Archive for agosto \28\UTC 2008

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Pulso Machucado

28/08/2008

Eu tinha um texto sobre o filme Batman – Dark Knight para escrever e postar hoje. Mas ontem a noite, sem nenhum motivo aparente, meu pulso esquerdo se pôs a doer muito. Ainda não sei se dormi de mal jeito sobre ele, ou se tem alguma relação com o fato de ter passado os últimos dois dias desenhando e pintando na tablet, coisa que não fazia tinha algum tempo.

Assim que o braço voltar ao normal, posto novidades.

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Universo Ficcional e Coerência

27/08/2008

Sim, eu vejo novelas. Não que eu pare tudo para assistir… somente a novela das 20hs e nunca nos sábados (quando normalmente estou fazendo alguma outra coisa), mas durante a semana é o horário em que chego do serviço, normalmente cansado, e me dou ao direito de sentar na frente da TV e assistir algo que não me faça pensar muito.

Sempre escrevi aventuras para jogos de RPG, e isto lhe dá um gostinho de ser um autor de alguma coisa, inventar um mundo, personagens e etc. Como um “autor” de histórias de RPG, existem algumas regrinhas que gosto de utilizar:

– Coincidência é o último recurso possível para o plot (enredo) caminhar. Você só utiliza na falta de qualquer opção, e com parcimônia total. Quanto maior a série de coincidências, mais improvável e inverossímil fica a situação.

– Coerência com o Universo Ficcional. Não tenho nada contra exageros ou “viagens”. Adoro cenários onde as pessoas voem, tenham superpoderes e coisas do tipo. Mas qualquer que seja o universo que você crie para suas história, você precisa se manter fiel a ele. Veja o He-Man, por exemplo… existe algo muito errado na história quando ele consegue erguer toda uma montanha, para alguns episódios mais tarde fazer um esforço hercúleo para erguer uma pedra. A partir do momento em que o personagem pode fazer X, ele sempre poderá fazer até que alguma situação inverta isto. Enquanto o universo responder uma ação A com uma reação B, sempre será assim até que exista alguma justificativa para a mudança.

Voltando à novela das 20hs, é engraçado como o autor rompe a barreira destas duas regras com uma constância fenomenal. As coincidências são claras: Flora sempre chega ao lugar certo na hora certa. Quais são as chances de você receber uma ligação avisando que alguém receberá, pelo correio, uma carta específica, e chegar à casa desta pessoa no momento exato em que ela receba a carta e deixa-a disponível em cima de uma mesa. A morte da repórter (personagem da Juliana Paes – morte causada muito mais pela necessidade dela de ir para outra novela do que da trama) foi uma seqüência fenomenal de coincidências: ela liga para Zé Bob e este está no tribunal e não atende, depois ele sai do tribunal e não retorna três ligações insistentemente seguidas de sua melhor amiga, vai ao teatro onde desliga o celular, chega em casa e re-liga, mas não retorna as ligações, Flora chega em seguida (apesar de não o seguir, estava no tribunal todo este tempo), Zé Bob entra no banho no momento exato em que a repórter liga para ele novamente, Flora intercepta a ligação. Fora o sem número de coincidências, em nenhum momento a repórter, inteligente e vivida, pensou em ligar para a polícia? Emergência?

Então entramos na questão do Universo Ficcional. A maioria das novelas da Globo utiliza como Universo Ficcional a realidade, pura e simples. Pode parecer mais prático, pois você não precisa inventar muita coisa, mas complica a partir do momento que tira das mãos do autor as regras do universo onde a trama acontece. Quando um cara recebe três ligações insistentes de uma amiga que considera uma irmã e não retorna, você tem um problema. Quando uma repórter inteligente não liga para polícia quando tem chance e está sendo perseguida por bandidos, você tem outro. A Flora, por exemplo: ela não só virou a vilã da novela, como também não aparece mais nenhuma vez em cena sem que repita frases de ódio contra todos a todo momento. Nos momentos inoportunos e estranhos repete que odeio Lara, que a Irene é uma chata e etc.

