria o papel esverdeado. Mas enxergaremos a folha branca nos dois casos, e isto se deve ao fato do nosso cérebro, além de todas as correções que já faz, corrigir também o equilíbrio da cor.

Consideramos a luz branca como a soma de todas as cores, mas a maior parte das fontes de luz com as quais convivemos não possuem este equilíbrio das luzes, e sempre tendem para tonalidades avermelhadas ou azuladas (e intermediárias). No século 19, um físico escocês chamado Lord Kelvin criou uma forma de medir estes desvios da luz, e desenvolveu uma tabela relacionando a temperatura da cor à cor da luz.

Temperatura da Cor

Temperatura da Cor

A luz do sol durante o dia é azulada, e possui a temperatura entre 5.500 e 6.000 K. A lâmpada incandecende de tungstênio de 40W é avermelhada e possui uma temperatura de cerca de 2.600 K. Cada temperatura desta afeta a forma como a cor dos objetos é refletida e como nossos olhos percebem as cores. Nosso cérebro utiliza como referência nosso conhecimento pregresso das cores (referência de cor da pele, objetos brancos, grama verde e etc.) para aplicar uma correção de temperatura nas cores de tudo que vemos. Nosso cérebro poderia ser enganado se, em uma sala totalmente escura, se deparasse com um objeto sob luz desconhecido ao qual não tivessemos referência alguma.

O que é tão simples para nosso cérebro virou um problema enorme para a fotografia colorida. Depois de tanto desenvolvimento para criar um filme que possuise a sensibilidade às cores precisas para reproduzir as cores vistas sob a luz do sol, descobriu-se que o mesmo não servia para fotografar sob a luz de uma lâmpada, pois a temperatura da cor simplesmente não era adequada, e ao contrário do nosso cérebro a câmera era incapaz de corrigir o desvio.

Para solucionar este problema foram desenvolvidos filmes específicos para cada situação: filmes para luz do dia, filmes para tungstênio e por aí vai. Na falta ou impossibilidade de se trocar o filme, eram utilizados filtros para corrigir a temperatura da cor.

O advento da fotografia digital facilitou bastante a vida de todos os fotógrafos, pois por mais que o sensor de imagem fosse incapaz de diferenciar a temperatura da cor e, como o filme, simplesmente reproduzisse as coisas como são, o processador interno da câmera é capaz de aplicar, como nosso cérebro, a correção necessária para uma reprodução precisa das cores.

Nos modos não automáticos de balanço de cor (como daylight, shade, fluorescent, tungsten) a câmera aplica uma correção específica, baseada em uma tabela de temperatura de cores, à imagem para corrigí-la. No modo automático a câmera tenta simular o que nosso cérebro faz, mas como é incapaz de diferenciar objetos na imagem (a câmera só “vê” milhões de pontos, mas não reconhece objetos) para utilizá-los como referência ela utiliza um outro método. A câmera seleciona o ponto mais claro da imagem, mais próximo ao neutro, e aplica na imagem a correção necessária para tornar este ponto neutro. Como a maioria das cenas possuem áreas neutras o processo normalmente funciona, mas pode errar quando se depara com cenas que carecem de tons neutros.

Algumas temperaturas típicas:

  • Luz do dia: 5.000 / 6.500 K
  • Sombra: 7.000 / 10.000 K
  • Dia nublado: 6.000 / 8.000 K
  • Lâmpada de Tungstênio: 2.500 / 3.500 K
  • Lâmpada Fluorescente: 4.000 / 4.300 K
  • Luz de Flash: 4.500 / 6.000 K

3 comentários

  1. […] de Branco Novembro 13, 2008 Quem acompanha o blog deve se lembrar do tópico sobre Temperatura da Cor, pois já do que se trata o assunto, precisamos saber agora como aplicar este conhecimento à […]


  2. Muito interessante este texto sobre temperatura das cores.
    È impressionante saber que o nosso cérebro é capaz de fazer tanta coisas que nós nem nos damos conta.
    Porém gostaria de saber como o uso de um filtro pode corrigir o efeito gerado pela luminosidade do ambiênte, e como é o mecanismo de correção de um filtro bicolor.
    Hà filtros que corrigem a luminosidade resultanto em uma foto natural, onde naum se percebe, ao olhar, o uso de um filtro. Porém, observei que há filtros que mudam completamente a tonalidade da foto, deiando-a com um tom azulado ou avermelhado, e onde é facilmente detectado o uso de um filtro, devido à artificialidade da foto.
    Gostaria tb de saber quais outras possíveis utilidades de um filtro.
    Foi mal por tantas perguntas…mas é que a curiosidade é grande. rsrs !!!
    Agradeço desde já! [[ Valeu ]]


  3. Estava a procura de um artigo que me permitisse entender a Temperatura de Cor com o mundo da fotografia. Super esclarecedor, e de fácil entendimento

    Parabens



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