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You Got a Fast Car

22/08/2005

Todos os dias, excluindo-se sábados, domingos e feriados, eu cruzo como pedestre uma das mais movimentadas avenidas de Florianópolis, a Paulo Fontes. A Prefeitura, numa atitude duvidosa, realocou o Terminal de Ônibus Integrado de Florianópolis em um ponto da cidade em que os milhares de usuários do sistema são obrigado a atravessar tal avenida para ir, sem exceção, a qualquer lugar de Florianópolis (salvo talvez, um lanchinho dentro de uma das biróscas dentro do próprio Terminal).

Mas, independente da escolha do Secretário de Obras, a avenida em si tem todo o aparato necessário para ser cruzada com segurança: larga faixa de pedestres, semáforos, pardais e um canteiro central tão amplo que, não duvido, logo vire um camelódromo.

Mas, mesmo assim, diariamente milhares e milhares de pessoas arriscam suas vidas por uma pressa tão irreal quanto a que faz passageiros do ônibus levantarem e dirigirem-se para as saídas assim que cruzam a ponte, 7 minutos antes de chegarem ao terminal. Ou seja, atitudes desnecessárias em troca de 30, 40 segundos.

Não consigo imaginar justificativas pelas quais as pessoas se arrisquem, em troca dos tal 30 segundos, se recusando a respeitarem a mais básica e simples lei de trânsito. O semáforo.

É simples mas, em caso de você, leitor, morar em planeta diferente do meu (ou ainda, me corrigir, vai numa dessas que quem nunca entendeu o sistema fui eu), eu vou explicar. O tal objeto possui três luzes sinalizadoras, nas cores verde, vermelho e amarelo e são colocados de forma que se voltem ao sentido de movimento dos veículos e não dos pedestres. As luzes se acendem, uma por vez (nunca acendendo duas simultaneamente) na ordem: verde, amarelo, vermelho e então retornando à verde. A verde indica aos veículos que eles podem transitar normalmente, o vermelho, que eles devem parar, permitindo à livre passagem dos pedestres. E o amarelo causa uma confusão horrível na cabeça das pessoas… o pedestre acha que o carro deve parar e atravessa, e o motorista acelera acreditando que é a sua última chance de ultrapassar o semáforo. Ainda acho que alguns crêem que uma vez fechado, ele nunca mais se abrirá novamente, caso sério de autismo.

Não é complicado, é?

Outro fato importante… se a luz está vermelha para os carros mas não há pedestres passando, isto não significa aos motoristas que eles podem transitar livremente, já que o pedestre ao ver o sinal vermelho, automaticamente considera livre sua passagem… o motorista respeita isto. Então, por que diabos? O pedestre não consegue respeitar regrinha tão sutil e simples? Insistindo em arriscar-se pelos 30 segundos correndo entre as menores brechas possíveis numa anedota cretina do jogo Freeway do Atari, no qual o jogador devia ajudar um frango à atravessar a rua?

Será que um vírus transmissor de um tipo diferente de daltonismo invadiu a cidade? Se o vírus transmitisse retardo mental ele explicaria não só este problema, como muitos outros que assolam a cidade.

Será que os signos escolhidos para controlar o tráfego foram mal escolhidos? Quem sabe junto do semáforo, para facilitar o entendimento das pessoas, no melhor estilo: “Querem agir como animais? Então serão tratados como animais.” devemos adotar cancelas nas faixas de pedestres, e um ou outro polícia vestido de espantalho, armado e “tudo pelo bem estar da população”?

Realmente é incompreensível. Como se os 30 segundos fossem fazer alguma diferença na âmbito geral das coisas… quer saber? Acorda mais cedo.

E eu fico ali, aproveitando a sombra ao som do CD da Tracy Chapman que toca diariamente “You got a fast car (Você possui um carro veloz)”. Coincidência?

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