Dois momentos “mágicos” nesta equação da novela “A Favorita” foram o assassinato do Dr. Salvatore e o atropelamento da repórter. O plano em si é mais furado que um queijo suíço. Vamos a alguns dos furos:

– Donatela não precisava fugir. Um exame de corpo de delito confirmaria a pancada e o desmaio, e um exame por pólvora nas mãos dela provariam que ela nunca disparou aquela arma. Claro, ela surtou e não pensou nisto, mas o Zé Bob é repórter criminal, deveria conhecer estes procedimentos.

– A polícia não fechou nem investigou a cena do crime. Pombas, era uma garagem velha, cheia de poeira, quantas pegadas Flora e Dodi devem ter deixado no local do crime?

– A justiça levará anos para julgar os Nardoni, mas abriu uma exceção para julgar Donatela rapidamente, mesmo sem provas consistentes do crime.

Já no caso do atropelamento de Juliana Paes.

– Centenas de pessoas, inclusive o cara que brigava com o capanga de Dodi no momento da fuga, viram a repórter sair de um carro chorando, ser perseguida por dois capangas, e então ser atropelada. Dodi não tinha como fugir no momento do incidente, pois estava no meio do congestionamento, então é óbvio que as pessoas iriam esperar que ele fosse socorrer sua, até então, passageira, ou estranhariam o fato de ele ficar indiferente ao fato. A polícia, chegando mais tarde no local no local do incidente, certamente interrogaria as pessoas.

Esta quantidade de furos é culpa do autor? Não, mas sim culpa da forma como as novelas são estruturadas e levadas no cabresto firme pelos índices de IBOPE e pesquisas de opinião. Um bom plot é criado como uma pintura: você começa pela base e preenche as formas em pinceladas largas, até ter uma idéia do todo, e só então pinta os detalhes e dá o devido realce à sua obra. Nas novelas o plot é criado de forma linear… se tem o começo, e se escreve o meio sem se ter idéia do fim. Se no meio do caminho uma pesquisa de opinião diz que Lara tem de ficar com Halley, que a Flora tem de ser assassina, ou que o enredo precisa ser totalmente modificado, que se faça. Mesmo que isto custe a credibilidade ou coerência da novela, mesmo que sejam necessário retcoms (termo utilizado em seriados quando, em virtude de um novo plot, o autor ignora ou altera eventos passados) diversos e mudanças bruscas de personalidade nos personagens.

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Frankensmacro

26/08/2008

Mas pode chamar também de ‘macronstein’. Ao menos foram estes os apelidos que dei para projeto de transformar uma velha objetiva Zenit 55mm, de rosca, em um filtro close-up para a objetiva 17-55mm que acompanha o kit da Canon Rebel XTi.

Frankensmacro 01

Frankensmacro 01

Ao lado a primeira parte do processo, que foi desmontar o corpo da objetiva Zenit. Como resultado tem-se duas peças compostas de 2 elementos ópticos cada uma. Ela não desmonta mais do que isto de forma prática, cada um dos elementos destas duas peças seguram o outro elemento. Em resumo, ou você fica com uma peça utilizável com 2 elementos, ou então fica com 2 lentes completamente soltas.

Testei algumas vezes estes dois elementos até encontrar aqueles que resultavam na melhor ampliação e nitidez, com a menor distorção. Claro que neste nível de improviso acaba sendo uma escolha da menos pior. Escolhido os elementos, ainda dei a sorte de que a objetiva Zenit possui um anel (que controla o foto) no qual o elemento se encaixava perfeitamente, e esta então se encaixava perfeitamente em um anel de filtro 58mm. Foi só uma questão de colar (com SuperBonder mesmo) os elementos no anel do foco, e então este em um anel de filtro UV (que quebrei, sem querer, algum tempo atrás). A vantagem desta montagem é que a gambiarra encaixa perfeitamente na objetiva (qualquer objetiva que aceite filtro 58mm), o que permite controle de abertura e a função de foco automático.

Frankensmacro 02

Frankensmacro 02

A ampliação ficou bem próxima de 1:1, mas a área de foco é bastante curta e o DoF (Profundidade de Foco) é rasíssima. Fora isto ainda tem de ligar com um terrível efeito de barril (distorção) e uma vinheta muito forte escurecendo os cantos da imagem. Ainda assim, para uma gambiarra, a macro até funciona bem. Ao lado uma foto da gambiarra Frankensmacro montada, sem o acabamento que fiz com esmalte preto para esconder os pontos aonde o SuperBonder secou e ficou esbranquiçado.

