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O Vôo da Fênix (Flight of the Phoenix)

26/08/2008

A grande vantagem de se assistir à Tela Quente é o fato de que, quase sempre, você descobre no fim do filme que teria tido um grande arrependimento se tivesse pagado (cinema ou locadora) para assisti-lo. Não que as duas horas que você perdeu assistindo ao filme não custem caro, mas é que normalmente eu assisto à Tela Quente formatando meu PC, arrumando meu quarto, ou trabalhando em algum outro projeto.

A saga desta segunda-feira (25 de agosto de 2008) foi “O Vôo da Fênix (Flight of the Phoenix)”. Um remake de um filme tenso da década de 60, emburrecido para se adequar aos padrões do cinema ‘blockbuster’ de nossa década. No elenco temos um Dennis Quaid canastrão, uma Miranda Otto apagada, e Giovanni Ribisi (o médico de Resgate do Soldado Ryan) fazendo o único bom trabalho do filme (apesar do papel ser terrível). Na direção, por mais incrível que pareça, não está Michael Bay (e sim John Moore, de “Behind Enemy Lines”).

A história gira em torno de um grupo bastante “coeso” (um piloto de avião, seu co-piloto, uma equipe de perfuração de petróleo [há uma mulher no grupo – que não existia na versão original do filme], e um projetista de aviões de brinquedo que, mesmo depois do filme, não faz idéia alguma do que está fazendo ali). O personagem Elliot (Giovanni Ribisi) é empurrado na história sem qualquer piedade à lógica ou ao bom senso, um projetista de aeromodelos que ‘apareceu’ em uma base de perfuração de petróleo no meio do deserto de Goby e passou a morar com os trabalhadores de lá, até pegar carona no avião que os tiraria de lá.

Devido a uma tempestade de areia e a teimosia do capitão (Quaid) o avião cai no meio do deserto e rapidamente os personagens assumem que nunca serão salvos (com argumentos que não fazem um pingo de sentido como: “eles faria um relatório e verão que nos salvar não compensará em relação custo-benefício). Depois de diversas cenas macarrônicas de “drama de sobrevivência” os personagens resolvem construir um avião com os restos da aeronave original.

Engolir os exageros do filme é fácil, a idéia por si só é ate interessante. Só que vem muita areia junto quando você tenta engolir também as péssimas interpretações, os diálogos forçados e cheios de “frases de efeito”, alguns efeitos especiais toscos e o uso de toda a enciclopédia dos clichês de Hollywood.

Os diálogos são cheios de frases sobre esperança, dedicação e coisas do tipo. Os personagens transportam-se da fraternidade à hostilidade mútua em velocidades impressionantes. O tempo todo o filme tenta lhe sensibilizar com a situação dos personagens, mas eles são tão caricatos que você não consegue isto em nenhum momento do filme. O filme, inclusive, cuida de não matar nenhum dos personagens mais carismáticos do filme, reservando este fim aos personagens mais “figurantes”.

SPOILER (SITUAÇÕES INTRAGÁVEIS NO FILME)

– Durante a queda do avião, o mesmo parece acelerar e desacelerar a cada corte de cena.

– Os personagens se encostam e trabalham constantemente na estrutura de metal do avião, mesmo estando este a dias sob o sol do deserto. As partes metálicas do avião estariam, esta altura, insuportavelmente quentes.

– O avião ficou em uma grande planície (como pode ser visto em diversas cenas durante o filme), mesmo assim um dos personagens, ao sair para urinar durante a noite, tropeça e rola na areia o suficiente para, quando levantar, não conseguir enxergar onde está o avião ou como voltar até ele.

– Quaid diz que os nômades praticaram tiro ao alvo no corpo do colega que caiu do avião durante o vôo. Fez isto com base no fato de haverem cartuchos de rifle sobre o corpo. Mas se os nômades praticaram tiro ao alvo com o corpo, os cartuchos estariam onde o atirador estava, e não ao redor do corpo.

– Uma das piores cenas de filtro azul da história. Para quem desconhece, o filtro azul é utilizado para simular cenas noturnas. Filma-se durante o dia com um filtro azul escuro na objetiva da câmera para gerar um efeito de crepúsculo. Este método é barato, mas pouco usado no cinema de hoje em dia devido ao fato de trazer diversos problemas. O principal problema é o fato de que você não pode mostrar o céu em cenas de filtro azul, pois o céu claro ficará bem mais claro que todo o resto do ambiente, causando um visual alienígena em toda a cena, como se o céu noturno fosse “brilhante”. Em um filme que se passa no deserto, utilizar o filtro azul na cena dos nômades foi, sem dúvida, uma idéia bastante ruim. Por mais que eles tentassem, o céu brilhante apareceu na cena diversas vezes.

– Os zilhões de clichês incluem cenas em contraluz com o sol, tudo dando certo sempre na última tentativa, personagens fazendo coisas erradas precisamente no momento errado, e o final do filme com o avião voando em direção ao por do sol. Isto sem, em momento algum, explicar o que diabos um projetista de aeromodelos faz naquela situação.

No frigir dos ovos o filme é ruim? Não, a idéia por trás dele é bastante interessante. Mas a direção e produção do filme resultaram em mais do mesmo do cinema Hollywoodiano, e sabemos que neste setor de filmes tragédia, existem opções muito melhores para assistir.

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