Fiz algumas fotos de teste com a gambiarra de alguns objetos que estavam disponíveis aqui perto. Sem crop para permitir a visualização do efeito barril e da vinheta forte. Ainda quero testar a lente em uma objetiva 75-300mm, mas a chance ainda não se apresentou.

Amostra 01

Amostra 01

Amostra 01 (Crop 100%)

Amostra 01 (Crop 100%)

Amostra 02

Amostra 02

Amostra 03

Amostra 03

Amostra 04

Amostra 04

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O Vôo da Fênix (Flight of the Phoenix)

26/08/2008

A grande vantagem de se assistir à Tela Quente é o fato de que, quase sempre, você descobre no fim do filme que teria tido um grande arrependimento se tivesse pagado (cinema ou locadora) para assisti-lo. Não que as duas horas que você perdeu assistindo ao filme não custem caro, mas é que normalmente eu assisto à Tela Quente formatando meu PC, arrumando meu quarto, ou trabalhando em algum outro projeto.

A saga desta segunda-feira (25 de agosto de 2008) foi “O Vôo da Fênix (Flight of the Phoenix)”. Um remake de um filme tenso da década de 60, emburrecido para se adequar aos padrões do cinema ‘blockbuster’ de nossa década. No elenco temos um Dennis Quaid canastrão, uma Miranda Otto apagada, e Giovanni Ribisi (o médico de Resgate do Soldado Ryan) fazendo o único bom trabalho do filme (apesar do papel ser terrível). Na direção, por mais incrível que pareça, não está Michael Bay (e sim John Moore, de “Behind Enemy Lines”).

A história gira em torno de um grupo bastante “coeso” (um piloto de avião, seu co-piloto, uma equipe de perfuração de petróleo [há uma mulher no grupo – que não existia na versão original do filme], e um projetista de aviões de brinquedo que, mesmo depois do filme, não faz idéia alguma do que está fazendo ali). O personagem Elliot (Giovanni Ribisi) é empurrado na história sem qualquer piedade à lógica ou ao bom senso, um projetista de aeromodelos que ‘apareceu’ em uma base de perfuração de petróleo no meio do deserto de Goby e passou a morar com os trabalhadores de lá, até pegar carona no avião que os tiraria de lá.

Devido a uma tempestade de areia e a teimosia do capitão (Quaid) o avião cai no meio do deserto e rapidamente os personagens assumem que nunca serão salvos (com argumentos que não fazem um pingo de sentido como: “eles faria um relatório e verão que nos salvar não compensará em relação custo-benefício). Depois de diversas cenas macarrônicas de “drama de sobrevivência” os personagens resolvem construir um avião com os restos da aeronave original.

Engolir os exageros do filme é fácil, a idéia por si só é ate interessante. Só que vem muita areia junto quando você tenta engolir também as péssimas interpretações, os diálogos forçados e cheios de “frases de efeito”, alguns efeitos especiais toscos e o uso de toda a enciclopédia dos clichês de Hollywood.

Os diálogos são cheios de frases sobre esperança, dedicação e coisas do tipo. Os personagens transportam-se da fraternidade à hostilidade mútua em velocidades impressionantes. O tempo todo o filme tenta lhe sensibilizar com a situação dos personagens, mas eles são tão caricatos que você não consegue isto em nenhum momento do filme. O filme, inclusive, cuida de não matar nenhum dos personagens mais carismáticos do filme, reservando este fim aos personagens mais “figurantes”.

SPOILER (SITUAÇÕES INTRAGÁVEIS NO FILME)

– Durante a queda do avião, o mesmo parece acelerar e desacelerar a cada corte de cena.

– Os personagens se encostam e trabalham constantemente na estrutura de metal do avião, mesmo estando este a dias sob o sol do deserto. As partes metálicas do avião estariam, esta altura, insuportavelmente quentes.

– O avião ficou em uma grande planície (como pode ser visto em diversas cenas durante o filme), mesmo assim um dos personagens, ao sair para urinar durante a noite, tropeça e rola na areia o suficiente para, quando levantar, não conseguir enxergar onde está o avião ou como voltar até ele.

– Quaid diz que os nômades praticaram tiro ao alvo no corpo do colega que caiu do avião durante o vôo. Fez isto com base no fato de haverem cartuchos de rifle sobre o corpo. Mas se os nômades praticaram tiro ao alvo com o corpo, os cartuchos estariam onde o atirador estava, e não ao redor do corpo.

– Uma das piores cenas de filtro azul da história. Para quem desconhece, o filtro azul é utilizado para simular cenas noturnas. Filma-se durante o dia com um filtro azul escuro na objetiva da câmera para gerar um efeito de crepúsculo. Este método é barato, mas pouco usado no cinema de hoje em dia devido ao fato de trazer diversos problemas. O principal problema é o fato de que você não pode mostrar o céu em cenas de filtro azul, pois o céu claro ficará bem mais claro que todo o resto do ambiente, causando um visual alienígena em toda a cena, como se o céu noturno fosse “brilhante”. Em um filme que se passa no deserto, utilizar o filtro azul na cena dos nômades foi, sem dúvida, uma idéia bastante ruim. Por mais que eles tentassem, o céu brilhante apareceu na cena diversas vezes.

– Os zilhões de clichês incluem cenas em contraluz com o sol, tudo dando certo sempre na última tentativa, personagens fazendo coisas erradas precisamente no momento errado, e o final do filme com o avião voando em direção ao por do sol. Isto sem, em momento algum, explicar o que diabos um projetista de aeromodelos faz naquela situação.

No frigir dos ovos o filme é ruim? Não, a idéia por trás dele é bastante interessante. Mas a direção e produção do filme resultaram em mais do mesmo do cinema Hollywoodiano, e sabemos que neste setor de filmes tragédia, existem opções muito melhores para assistir.

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HDR – High Dynamic Range Image

25/08/2008

Para os profissionais do processamento de imagem, computação gráfica, ou fotografia, High Dynamic Range Imaging (HDRi – Imagem de Alta Amplitude Dinâmica) consiste em uma série de técnicas que permitem uma maior amplitude dinâmica de exposição (a quantia possível de valores entre as regiões mais claras e mais escuras) do que as técnicas tradicionais de imagem digital. A intenção do HDRi é a de representar uma amplitude maior de níveis de intensidade vistas nas cenas reais das áreas iluminadas diretamente até as sombras.

Desenvolvido originalmente por Charles Wyckoff entre a década de 30 e 40. Wyckoff expos na Life Magazine, na década de 40, uma detalhada imagem de uma explosão nuclear. O processo de Tone Mapping junto ao uso de várias exposições de imagens digitais comuns, resultando em uma imagem com dinâmica exagerada, foi visto pela primeira vez em 1993. Em 1997 a técnica de combinar imagens de diversas exposições e gerar um único HDR foi apresentada à comunidade de computação gráfica por Paul Debevec.

Este método foi desenvolvido para produzir uma imagem de alta dinâmica com base em uma série de fotografia tomadas com diferentes exposições. Esta composição utiliza um método diferente (e geralmente com menor qualidade) do que a produção de uma imagem HDR da exposição em um sensor com alta dinâmica. Tone Mapping também é utilizada para representar imagens HDR em sistemas que possuem baixa amplitude dinâmica, como a tela de um computador.

Como a imagem HDR conserva a informação de luminosidade de cada área da imagem, independente da cor dela, sua importância na área de computação gráfica 3D é extremamente alta. Imagens HDR são utilizadas para iluminar cenas de forma incrivelmente realista.

Abaixo um HDR que produzi da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, com base em 3 imagens tiradas com exposições diferente (EV -2 e +2) utilizando-me do sistema de Bracketing da câmera e de um tripé. O HDR foi criado então no software Photomatix.

Hercilio Luz - HDR

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Opening the Hunting Season

25/08/2008

É… blog novo.

Conheci o WorldPress através de um camarada meu, grande fotógrafo Eduardo Guilhon, e acabei gostando do sistema, do visual e tudo mais. Não sei quanto tempo vai durar… já abri diversos blogs e todos eles foram morrendo com o tempo à medida que eu arranjava outras coisas para fazer e cuidar. Invariavelmente meus blogs acabam… invariavelmente começam novamente.

Inconstância é assim.